<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-2651107604259160564</id><updated>2012-02-16T12:03:42.517-08:00</updated><category term='Dayane Pereira Batista'/><category term='André Luiz Covre'/><category term='Augusto Rodrigues'/><category term='Luciano Novaes Vidon'/><category term='Josely Teixeira Carlos'/><category term='Mara Lúcia Fabricio de Andrade'/><category term='Alda Mendes Baffa'/><category term='Camila Caracelli Scherma'/><category term='Sérgio A. 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Com a própria morte não é diferente. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;As lápides mantêm o falecido “preso à terra” e, naturalmente, à estrutura ideológica vigente nesse especo. Portanto, os epitáfios constituem um registro (verídico ou não) da passagem pelo mundo daquele que já não mais existe fisicamente, preservando o cargo, a profissão e o seu valor perante a sociedade, ainda que apenas no campo simbólico. Por isso, é comum observar que cargos e profissões são ressaltados na inscrição tumular, bem como o nível de afetividade dos familiares (sobretudo quando se trata de falecidos em tenra idade), a importância dos genitores, como preservação do grupo familiar, além do prestígio que o falecido exercia em sociedade. É com o intuito de pesquisar os discursos, agrupá-los e analisá-los segundo sua construção, tanto física quanto verbal é que este trabalho elege como local de pesquisa o Santa Izabel, um dos cemitérios mais antigos de Belém, cujas lápides, pertencentes às mais variadas épocas, permitem um estudo mais abrangente acerca dos discursos do que qualquer outro cemitério de Belém. A partir de uma visão sociointeracionista que a comunicação verbal passa a adquirir uma função interativa, em que o ouvinte se encontra em um nível de participação equivalente ao do falante, concordando, ou discordando (parcial ou totalmente) sobre um determinado assunto, tema ou uma circunstância. Por isso, os estudos de Bakhtin mostram que tanto as atitudes de quem ouve quanto as de quem fala passam por um processo de elaboração constante durante a interação comunicativa, uma vez que de ambas as partes há a responsabilidade de completar, adaptar e modificar os enunciados prévios e o enunciado concreto do qual faz parte.Neste contexto surge o conceito de compreensão responsiva, que nada mais é do que “a fase inicial e preparatória para uma resposta” (BAKHTIN, 1997, p. 291). Sendo assim, diferente da teoria saussuriana o ouvinte participa efetivamente da comunicação, pois que dele dependerá a adesão ou não às proposições de seu parceiro e, conseqüentemente, os rumos da conversa. E é o próprio locutor quem espera por essa compreensão responsiva, já que, não desejando uma postura passiva e desmotivadora por parte de quem lhe ouve “joga” com as palavras de modo a instigar uma resposta ativa, seja ela de acordo com seus interesses ou não. Na perspectiva enunciativa de Bakhtin o enunciado é a peça chave da interação social entre indivíduos, passando assim a ser a unidade fundamental da comunicação. Dentre outras características, o enunciado é delimitado pela alternância entre os sujeitos falantes, o que significa dizer que é concebido a partir de uma língua em uso, na realidade viva e concreta na qual se entrecruzam os elementos verbais e os extra-verbais. Assim, não haverá relação de "diálogo" por meio de elemento abstrato (a língua), já que a transcendência do diálogo revela aspectos contextuais não contemplados pela teoria lingüística (FLORES &amp;amp; TEXEIRA, 2005). É importante dizer que enunciados produzidos pelos falantes das mais diversas esferas sociais referem-se entre outros não à frase, mas a discursos. Sobre isso, Travaglia (1997, p.67) chama a atenção para o fato de que se concebe discurso como&lt;br /&gt;toda atividade comunicativa de um locutor numa situação de comunicação determinada, englobando não só o conjunto de enunciados por ele produzidos em tal situação – ou os seus e os de seu interlocutor, no caso do dialogo – como também o evento de sua enunciação.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;O evento de enunciação é fator preponderante na compreensão intersubjetiva, pois é da relação palavra-contexto que depende o sentido do enunciado. Fora dessa relação, o enunciado se torna um elemento abstrato, puramente lingüístico, possuindo apenas seu significado descontextualizado. É por esse motivo que Bakhtin (1997a) esclarece que o que determina o processo de enunciação presente nas interações humanas é a situação social mais imediata que os interlocutores ocupam, isto é, se estão na mesma hierarquia social, se são escolarizados, entre outros aspectos. Já na dialogicidade da linguagem, a enunciação é concebida como um fazer coletivo. O outro, nesse processo, desempenha um papel essencial, pois é inconcebível pensar no ser humano fora das relações intersubjetivas, agindo e se comunicando sozinho, sem levar em consideração os discursos alheios em situação concreta – presentes em sua bagagem cultural – e o outro, a quem direciona seu discurso. São essas relações existentes entre o eu (self) e os outros (selves) que permeiam a concepção de dialogismo nas obras de Bakhtin. Dessa forma, entender essas relações é também compreender que a expressividade dos sujeitos (eu e os outros) “nasce no ponto de contato entre a palavra e a realidade real, que se atualiza através do enunciado individual” (BAKHTIN, 1997b, p.313-314). Desse modo, a visão dialógica do enunciado pode ser definida por meio da relação necessária entre um enunciado e outros enunciados, já que é nas situações comunicativas que eles se moldam para um entendimento mútuo entre os locutores. Leva-se, portanto, em consideração, o outro, a situação em que os interlocutores se encontram e a esfera social, ou seja, o lugar social que cada um ocupa na sociedade. Conforme Miotello (2004, p. 201) a palavra “sempre é a palavra do outro, palavra alheia, e o Eu vai buscar as palavras que usa não no dicionário ou nas gramáticas, mas nos lábios alheios e contextos alheios”, nessa concepção a palavra é o meio pelo qual o outro é garantido como social, é, por conseguinte, um dos modos mais eficazes da comunicação humana e é justamente isso que a torna tão importante nas relações sociais. É da presença de várias vozes que surge então o conceito de dialogismo - a voz do outro em relação indissolúvel com o “eu” (self), atualizada pelas características individuais do self. Portanto, convém ressaltar que, para Bakhtin (1997b, p.313) a palavra existe para o locutor sob três aspectos: como palavra neutra da língua e que não pertence a ninguém, como palavra do outro pertencente aos outros e que preenche eco de enunciados alheios e, finalmente, como palavra minha, pois, na medida em que uso essa palavra numa determinada situação, com uma intenção discursiva, ela já se impregnou da minha expressividade.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;É a partir destes três aspectos que o “eu”, individual e expressivo, constitui-se na relação com os outros. É sempre a partir do contato social, da relação com o coletivo que se forma a identidade subjetiva. Ao se comunicar, ao interagir por meio dos enunciados concretos, há uma “apropriação” da palavra alheia, dos enunciados coletivos, que passam a ser em certo grau do falante que os utiliza. Desta forma, os enunciados dos falantes são sempre antecedidos pelas vozes alheias, o que caracteriza os falantes ao mesmo tempo como seres sociais e individuais; sociais porque “tomam emprestado” do outro o discurso; e individuais porque só o usam após filtrá-los, liberando–os, por assim dizer, ‘impregnados’ de personalidade, de estilo, a que Bakhtin chama de expressividade. Pode-se perceber que o processo comunicativo não é algo feito de maneira aleatória; se assim fosse, não seria possível um entendimento mútuo, pois cada falante se comunicaria de maneira desorganizada, sem atentar para elementos importantes a uma comunicação bem sucedida, como por exemplo, a posição social do interlocutor, o conteúdo e o local da conversação. Assim, pode-se perceber que a comunicação é um processo complexo, regido por leis e que – por ter um caráter organizado - ocorre sempre no interior de um gênero textual específico, tão diverso quanto são diversas as esferas da comunicação humana. Daí a importância de se conhecer os gêneros textuais, suas características e finalidades.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;2. OS GÊNEROS DO DISCURSO: A ETERNA NECESSIDADE DO DIZER&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;2.2. OS GÊNEROS DISCURSIVOS COMO CONDIÇÃO PRIMÁRIA PARA O PROCESSO COMUNICATIVO&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Quando os falantes se comunicam, automaticamente estão inseridos em uma situação social de interação e, para que esse processo flua da melhor forma possível, utilizam-se de uma forma padrão compreensível e adequada ao entendimento mútuo, apropriando-se assim de ferramentas de comunicação as mais variadas possíveis e são exatamente essas ferramentas que darão forma ao enunciado, encaminhando-o a um gênero específico. Por essa relação de interdependência pode-se dizer, portanto, que qualquer enunciado faz parte de um gênero e que jamais se pode pensar neste sem levar em consideração o ciclo de atividades envolvendo as condições de produção, circulação e recepção em que ele se constitui e atua. Com isso, é seguro afirmar que&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Para falar, utilizamo-nos sempre dos gêneros do discurso, em outras palavras, todos os nossos enunciados dispõem de uma forma padrão e relativamente estável de estruturação de um todo. Possuímos um rico repertório dos gêneros do discurso orais (e escritos). Na prática, usamo-nos com segurança e com destreza, mas podemos ignorar totalmente a sua existência teórica. (BAKHTIN, 1997, p.301)&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Desse modo, o gênero se molda de acordo com a variabilidade das circunstâncias, a posição social e o relacionamento pessoal com o(s) interlocutor(es): “há o estilo elevado, estritamente oficial, deferente, como há o estilo familiar que comporta vários graus de familiaridade e de intimidade (distinguindo-se esta da familiaridade)” (BAKHTIN, 1997, p.302).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Segundo Bakhtin, os gêneros de cunho oficial são pouco flexíveis, pois não permitem expansões de sentimento, como o requerimento, a ata e a entrevista formal, que não necessitam de um estreitamento das relações entre os sujeitos participantes, Entretanto existem gêneros mais maleáveis, como a carta familiar, o bilhete e a própria conversação espontânea, nos quais as expressões de emoções e o grau de intimidade concorrem para o êxito do processo comunicativo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Por essa diferença de estruturação e de objetivos, os gêneros se dividem em dois tipos: os primários e os secundários. São chamados de primários os gêneros que se enquadram no estilo familiar pelo fato de apresentarem uma interação comunicativa comum, cotidiana, simples, cujo objetivo é satisfazer uma comunicação discursiva imediata. Já os secundários são os gêneros que possuem um maior grau de complexidade; geralmente exigem maior tempo de planejamento e não possuem o imediatismo que permeia os gêneros primários, como é o caso, por exemplo, do romance, do texto científico, da palestra, enfim, dos gêneros pertencentes à literatura, à ciência, à ideologia e à filosofia, construídos dentro da cadeia científica, artística e política. Porém, é importante mencionar que a existência da classificação em primários e secundários não significa que há um isolamento entre os dois tipos de gênero, mas sim que ambos podem se encontrar em uma relação mútua, em que os primeiros podem ser intercalados/absorvidos no segundo, principalmente quando há o surgimento de “novos” gêneros, decorrentes do avanço tecnológico. Desse modo ocorre a passagem de uma estrutura simples a uma complexa, embora isso afaste os gêneros primários do seu espaço cotidiano, já que passam a fazer parte do campo da verossimilhança, não mais da realidade. Com relação à quantidade de gêneros existentes, ainda não há – e talvez nunca haverá – um número exato, pois, como eles fazem parte da esfera da necessidade de se dizer algo e surgem da interação entre interlocutores que estão sempre inseridos em atividades comunicativas, serão diversos quanto mais diversas forem as formas de se comunicar. Por serem ligados às necessidades comunicativas do ser humano, é compreensível a existência de um grande número de gêneros que dêem conta da eterna necessidade do homem de interagir verbalmente. Como bem diz Marcuschi (2002, p.29), “Sendo os gêneros fenômenos sócio-históricos e culturalmente sensíveis, não há como fazer uma lista fechada de todos os gêneros”.Assim, existem gêneros com objetivos os mais diversos; há aqueles que se ocupam de apresentar um candidato a um cargo profissional como o currículo e a entrevista formal. Há os que são veículos de informações e descobertas científicas, como os seminários e os simpósios. E há aqueles que existem a partir do fenômeno natural da morte e que se destinam a homenagear os entes que partiram.&lt;br /&gt;É o caso do gênero epitáfio.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;2.3. QUANDO OS MORTOS FALAM: O GÊNERO EPITÁFIO&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;= &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Quem nunca se deparou com escritos curiosos no cemitério em um dia de finados, com inscrições como: Quero habitar no interior de um grão de trigoOnde não há nem som nem ausência Apenas equilíbrioNum permanente cantochão de estranhas vozesDer morada em morada serei então eternidade A.M. 1967(Jazigo da família Ruy Vieira – Alameda St. Terezinha, quadra 8-H).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Quem nunca pensou no significado de alguma inscrição tumular? E na sua veracidade?Afinal, quais os possíveis aspectos que norteiam as inscrições tumulares?O epitáfio é um gênero que “nasce” somente a partir da morte de alguém, por isso seu suporte é a sepultura, seu ambiente é o cemitério e seus companheiros são o silêncio, a solidão e a tristeza. Esses escritos são produzidos em um momento de dor e de perda, quando elaborados por familiares, e geralmente constituem uma homenagem ao falecido e um registro de suas ações de vida. Os produtores da inscrição tumular são na maioria das vezes parentes e amigos, mas há casos em que os produtores são empresas ou instituições aos quais o falecido era ligado, sendo os epitáfios produzidos utilizados para ressaltar seu cargo e seu talento profissional. Há também epitáfios produzidos pela própria pessoa, que em vida lega a um responsável a inscrição que deseja ver em sua lápide, como a de Antônia Muca de Souza, por exemplo:&lt;br /&gt;Tudo o que eu não tive devo aos exemplos de honestidade de meus paisDeus é paiDeus é filhoDeus é Espírito SantoAntônia Muca de Souza*16 – 05 – 1905 + 17- 09 - 2000&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;O epitáfio é, enfim, um registro que perdurará durante muitos e muitos anos. Sobre o espaço em que se encerram as lápides, o cemitério, Paulo Henrique Muniz em seu artigo intitulado O estudo da morte e suas representações socioculturais, simbólicas e espaciais afirma que&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;São espaços construídos socialmente e podem ser vistos como lugares de práticas sociais que traduzem leituras sociais (...) Tais paisagens históricas deslocam o nosso pensamento não apenas para o patrimônio arquitetônico, mas para os valores, tradições, modos de viver, conflitos e tensões, processo de enraizamento: conjunto de relações sociais, culturais, econômicas e políticas neles contidos. (p. 160-61)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;O cemitério é também o reflexo da sociedade, com sua organização, sua estrutura e seus conflitos, e que o discurso presente na lápide é a prova de que o homem, tendo consciência de sua limitação terrena, transporta para os limiares da morte todo um patrimônio cultural, econômico e social, para se dar a (re)conhecer àqueles que visitam esse espaço. É uma maneira de não se despojar de sua personalidade, de seu valor:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;= &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;A análise de lápide, pedra com inscrições comemorativas de determinado acontecimento, no caso a morte, nos “fala” quem era o morto e onde ele viveu, ou ainda, o que representava para aqueles que morreram. ( Muniz, p.165)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;É por isso que, desde o início dos tempos, o homem busca gravar os conhecimentos, hábitos e costumes de seu povo, de maneira a deixá-los para as próximas gerações. É obedecendo ao desejo de perenidade e ao temor do esquecimento e do abandono que o homem se vale de estratégias que possam lhe garantir a eternidade. E com a morte não poderia ser diferente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;= &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;É o que Muniz comprova ao dizer que&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;O monumento funerário destina, entre outras coisas, principalmente e perpetuar a recordação no domínio em que a memória é particularmente valorizada: a morte. (p.166)&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Por isso, as lápides são ideais para manter o falecido preso à terra, por meio da lembrança, ainda que esmaecida pelo tempo. Os epitáfios nada mais são do que registros (verídicos ou não) da passagem pelo mundo daqueles que já não mais existem fisicamente, daqueles que já retornaram ao pó.Quanto à organização textual, o epitáfio geralmente é produzido em letras de forma, para deixá-lo legível mesmo com o passar dos anos. Este gênero traz a numeração do túmulo e símbolos que representam o início (*) e o fim da vida (+). Há casos em que esses símbolos são substituídos por abreviações, como (N ) / (NAS) para o nascimento e (F) / (FAL) para a morte. Por mais que seja um gênero curto e conciso, visando a economia de palavras e a uma leitura mais eficaz, há casos em que esta preocupação acaba por dificultar a leitura da inscrição, como o exemplo a seguir, em que a ausência de pontuação obriga o visitante a uma segunda leitura::Aqui repousam Nazareth Maria de Brito Galvão14-0-1900 + 13-06-1974 João Garcia Galvão07-02-1899 + 14-10-1979Viveram juntos plantaram suas sementes e nasceram os frutos hoje com a árvore da vida caída voltaram a estar juntos para o descanso eterno com a saudade de seus filhos genros noras netos e bisnetos.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;É, portanto, com o intuito de pesquisar e analisar a peculiaridade das inscrições tumulares que este trabalho elege como local de pesquisa o Santa Izabel, uma das necrópoles mais antigas de Belém, cujas lápides – pertencentes às mais variadas épocas – permitem um estudo abrangente acerca dos discursos e de seus aspectos ideológicos.&lt;br /&gt;Como primeiro caso, há o exemplo da lápide do Coronel Antônio Sérgio Dias Fontoura. As palavras identificadas em negrito são as reveladoras do cargo e da importância que o indivíduo exercia na sociedade:&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Aqui repousa [sic] os restos mortais do coronel PM Antônio Sérgio Dias Vieira de Fontoura – Patrono da polícia militar do Pará – herói da campanha de Canudos. Nascido em 17 – 8 – 1864 e falecido em 25 – 2 – 1923Que os componentes da brigada militar do Pará vejam na sua conduta um exemplo a seguir e que nunca nos delembremos de seu brilhante nome.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Esta lápide, localizada logo na entrada do cemitério, (onde podem ser observados túmulos e jazigos suntuosos) é um exemplo do que Henrique Muniz (2006) fala sobre a preservação da memória daqueles que já faleceram. No caso do Coronel Fontoura, as palavras demarcadas mostram seu cargo, seus méritos e a importância de sua existência, gravando-os na pedra a fim de que – por mais que passe o tempo e as pessoas esqueçam o que foi a Campanha de Canudos – seu nome seja sempre lembrado e automaticamente associado a esse marco da história brasileira. A fotografia dessa sepultura mostra a “grandiosidade” de sua “construção”. Estética e materiais caros, como o granito preto e o bronze, fazem parte de uma composição que atribui ao falecido a mesma “imagem”. É importante notar as hastes compridas, altas, em granito preto, que se sobrepõem ao túmulo em mármore branco (figura 01). No alto das hastes, uma espécie de “medalhão” evidencia a imagem do rosto do Coronel, numa clara analogia às medalhas expostas pelas autoridades vinculadas às forças armadas e á polícia brasileira. O Coronel é tal qual apresentado, emblemático; compõe a própria medalha; é “uma medalha”, exposta num plano bem mais alto que o túmulo. A altura e a evidência dadas à “medalha” também “marcam um espaço” ideológico, hegemônico.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Figura 01 – Túmulo do Coronel Fontoura (1897) no Cemitério Sta, Izabel, Belém, Pará.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Um ponto interessante no caso do Coronel Fontoura é o que se pode chamar de invasão do espaço público, pois a homenagem da polícia militar ao “Patrono da Campanha de Canudos” ultrapassa os limites do convencional e vai até o muro que delimita o cemitério cristão do cemitério dos judeus, como mostra a foto a seguir:&lt;br /&gt;Figura 02 – Inscrição tumular no muro do Cemitério Sta, Izabel, Belém, Pará.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Cabe chamar a atenção para o fato de que não se trata de pichação ou qualquer outro tipo de escritura que não a própria utilizada no epitáfio, ou seja, com a intenção de homenagear, ressaltar o falecido. É como se o gênero se mantivesse, mas em outro suporte (o muro) a fim de chamar mais atenção ao Coronel Fontoura. É interessante observar que o visitante aceita com naturalidade essa invasão do espaço público, talvez sem nem percebe-la. Possivelmente isso aconteça por se tratar do jazigo da Polícia Militar, mas será que veriam com naturalidade essa invasão se não se tratasse de uma figura importante?&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Uma outra lápide relacionada à classe social é a de José dos Santos Moura: Aqui repousa José dos Santos Moura José Feijão Falecido em maio de 1933. Saudades de sua família e seus patrões&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Ao mencionarem-se os patrões na inscrição tumular, pode-se inferir que houve uma participação direta destes em algum momento da vida desse indivíduo, seja em vida, ou mesmo próximo à morte, como, por exemplo, no pagamento de medicamentos (em caso de doença prolongada), na compra da urna mortuária, ou até mesmo da sepultura. Esta hipótese toma força no momento em que se percebe que a sepultura está localizada na mesma área em que estão enterrados indivíduos de classe social mais elevada e de notória importância social, como é o caso do Coronel Fontoura e do Desembargador Manuel Buarque, falecido em 1943.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;De certa forma há um desejo de tornar perene alguma boa ação feita pelos patrões citados, ainda que esta não possa ser mencionada. Caso não existisse o interesse de autopromoção, o discurso seria outro e os patrões estariam incluídos entre os amigos do falecido, posição essa que não os destacaria na perspectiva de quem lesse o epitáfio de José Moura. Interessante é perceber que mesmo estando em uma área privilegiada e, de certa forma, possivelmente localizada ali por influência dos patrões, o maior símbolo cristão não é feito em mármore ou em algum tipo de material que denuncia uma posição privilegiada, mas de madeira simples, como mostra a foto (figura 03). A cruz é mantida como representação cristã ou como alegoria típica, simbólica, do “espaço dos mortos”. Figura 03 – Túmulo de José Moura no Cemitério Sta, Izabel, Belém, Pará.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Com relação à faixa etária, verificou-se o uso de diminutivos afetivos em lápides de crianças falecidas em tenra idade, além de outros indicadores da juventude. É o caso da sepultura de Brígida Soares: Aqui jaz [sic] os restos mortais de Brígida Pereira Marques 06–5–1896 + 3–5 –1907Saudades de seus entes queridosFostes a Terra apenas uma ilusãoE eras do alto uma grande luzLá do alto brilharás entre as estrelasInocente penhor do nosso amorPartistes chamando por JesusE deixastes teus pais em grande dor Neste caso a palavra ilusão se refere à breve passagem da criança na Terra e o adjetivo (inocente) indica a pureza própria da infância. Nessa categoria também se insere a sepultura de Keila Cristina:&lt;br /&gt;Keila CristinaNossa Princesinha amada. Iluminaste nossas vidas por 15 anos e continuarás sendo o sol de nossa existência. Teus pais, irmãos e familiares&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Aqui o adjetivo (princesa) seguido do diminutivo remete à idéia tanto da importância da jovem para seus familiares, quanto da pouca idade que possuía ao falecer. A referência à juventude é feita com a explicitação da idade da falecida (15 anos). Vê-se, portanto, que a lápide é construída de acordo com a pessoa a quem se refere.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;2.4. O EPITÁFIO SEGUNDO A INTERNET: DE PESQUISAS SÉRIAS À TIRADAS DE HUMOR&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Segundo o site Wikiquote – a enciclopédia de citações livres – a palavra epitáfios tem origem no grego e é formado pelo prefixo EPI, que significa posição superior e TAFOS, radical que significa túmulo. O termo formado então é “sobre o túmulo”, local onde são posicionadas as inscrições tumulares.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Já segundo o Yahoo! Resposta, na sua origem, o epitáfio era uma inscrição que narrava os maiores feitos dos grandes heróis e/ou cavaleiros, nobres e reis. Esse gênero posteriormente se popularizou, passando a ser utilizado para exaltar as qualidades de qualquer pessoa ou os sentimentos de pessoas próximas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;No site Folclore Verbal, as escritas tumulares são consideradas um grande livro. Livro esse constituído de alfabeto e escrita próprios, nascido e registrado pela espontaneidade de linguagem rica e viva no plano de comunicação humana. O estado de espírito e a sabedoria que revelam são considerados surpreendentes aos espectadores. Neste site os exemplos de lápides fazem parte de uma pesquisa feita no Cemitério Municipal de São João Batista de Olímpia, em São Paulo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Além das pesquisas sérias, que dão conta da origem e da utilidade do epitáfio, também existem sites que se dedicam a brincar com este gênero, parodiando inscrições tumulares já existentes, criando outras conforme o estereótipo ou incentivando o auto-epitáfio, sempre, é claro, com altas doses de humor. É o caso do site Fala Sério, em que os internautas enviam os epitáfios criados, dentro da regra dos estereótipos, como os exemplos a seguir:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Do espírita: Volto logo!Do bailarino: DanceiDo piadista: e agora, vão rir de quê?Do hipocondríaco: Não falei que estava doente?&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Em um dos maiores sites de relacionamentos, o ORKUT, o assunto é debatido em diversas Comunidades, muitas com o mesmo nome: Epitáfios. Entre outros assuntos, há tópicos que incentivam a criação da própria inscrição tumular. Nessas comunidades, há tanto os epitáfios bem humorados, quanto os tristes e sombrios, o que revela a visão de cada membro da comunidade em relação ao fenômeno natural da morte.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;3. IDEOLOGIA: UM INSTRUMENTO DE PODER 3.2. IDEOLOGIA: UM CONCEITO (MULTI) DEFINIDOR&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Inúmeros são os estudos e as teorias que propõem um conceito atual de ideologia. Este termo recebeu várias definições e uma delas é formada a partir da sua raiz significativa, isto é, com radical “logia” significando a ciência ou estudo de algum fenômeno e “ideo” a idéia. Tinha-se então que o conceito de ideologia era o estudo investigativo ou cientifico das idéias humanas, mas o termo também já significou crenças ilusórias, abstratas e crenças sistematizadas, concretas, estabelecidas em prol da legitimação do poder dominante.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;É necessário ter em mente que a ideologia não deve ser concebida como uma ilusão, algo distante da realidade, ao contrário, longe de ser um elemento abstrato, meramente contemplativo, ela, por si só é capaz de mover, organizar e legitimar os interesses de um grupo ou de uma classe a qual está ligada. Logo, a ideologia é definida como um conjunto de idéias organizadas e acatadas por um determinado grupo, o qual por meio de signos ideológicos faz valer seus interesses e objetivos, geralmente, direcionados para a detenção do poder e dominação das demais classes. Neste sentido,&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;A ideologia não é uma ilusão infundada, mas uma sólida realidade, uma força material ativa que deve ter, pelo menos, suficiente conteúdo cognitivo para ajudar a organizar a vida prática dos seres humanos. (Borges e Vieira. 1997, p. 36) É importante ressaltar que a ideologia é real o bastante para construir e solidificar as bases sobre as quais os indivíduos moldam suas identidades, seus pontos de vista, suas práticas, atitudes e ações sociais. Se a ideologia mostrasse ao seu fiel defensor um caráter frágil, o qual não fosse digno de confiança, rapidamente seria substituída por uma outra mais consistente, crível. Desta forma,&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Qualquer ideologia dominante que falhasse por completo em harmonizar-se com a experiência vivenciada por seus sujeitos seria extremamente vulnerável, e seus representantes bem em trocá-la por outra. (Borges e Vieira. 1997, p. 27)&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Para Marx, a ideologia (Nagai, 2004. p. 108) estava associada a poder político, luta de classe e apresentava-se como uma ferramenta de dominação da classe dominante. Já para a filosofia socialista, ideologia se definia como um conjunto de crenças, embasadas em um ideal de sociedade igualitária, a qual se distanciaria da exploração da classe operária, que ocupava suas vidas em uma labuta infrutífera e incessante. Para o capitalismo, o termo está associado ao livre mercado, ao lucro, à prosperidade, à inovação. Eis o caráter individualista e individualizante de tal sistema e de toda a sua pregação ideológica, a qual camufla a verdadeira busca, o real objetivo, que é beneficiar os detentores do capital.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Ao referir-se ao termo ideologia, Bakhtin (1992) amplia sua definição em relação à definição marxista, a qual percebe este conceito como instrumento de dominação, do qual a classe dominante, hegemônica, beneficia-se. Segundo a teoria marxista, somente a classe dominante é formadora e propagadora da ideologia, que se materializa por meio da linguagem e é utilizada como reguladora, manipulando as demais classes. Neste sentido, a linguagem é definida por Bakhtin (1992) como fenômeno ideológico por excelência, o qual apresenta sua face ludibriadora, enganosa, deformadora, uma vez que camufla verdades.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Já Bakhtin (apud Miotelo, 2004, p 69) enfatiza que não é somente a classe dominante que produz ideologia, mas todos os grupos sociais e as ideologias produzidas são refletidas e materializadas nos enunciados concretos por meio dos quais os sujeitos sociais de todas as classes travam suas lutas, para impor seus interesses. Nesta acepção, o signo ideológico apresenta-se como instrumento de luta, de embate, de confronto ideológico, o qual garante ao signo seu caráter flexível, móvel, vivo. Sobre esta questão, Bakhtin (1992. p. 46) posiciona-se a respeito:&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Na verdade, é este entrecruzamento dos índices de valor que torna o signo vivo e móvel, capaz de evoluir. O signo, se subtraído às tensões da luta social, se posto à margem da luta de classes, irá debilitar-se degenerará em alegoria, tornar-se-á objeto de estudo dos filólogos e não será mais um instrumento racional vivo para a sociedade.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Assim, a ideologia deve ser vista como algo pertencente ao domínio social, carregado de história, dos valores dos diversos grupos sociais, dos sujeitos reais, que são os interlocutores das conversas sociais corriqueiras, cotidianas, as quais se organizam se materializam e se estabilizam. Desta forma, As palavras sígnicas serão as portadoras dos sonhos e das frustações de cada grupo social organizado, constituirão a “memória do passado” e a “memória do futuro”, o relato mais fiel da vivencia e do modo de vida de cada grupo organizado. (Miotelo, 2004, p.70)&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;3.3. A IDEOLOGIA OFICIAL E A DO COTIDIANO: UMA RELAÇÃO DIALÓGICA &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Existem dois tipos de ideologia: A oficial (e, por conseguinte, a dominante), que busca estabelecer como verdade a concepção de mundo que interessa a seus propósitos e a ideologia do cotidiano, que é constituída a partir das relações cotidianas, nas condições de produção e reprodução da vida, defendendo concepções contra-hegemônicas. Ao passo que esta é considerada relativamente instável por ser “acontecimento”, a outra é estável, uma vez que é considerada como conteúdo ou estrutura.A ideologia oficial se auto afirma a partir das / nas superestruturas, como a educação, a mídia, as leis, as ciências, enquanto que a ideologia do cotidiano aparece pura e simplesmente no momento da interação social e se constitui, segundo Bakhtin (1997), no predomínio da palavra que provém dos sujeitos a partir do interior bem como, do exterior, acompanhado de atos, gestos, emoções e sentidos que provém da consciência. Desse modo, a ideologia do cotidiano é determinada pelas forças sociais.Deve-se ter em mente que a ideologia oficial e a do cotidiano não são categorias imóveis, cristalizadas, mas que estão em constante processo de deslocamento e interação. Assim, de acordo com Nagai (2004, p.113) a ideologia do cotidiano tende muitas vezes a se tornar oficial, poisnos espaços onde está presente a ideologia hegemônica está também a ideologia do cotidiano e vice-versa. Uma necessita da outra e sempre em relações dialéticas e dialógicas, ou seja, uma convive com a outra da mesma forma que uma transforma a outra. Em qualquer lugar que está presente um livro e um sujeito o lê, há uma resposta que corresponde inicial e necessariamente à ideologia do cotidiano, desde um pensamento, um comentário com um amigo, uma discussão, uma resposta na prova, um questionamento, um interesse ou desinteresse; e depois, a resposta cotidiana, pode ou não superestruturar-se em uma resenha, um trabalho acadêmico, uma tese de mestrado, em uma crítica literária publicada em um jornal etc.Por esse caráter de mobilidade, deve-se ter em vista a relação dialética e dialógica que entrelaça a ideologia do cotidiano à ideologia oficial, visto que uma não existe e não sobrevive sem a outra, já que, ao mesmo tempo em que se complementam, elas se confrontam em “uma arena de luta” na qual uma busca superar a outra, sem, contudo, exterminar a rival, porque dela necessita.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Um ponto a ser considerado é a questão de se postular a ideologia como “falsa consciência”, pois consoante Fiorin (2000, p. 29),&lt;br /&gt;se há inversão da realidade, a ideologia está contida no objeto, no social, não podendo, portanto, ser reduzida à consciência. Ela existe independentemente da consciência dos agentes sociais. É uma forma fenomênica da realidade, que oculta as relações mais profundas e expressa-as de um modo invertido. A inversão da realidade é ideologia. Por isso, é preciso muito cuidado ao usar a expressão “falsa consciência.” Ela indica apenas que as idéias dominantes são elaboradas a partir de formas fenomênicas da realidade, não apreendendo, portanto, as relações sociais mais profundas. Essas idéias são, por conseguinte, ideologia sobre ideologia. A representação pode ser invertida, porque a realidade se põe invertida.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Verifica-se, dessa forma, que o conceito de ideologia é muito mais profundo em relação à própria epistemologia; por outro lado, dizer que a ideologia dominante se sobrepõe aos demais por meio dessa “falsa consciência” é o mesmo que dizer que o outro não se manifesta. Verifica-se que há um processo de interação e que nenhum dos sujeitos estão mergulhados em uma “névoa” de “falsa consciência”, visto que os sujeitos da enunciação concreta travam batalhas sociais e políticas no seio dos signos, significados e representações. Sendo assim, não há uma “falsa consciência”, pois se há uma subjugação ou aceitação à determinadas ideologias, é porque elas em parte conseguiram ser eficazes, ou seja, houve um trabalho processual acerca do Outro, do cotidiano, daquilo que o outro experiencia e processa de forma social. Há um confronto, um deslocamento das duas partes naquilo que se concebe como realidade social.Assim, quando a ideologia se propaga como dominante, desejando manter o seu poder, ela ativa e põe em prática pontos e contrapontos, levando em consideração sempre as necessidades e os desejos do Outro, ou seja, aquele a quem ela deseja atingir. Eagleton (1997, p. 26), assim, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;afirma que as ideologias dominantes podem moldar ativamente as necessidades e desejos que as pessoas já tem, captar esperanças e carências genuínas, reinflecti-las em seu idioma próprio e específico e retorná-las aos seus sujeitos de modo a converterem-se em ideologias plausíveis e atraentes. Devem ser “reais” o bastante para propiciar a base na qual os indivíduos possam moldar uma identidade coerente, devem fornecer motivações sólidas para a ação efetiva, e devem empenhar-se, o mínimo que seja, para explicar suas contradições e incoerências mais flagrantes. Em resumo, para terem êxito, as ideologias devem ser mais do que ilusões impostas e, a despeito de todas as suas inconsistências, devem comunicar a seus sujeitos uma versão da realidade social que seja real e reconhecível o bastante para não ser peremptoriamente rejeitada.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Logo, há uma interação entre aqueles que dominam e aqueles que se deixam dominar, portanto, uma ideologia oficial é dialógica por natureza, visto que, mesmo num discurso autoritário, voltado para o Outro, aquele só sobrevive mediante à resposta deste, à alguma forma de concordância, mesmo que seja o silêncio.&lt;br /&gt;Tomando como ponto de partida a ideologia em seu sentido mais amplo, Althusser (1969) diz que se constitui a partir das práticas significativas que são peculiares aos seres humanos, enquanto sujeitos sociais que se vinculam a partir das/nas relações de produção dominantes. Dir-se-ia que, como termo, abrange todas as diversas modalidades sociopolíticas, desde a forma de identificação com o poder dominante, até a atitude de oposição a ele. Eagleton (1991, p.30) confirma que&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;a ideologia não é um mero conjunto de doutrinas abstratas, mas a matéria da qual cada um de nós é feito, o elemento que constitui nossa própria identidade; por outro, apresenta como (...) uma espécie de verdade anônima universal.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Portanto, a ideologia em outras palavras constitui-se a partir do / no processo concreto de produção de idéias, crenças e valores na vida social, compartilhadas entre o locutor, o interlocutor e a comunidade específica a qual pertencem.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;4. QUANDO AS INTENÇÕES VÃO ALÉM DA SAUDADE: AS DIVERSAS FORMAS DE PUBLICIDADE PÓSTUMA&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;4.1. OS GUARDIÕES DA TRADIÇÃO: O NOME DE FAMÍLIA E A ORDEM DAS DATAS DE FALECIMENTOA família representa um grupo social primário que influencia e é influenciado por outras pessoas e instituições. É um grupo de pessoas, ou um número de grupos domésticos ligados por descendência (demonstrada ou estipulada) a partir de um ancestral comum, matrimônio ou adoção, na qual em seu interior existe sempre algum grau de parentesco. Seus membros costumam compartilhar do mesmo sobrenome, herdado dos ascendentes diretos. A família é unida por múltiplos laços capazes de manter os membros moralmente, materialmente e reciprocamente interligados, associados, durante uma vida e durante gerações.Pode-se, então, definir família como um conjunto invisível de exigências funcionais que organiza a interação dos seus membros, considerando-a, igualmente, como um sistema que opera através de padrões transacionais. Assim, no interior da família, os indivíduos podem constituir subsistemas, podendo esses serem formados pelos critérios: geração, sexo, interesse e/ ou função, havendo diferentes níveis de poder, sendo que os comportamentos de um membro afetam e influenciam os demais. Como unidade social, a família enfrenta uma série de tarefas de desenvolvimento, diferindo quanto aos parâmetros culturais, mas possuindo as mesmas raízes universais (MINUCHIN,1990)Sendo assim, pode-se perceber que a família é um elemento importante para a sociedade, seja em que época for, embora essa importância ganhe representações diferenciadas no decorrer do tempo, de acordo com cada processo histórico em particular. O nome de família é algo que deve ser perpetuado, principalmente para o homem, que é quem verdadeiramente passa o nome da família para a posteridade, já que as mulheres, por lei, devem-se submeter ao grupo familiar do marido, passando a adotar seu nome. Pesquisou-se então de que forma os epitáfios passam ao público visitante a visão sobre as características, idéias e intenções do grupo familiar que “apresenta”. Dos jazigos pesquisados verificou-se que há três maneiras de caracterizar o grupo familiar. Há sepulturas que não identificam os entes ali sepultados, contendo apenas o sobrenome, como a família Jesus Ferreira:&lt;br /&gt;Esta é a páscoa derradeira que sirva a reflexão dos mistérios da vida vou para a luz e vos deixo a conformação&lt;br /&gt;Jazigo da família Jesus Ferreira&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Interessante é perceber a existência (ou não) de uma incoerência contida na inscrição, assinalada pelo verbo na primeira pessoa do singular (“vou”), fato que entra em contradição com a idéia de coletividade que permeia o jazigo, o que invariavelmente causa a dúvida: quem escreveu a inscrição? Em que momento? Para quem? Com que intenção?&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Mas essa aparente incoerência pode ser contornada se o nome da família for considerado em primeiro plano. A inscrição traz em seu interior uma forte representação dos ideários cristãos, que pode até mesmo fazer referências às palavras de Jesus. Nesse caso, a inscrição traz a palavra do Senhor, fortificada pela coincidência com o nome do grupo familiar.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Há casos em que os jazigos identificam as pessoas sepultadas até o momento, como é o caso da família Távora Buarque:&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Desembargador Manuel Buarque + 1943Amália Távora Buarque + 1968Myrian Távora Buarque + 1985Aurélio Távora Buarque + 1993&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Que viveram na comunhão de amor o mistério da fé aguardam na alegria de deus a esperança da ressurreição&lt;br /&gt;Há até mesmo o objetivo de mostrar a união e o amor existentes entre aqueles que lá descansam o sono eterno, como é mostrado na inscrição acima na qual o pronome relativo que exerce a função de fazer referência aos membros da família anteriormente citados. E há casos em que além de conter o nome da família, ainda há a identificação de todos os falecidos contidos na sepultura. É uma forma de dar ao visitante maior visibilidade acerca da importância da família e de seus membros, como é o caso da família Andrade Dias.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Jazigo da Família Andrade DiasDra. Cíntia do Socorro Andrade Dias(Neuro Cirurgiã)9-05-1975 + 17-03-2005Saudades eternas de seus pais, irmãos, avós e tiosMaria Stela Bentes Dias(Sinhá) 24-1-1917 + 16-11-2005&lt;br /&gt;Com relação à ordem das datas de falecimento, verificou-se que elas, em sua grande maioria, estão dispostas de forma a privilegiar o ente que faleceu primeiro. Acredita-se que essa disposição seja para pôr em evidência os patriarcas da família, já que geralmente são eles que morrem primeiro. É, portanto, mais uma tentativa de preservar a tradição que permeia os grupos familiares, cujos ascendentes possuem grande importância e influência para os demais parentes. Contudo, encontraram-se duas sepulturas que fogem a essa regra: a sepultura da família Andrade Dias (acima), cuja filha precedeu a mãe, por isso se encontra no topo da lápide e a da família Bemerguy:&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Raimunda Nonata Bemerguy09-08-1923 +14-10-2008Aqui jaz os restos mortais do ex-combatenteE.E. D. Carleto Bemerguy22-2-21 +11-4-76Saudade de sua esposa, filhos, tias, irmãos, sobrinhos, cunhados e amigos&lt;br /&gt;Embora no caso da família Bemerguy haja uma possível explicação para esse fato. Ocorre que a sepultura possui não uma, mas duas lápides, cada uma relacionada aos entes enterrados. Logo, pode-se formular a hipótese de que Carleto ficou por último devido ao pequeno espaço que a sepultura comporta. Nesse caso, Raimunda Bemerguy ficou em destaque apenas por um descuido no posicionamento das lápides. Isso pode ser visto na foto a seguir:&lt;br /&gt;Figura 04 – Túmulo de Raimunda Nonata no Cemitério Sta, Izabel, Belém, Pará.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;4.2. A RESISTÊNCIA AO ABANDONO DO QUE SE FOI EM VIDA: CARGOS, TÍTULOS E PROFISSÕES&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Existe um preceito cristão que diz que da vida nada se leva, o que significa dizer que os bens materiais, como dinheiro, jóias, imóveis etc. ficam a serviço dos herdeiros legitimamente declarados em testamento, sobrando para o falecido apenas a última morada, além das orações dos amigos e as boas ações que porventura tenha feito em sua curta passagem pela Terra. Ou pelo menos deveria ser assim, porque em realidade não é o que acontece. O que se vê nesse e nos demais cemitérios de Belém é um verdadeiro mostruário de cargos, títulos e profissões dos falecidos, o que caracteriza uma ânsia de preservar todo o prestígio que se conquistou em vida, evitando que tudo isso se apague com o advento da morte e seja tomado como algo sem importância, esquecido pelo tempo.&lt;br /&gt;É o que ocorre, por exemplo, com a já mencionada família Távora Buarque: Desembargador Manuel Buarque + 1943Amália Távora Buarque + 1968Myrian Távora Buarque + 1985Aurélio Távora Buarque + 1993Que viveram na comunhão de amor o mistério da fé aguardam na alegria de deus a esperança da ressurreição.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Nesse caso, o nome do patriarca aparece, na lápide, precedido pela profissão que exercera em vida: desembargador. Isso não quer dizer que os demais falecidos não tenham exercido algum tipo de profissão. Talvez tenha se optado por discriminar apenas a ocupação do patriarca como forma de destacá-lo ainda mais dos outros, já que ele já se encontra no topo, por isso, mais facilmente (e por que não dizer, o único) visualizado pelos passantes. Ou então porque as profissões dos demais falecidos não tenham se equiparado ao status do cargo do patriarca e por isso, desdenhadas no momento de se produzir o discurso da lápide da família.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Há uma verdadeira variedade de profissões estampadas no cemitério Santa Izabel. Médicos, professores, juízes, engenheiros, militares “marcam um espaço ideológico”, hegemônico, onde se evidencia a face do lado privilegiado do cemitério (aquele que comporta as alamedas São Judas Tadeu e Santa Rita, ou seja, somente a entrada, já que todo o resto do cemitério é extremamente perigoso, devido a assaltos constantes). Em toda a pesquisa não se verificou outras profissões que não aquelas que possuem um certo status – ou que possuiu em uma outra época, como é o caso da categoria dos professores.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Uma outra lápide relacionada a profissões é a da família Macêdo Alves, que possui em seu jazigo um ente que não pertence à família, o engenheiro Clemir Monteiro: &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Jazigo da família Macedo AlvesAlzira de Azevedo Macêdo29-07-1948Cândido Dário de Macedo11-06-1955Leopoldo Eduardo de Lima Alves27-03-1909 + 05-07-1978Osmarina Macêdo Alves20-03-1908 + 21-07-1987Saudades de seus filhos, genros, noras, netos e bisnetosEngº Clemir de N. Monteiro03-09-1935 + 06-02-1995Saudades de sua esposa, filhas, genros e netosKarina Alves de Andrade31-05-80 + 19-01-07 Por fontes confiáveis acredita-se que a presença de Clemir na sepultura da família daquela que foi a sua esposa seja somente em virtude de possuir uma profissão que põe em destaque o jazigo da família, já que o engenheiro era separado há muitos anos de sua esposa. Essa hipótese toma corpo quando se observa que os demais membros da família não são precedidos da profissão. Diferente da família Távora Buarque, em que a profissão dos demais falecidos não foi discriminada para não competir com a importância do patriarca, no jazigo da família Macedo Alves é como se fosse uma obrigação pôr a profissão de entes estranhos àquela sepultura como uma maneira de explicar o porquê de sua presença ali. Percebe-se claramente a intenção não de promover o engenheiro ali sepultado, mas sim o nome da família, que possui alguém (não necessariamente um ente) que exerceu em vida uma profissão valorizada na sociedade. Mais interessante ainda é analisar a sepultura da família Andrade Dias (já analisada anteriormente), que possui dois membros familiares enterrados, provavelmente mãe e filha:&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Jazigo da família Andrade DiasDra. Cíntia do Socorro Andrade Dias(Neuro Cirurgiã) 9-05-1975 + 17-03-2005Saudades eternas de seus pais, irmãos, avós e tiosMaria Stela Bentes Dias(Sinhá) 24-1-1917 + 16-11-2005&lt;br /&gt;Figura 05 – Jazigo da família Andrade Dias no Cemitério Sta. Isabel, Belém, Pará&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Nesta, além de vir o “Dra.” de Cíntia Socorro, ainda traz mais abaixo a discriminação de sua especialização médica: neurocirurgiã. Na imagem acima percebe-se a foto de Cíntia, ainda em vestes de formatura, o que pode significar que tenha morrido antes de ter concluído a especialização, caso contrário, estaria em vestes de médico. Essa hipótese se confirmou a partir de uma consulta feita à internet em que seu trabalho de conclusão de curso data de 1998, sete anos antes de seu prematuro falecimento. Diferentemente de Cíntia, Maria Stela Bentes não possui nenhuma titulação ou profissão discriminada na lápide, contudo, abaixo de seu nome, da mesma forma que no de Cíntia, há um parêntese, contendo algo relacionado a sua pessoa. No caso, é a palavra “sinhá”. A julgar pela data de nascimento, Maria pertenceu à época das grandes famílias, na qual os membros considerados importantes eram chamados pela alcunha de sinhá e sinhô. A falta de profissão em seu nome se deve ao fato de que naquela época não era permitido às mulheres estudar ou trabalhar, cabendo a tarefa de subsistência ao homem, dito “chefe” da família. Contudo, apesar de épocas e valores diferentes, tanto Cintia quanto Maria são tidas como pessoas importantes, de classe, e por isso cuidadosamente homenageadas no jazigo.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;No cemitério Santa Izabel, há uma outra pessoa que também possui a profissão estampada no epitáfio. Trata-se de Camillo Porto de Oliveira, cuja profissão (médico) é exposta em uma pequena placa ao lado de sua sepultura. A foto que dele aparece mostra um senhor, já de certa idade, em roupas mais formais, relacionadas à sua área acadêmica, o que evidencia que a hipótese acerca de Cíntia parece ser acertada: não se usa vestes de formatura quando já se galgou alguns anos na profissão. Abaixo a foto da inscrição de Camillo:&lt;br /&gt;Figura 06 – Inscrição tumular de Camillo Porto de Oliveira no cemitério Sta. Isabel, Belém, Pará&lt;br /&gt;Um outro médico também foi encontrado, coincidentemente próximo à Cíntia Dias e a Camillo Oliveira. Trata-se de Homero Alves Dias, que faleceu em 1928, sem concluir o seu doutorado. Da mesma forma que a neurocirurgiã Cíntia, Homero também é mostrado em vestes de formatura, como expõe a foto a seguir:&lt;br /&gt;Figura 07 – Túmulo de Homero Alves Dias no Cemitério Sta, Izabel, Belém, Pará. Além de também possuir seu título estampado na lápide: Figura 08 – Inscrição no túmulo de Homero Dias no Cemitério Sta, Izabel, Belém, Pará.&lt;br /&gt;Como se pode ver, o ser humano ainda não se encontra preparado para abdicar de tudo aquilo que conquistou em vida e no qual deposita imenso valor, até mesmo (ou mais ainda) com o advento da morte. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;4.3 O CEMITÉRIO &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;COMO DISSEMINADOR DAS DIFERENÇAS SOCIAIS: O CASO DE DIOCLÉCIO CORRÊA, MARIA SALVINA E IZA&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;O visitante que entra no cemitério Santa Izabel logo tem sua atenção capturada por um imenso jazigo. Situado na Alameda São Judas Tadeu, Dioclécio Corrêa chama a atenção por dois fatos: pela imensidão desnecessária de sua sepultura (já que ela é individual) e por não possuir nenhuma identificação além do próprio nome. Trata-se de um caso raro de anonimato opcional, já que não está relacionado a uma classe social mais inferior. No caso de Dioclécio pode-se aventar a hipótese de que sua popularidade era tão grande que não se achou necessário inserir nenhuma informação além de seu nome. Pelo menos é o que a grandeza da sepultura mostra:&lt;br /&gt;Figura 09 – Inscrição no túmulo de Dioclécio Côrrea no Cemitério Sta, Izabel, Belém, Pará.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Em uma outra área do Santa Izabel encontrou-se uma sepultura em situação parecida a de Dioclécio Corrêa, embora pertença a uma classe social adversa. Trata-se de Iza, que à maneira de Dioclécio, também não possui outra informação além de seu nome. Contudo, no caso de Iza, acredita-se que o anonimato seja devido à sua classe social desprivilegiada, já que a estrutura física da sepultura não a deixa equiparar-se à situação de Dioclécio, como mostra a foto. Figura 10 – Túmulo de Iza no Cemitério Sta, Izabel, Belém, Pará.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Cabe acrescentar que o “local tumular” da sepultura de Iza é coberto por capim, em vez de mármore e granito, ou mesmo de flores, como muito se utiliza nas demais sepulturas, além do que, a área em que se localiza esta sepultura seja considerada perigosa e propícia a assaltos, como alertam os zeladores do cemitério a todos os visitantes. Outro aspecto que chamou a atenção foi o fato de próximo à sepultura de Iza encontrarem-se os chamados gavetões – sepulturas localizadas umas ao lado das outras, formando uma espécie de estante. Em um destes gavetões, encontra-se uma sepultura de aspecto descuidado, aparentando total abandono. Talvez não chamasse tanto a atenção do visitante que se arrisca a adentrar área tão perigosa do cemitério (dado o seu isolamento e a violência que encontra “terreno fértil” nessa localidade) se a inscrição não fosse feita em cima do cimento, mais provavelmente com um graveto, como mostra a imagem a seguir:&lt;br /&gt;Figura 11 – Inscrição no túmulo de Maria Salvina Soares Gomes no Cemitério Sta, Izabel, Belém, Pará.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;O que aproxima a sepultura de Maria Salvina, próxima à de Iza, em termos de “espaço social” é o fato de que ambas, além de serem localizadas em uma área denominada perigosa (os fundos do cemitério), ainda reúnem em sua própria estrutura elementos que as classificam como sendo ambas de uma condição social inferior à de Dioclécio Correa, por exemplo.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Afinal, o “mundo dos mortos” se parece muito com o “mundo dos vivos”, provavelmente porque fora formado, construído e estabelecido pelos vivos. Em questão de identificação da estrutura estética, dos envoltórios do túmulo, das inscrições dos epitáfios, com a estrutura de poder reconhecida no meio capitalista ocidental, as “casas dos mortos pobres” bem se parecem com os barracos das favelas paraenses; assim como as “casas dos mortos ricos” equiparam-se aos casarões dos condomínios fechados ou às construções das Instituições Administrativas da cidade.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;O que os parentes vivos fazem em relação aos seus mortos nada mais é, portanto, do que associá-lo a um espaço e a um status privilegiado economicamente, socialmente, politicamente, dependendo de cada caso. Associando o falecido, com nome e sobrenome explícitos na lápide, ao status desejado, também realizam a inter-relação de si próprios com o status a ele atribuído.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Coroar o morto significa, dadas as exemplificações coletadas, coroar os vivos, a família, portanto, não é bem o culto ao morto que é realizado, em uma tentativa de vivificá-lo, como se ainda fosse viver naquele “mundo de granito preto”, caro e sofisticado.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;5. CONSIDERAÇÕES FINAIS&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Este trabalho estudou os aspectos relacionados às lapides do cemitério Santa Izabel. Localizado na Avenida José Bonifácio, no bairro do Guamá, o Santa Izabel é o terceiro cemitério mais antigo de Belém. Sua fundação data de 1890, o que o faz sucessor do cemitério de Nossa Senhora da Soledade (1850) e o da Campina (1756). O cemitério Santa Izabel também é muito conhecido por abrigar dezenas de santos populares, dentre eles, Severa Romana (o mártir da fidelidade), o médico Camilo Salgado e Josephina Conte, mais conhecida como “a moça do táxi”.&lt;br /&gt;Neste cemitério realizou-se primeiramente uma pesquisa exploratória, com anotações das inscrições relacionadas à idade, sexo, cargos, profissões e títulos. O objetivo era verificar se havia discursos diferenciados para cada categoria, o que se comprovou em parte. Com relação à idade, comprovou-se a idéia da característica da afetividade, sobretudo com o uso de diminutivos para expressar a idéia de carinho e ao mesmo tempo fazer alusão à pouca idade do ente falecido. Contudo, em relação ao sexo, não se verificou diferenças, ou seja, os discursos são praticamente os mesmos para falecidos homens e mulheres.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Com o abandono das categorias de afetividade e de sexo, a pesquisa foi englobando outras categorias, como nomes de família e a ordem de colocação das datas de falecimento em jazigos. Ao lado dessas novas linhas de investigação, a categoria profissional se manteve, constituindo um elemento importante para o desfecho do trabalho, agora relacionado à tradição e a disputas de poder.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Grande parte deste trabalho se deve à documentação fotográfica, que se constituiu um recurso indispensável para o registro dos discursos, sobretudo no momento da comparação entre as estruturas físicas das sepulturas. Vale ressaltar que as categorias aqui eleitas (sobrenome, ordem das datas de falecimento e profissões) não serão analisadas separadamente – o que constituiria uma abstração – mas sim em conjunto, com uma categoria justificando o uso da outra pelo fato de possuírem semelhantes intenções.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Este trabalho, também contou com contribuições referentes aos gêneros textuais e a aspectos ideológicos, a fim de que fosse realizado um amplo estudo relacionado aos aspectos gerais da inscrição tumular, além da tradição e da disputa de poder que permeiam esse singular gênero.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Com relação às categorias de análise (ordem de falecimento, nome e família e profissões), verificou-se que as duas primeiras são utilizadas com o fim de manter a tradição e o nome da família, destacando-se sempre os genitores (a origem da família), geralmente os que falecem primeiro, embora ocorram casos em que o rebento venha a morrer antes de quem lhe deu a vida.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;No caso das sepulturas com discriminação de profissões, cargos ou títulos, verificou-se o desejo de cristalizar naquele ambiente todo o prestígio que se conquistou em vida, algo de que nem o falecido, em tese, nem a sua família, desejam abdicar, o que bem representa o discurso liberalista, individualista, muito “bem casado” com palavras de amor, fé e, principalmente, saudade.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Esta pesquisa sobre epitáfios revelou, portanto, que os “vivos” marcam o espaço político, econômico e social de “seus mortos” por meio dos discursos explícitos ou implícitos nos textos. Muitas vezes, provavelmente movidos por ações intuitivas, os parentes apresentam o “eco de vozes sociais” que atribuem, por sua vez, valores a determinadas nominalizações e ações utilizadas no momento contínuo, flexível e histórico da língua. É interessante notar, na estética da construção dos túmulos e nos discursos que neles se assentam, como até após a morte ao ser humano é atribuído um valor, ou ainda, um preço. A própria morte faz inflacionar o custo dos &lt;span style="color:#ffffff;"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;homens.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS&lt;br /&gt;ALTHUSSER, Louis. Lenin and Philosophy. London: New Left Books 1971.&lt;br /&gt;_________. For Marx. London: New Left Books, 1969.&lt;br /&gt;BAKHTIN, M.(VOLOCHINOV) Marxismo e filosofia da linguagem. São Paulo: Editora Hucitec, 1997a.&lt;br /&gt;_________. Estética da Criação verbal. São Paulo: Martins Fontes, 1997b.&lt;br /&gt;_________. Marxismo e filosofia da linguagem: Problemas fundamentais do método sociológico na ciência da linguagem. Traduçao Michel lahud e yaha frateschi Vieira. 6 ed. São Paulo: Hucitec, 1992.&lt;br /&gt;BRAIT, B. &amp;amp; MELO, R. de. Enunciado/ enunciado concreto e enunciação. In: _______ BRAIT, Beth (Org.). Bakhtin: conceitos-chave. São Paulo: contexto, 2005, p. 62-77.&lt;br /&gt;EAGLETON, Terry; Ideologia: Uma introdução. Trad. Luís Carlos Borges e Silvana Vieira. São Paulo: Boitempo/EDUnesp, 1997.&lt;br /&gt;FIORIN, José Luiz. Linguagem e ideologia. São Paulo: Ática, 2000. FLORES, V. N.; TEIXEIRA, M. Introdução à lingüística da Enunciação. São Paulo: Contexto, 2005.&lt;br /&gt;MARCUSCHI, Luiz Antonio. Gêneros textuais: definição e funcionamento. In: PAIVA, Angela; MACHADO, Anna; BEZERRA, Maria A.(org) Gêneros textuais e ensino . 4 ed – Rio de Janeiro: Lucena, 2005.&lt;br /&gt;MIOTELLO, V.; NAGAI, E.; COVRE, A. et al. Quimera e a peculiar atividade de formalizar a mistura do nosso café com o revigorante chá de Bakhtin. São Carlos (SP): Grupo de Estudos dos Gêneros do Discurso – GEGE, 2004.&lt;br /&gt;MINUCHIN, Salvador. Famílias: Funcionamento &amp;amp; Tratamento. Porto Alegre: Artes Médicas, 1990. p. 25&lt;br /&gt;MUNIZ, P. H. O estudo da morte e suas representações socioculturais, simbólicas e espaciais. Varia Scientia, v. 06, n. 12, p. 159-169.&lt;br /&gt;NAGAI, Eduardo Eide. São Carlos: Grupo de estudos do Gênero do discurso – GEGE – 2004.&lt;br /&gt;TRAVAGLIA, Luís Carlos. Gramática e interação: Uma proposta para o ensino da gramática no 1º e 2º graus. São Paulo, Cortez, 1996.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2651107604259160564-5227964299131423318?l=conversasbakhtinianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasbakhtinianas.blogspot.com/feeds/5227964299131423318/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2651107604259160564&amp;postID=5227964299131423318&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2651107604259160564/posts/default/5227964299131423318'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2651107604259160564/posts/default/5227964299131423318'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasbakhtinianas.blogspot.com/2009/11/cemiterio-e-epitafios-o-verbal-e-o-nao.html' title='CEMITÉRIO E EPITÁFIOS: O VERBAL E O NÃO-VERBAL IMBRICADOS NAS RELAÇÕES DE PODER APÓS A MORTE'/><author><name>GEGe -  Grupo de Estudos de Gêneros do Discurso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06927853979162145692</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2651107604259160564.post-6896286679934222436</id><published>2009-11-05T10:33:00.000-08:00</published><updated>2009-11-05T10:37:46.051-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='1-O pensamento bakhtiniano na atualidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='1c-Educação e a dialogia na atualidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Márcia Maria Magalhães Borges'/><title type='text'>O que tem a noção de gênero para ser tão convocada no ensino brasileiro?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Márcia Maria Magalhães Borges PG/UFG&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Orientadora: Kátia Menezes de Sousa&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;A noção de gêneros encontra seus contornos traçados desde a antiguidade clássica. Na tradição ocidental, a sua observação sistemática inicia-se em Platão e se firma com Aristóteles, passando por Horácio e Quintiliano, pela Idade Média, o Renascimento e a Modernidade, até os primórdios do século XX. Entretanto, se a noção de gênero estava vinculada à literatura e à retórica, hoje ela tomou novas diretrizes.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;No Brasil, especialmente no campo da lingüística aplicada ao ensino de línguas, a partir de 1995, as teorias de gêneros textual/discursivo têm sido alvo de discussão. Em parte, a mudança de enfoque se deve a dois domínios institucionais em que a noção de gênero tem circulado – o domínio da teorização acadêmico-científica e o domínio da normatização oficial do ensino de língua portuguesa. O primeiro, segundo Gomes-Santos (2004), refere-se ao saber acadêmico produzido no espaço universitário, ou seja, ao conjunto de práticas que ordenam determinados saberes segundo a especificação de aportes teóricos e correntes disciplinares. O segundo relaciona-se ao conjunto de práticas oficiais de regulação do sistema de ensino efetivadas pela instância estatal – especificamente pelo Ministério da Educação e do Desporto do governo federal. De acordo com o autor acima, esses dois dispositivos são considerados lugares de visibilização do conceito de gênero.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Sendo assim, uma explosão de pesquisas a respeito dessa noção eclodiu sob a inscrição de diferentes correntes teórico-metodológicas, tais como as de tendência dos estudos textuais ou análise da conversação e estudos brasileiros de tendência similar como os de Koch (2000), por exemplo. Esses estudos contemplam a análise do funcionamento de um determinado fenômeno da dimensão textual-discursiva da linguagem em diferentes gêneros.&lt;br /&gt;Outra tendência faz remissão a aportes teóricos inscritos nos estudos anglófonos como: os trabalhos de Swales e o do Modelo Tridimensional de Análise Crítica do Discurso, cujo expoente principal é Fairclough. Além disso, há estudos brasileiros de tendência similar como os trabalhos desenvolvidos por Meurer, Motta-Roth e outros. Também são realizadas pesquisas de tendência centradas nos estudos genebrinos que fundam o conceito de gênero, por um lado, nos estudos do Grupo de Genebra, cujos representantes principais são Bronckart, Scheuwly e Dolz. No Brasil, encontramos pesquisas desta linha no programa de estudos de pós-graduação em lingüística aplicada e estudos da linguagem (LAEL) da PUC-SP (GOMES-SANTOS, 2004).&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Além desses estudos realizados acerca dos gêneros, temos os trabalhos agrupados sob a nomeação estudos enunciativo-discursivos de extração francófona e estudos brasileiros de tendência similar. Essa tendência se diferencia das outras três aqui mencionadas, exatamente, porque essa vertente remete tanto a estudos inscritos na escola francesa de Análise do Discurso, cujos autores representativos podemos citar Pêcheux, Authier-Revuz, Maingueneau, como àqueles ligados à história das idéias e mentalidades e à história nova – com Foucault, Chartier, de Certeau. Há também referência a estudos enunciativos como os de Benveniste, Ducrot. Ainda conforme Gomes-Santos (2004), a diversidade de trabalhos agrupados nesse bloco inclui, dentre outras, quatro preocupações: (1) a problematização do conceito de gênero e sua relação com a noção de tipologia textual; (2) a caracterização de práticas discursivas particulares – slogan político, por exemplo; (3) a análise de conceitos-chave da teoria do discurso em gêneros particulares – subjetividade e interdiscursividade; (4) autoria.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Essa orientação teórico-metodológica inclui autores brasileiros como Brait, Brandão, Possenti, Geraldi. Do ponto de vista institucional, destacamos os trabalhos desenvolvidos nessa linha pela UFPB, Unicamp, USP, Unesp (sobretudo de Araraquara-SP).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Há, ainda, outros pertencimentos teórico-metodológicos que consistem em um conjunto diverso de trabalhos que alternam entre uma corrente particular ou se inscrevem em correntes teóricas reconhecidas. Dentre essas correntes, temos Sociolinguística, Pragmática, Psicolinguística, mas essas linhas não têm tomado parte da reflexão sobre gênero tal como ela se configura na conjuntura acadêmico-científica mais recente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;= &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Diante de todas essas tendências aqui delineadas, ficamos nos perguntando: o que tem essa noção de tão importante que atraiu tanto a atenção do ensino brasileiro, sem contar que houve a migração desse conceito das esferas das ciências da linguagem para as propostas, os programas e parâmetros ou referenciais curriculares para a educação básica em língua e linguagem no mundo?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;= &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Parece que trabalhar com essa noção, não é mais uma questão de opção, mas de obrigação. Pensamos dessa forma, porque se os gêneros não são propostos de forma explícita como objeto de ensino nos referenciais brasileiros para o ensino fundamental - PCN de 1º, 2º ciclos (1997); 3º e 4º ciclos (1998) - e dos referenciais genebrinos para a escola primária e secundária, a divisão apresentada nesses documentos por capacidades, competências ou habilidades, que, de maneira geral, abarcam as atividades como escrever, ler, falar e ouvir, apontam para um trabalho centrado na noção de gênero.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Sendo assim, não temos medo de afirmar que o texto intitulado “os gêneros do discurso”, Bakhtin (2000), é o mais lido, citado e conhecido. Essa realidade nos faz ficar curiosos para entender como os gêneros discursivos entraram para o Brasil. O que propiciou a sua inserção e propagação. É certo que nenhuma teoria surge do nada, porque existem sempre enunciados já realizados suscitando outros que ainda estão por vir. Então, o que tem de fato a noção de gênero para ser tão convocada no ensino brasileiro, a ponto de suscitar textos e livros que a contemplem? E como essa noção foi requisita e não outra em seu lugar? Parece mesmo que o conceito de gênero desestabiliza práticas de ensino que priorizam uma abordagem tradicional.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Referências Bibliográficas&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;BAKHTIN, M. Os gêneros do discurso. IN: Bakhtin, M. Estética da Criação Verbal. (Trad. Maria Ermantina Galvão Gomes Pereira). São Paulo: Martins Fontes, 2000.&lt;br /&gt;BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais – Língua Portuguesa – Primeiro e segundo ciclos do ensino fundamental. Brasília: MEC/SEF, 1997.&lt;br /&gt;_______. Parâmetros Curriculares Nacionais – Língua Portuguesa – terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental. Brasília: MEC/SEF, 1998.&lt;br /&gt;GOMES-SANTOS, S. A questão do gênero no Brasil: Teorização acadêmico- científica e normatização oficial. Tese de doutorado. Campinas: IEL/UNICAMP, 2004&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2651107604259160564-6896286679934222436?l=conversasbakhtinianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasbakhtinianas.blogspot.com/feeds/6896286679934222436/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2651107604259160564&amp;postID=6896286679934222436&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2651107604259160564/posts/default/6896286679934222436'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2651107604259160564/posts/default/6896286679934222436'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasbakhtinianas.blogspot.com/2009/11/o-que-tem-nocao-de-genero-para-ser-tao.html' title='O que tem a noção de gênero para ser tão convocada no ensino brasileiro?'/><author><name>GEGe -  Grupo de Estudos de Gêneros do Discurso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06927853979162145692</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2651107604259160564.post-7939554272804777161</id><published>2009-11-05T10:27:00.000-08:00</published><updated>2009-11-05T10:38:12.221-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='José Kuiava'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='1-O pensamento bakhtiniano na atualidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='1a As ideologias contemporâneas'/><title type='text'>IDEOLOGIAS CONTEMPORÂNEAS E BAKHTIN</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;José Kuiava&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;O título do presente tema, proposto pelos coordenadores e ideólogos do Circulo – Rodas de Conversa Bakhtiniana 2009, revela a “exatidão” do seu justo significado: Ideologias Contemporâneas. No plural, as ideologias conferem o verdadeiro significado em seu sentido social histórico.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;De qualquer modo, para esboçar os apontamentos com o propósito de iniciar as conversas, é preciso dizer de onde parto no exame das categorias e de quais conceitos de ideologias estou falando. Para tanto, faz-se necessário explicitar um pressuposto, uma espécie de significado comum e permanente à todas as ideologias. Assim, as ideologias (e seus conceitos e significados) são produzidas pelos fatos sociais, ou seja, são históricas, resultantes de realidades determinadas. E por serem históricas, os seus conceitos e significados não se eternizam numa categoria única, abstrata e a-histórica: a ideologia no singular. Precisamos falar na multiplicidade de ideologias e não na univocidade. Não há como considerar a ideologia em seu sentido puro, unívoco, embora isso já tenha sido feito, por interesses ideológicos, é óbvio. Porém, mesmo tomada em seu conceito genérico demonstrando que ideologia seria a maneira de esconder o processo da história, um eterno, permanente e novo modo de ocultamento da realidade social em seu novo contexto. Seria um incômodo jogo de legitimar as condições sociais das classes dominantes/dirigentes pela exploração e dominação das classes subalternas, parecendo ser verdadeiro e justo tal modo de exploração e dominação, convalidado pelas próprias classes exploradas. Este parece ser o papel e a intencionalidade permanentes das ideologias historicamente produzidas. Por este significado, ideologia (no singular) seria o ocultamento da realidade social. Assim, em sua essência, o conceito da ideologia não mudaria, mudariam apenas os seus matizes.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, examinadas as ideologias em seus devidos contextos sociais, elas se manifestam críticas historicamente. Inicialmente, vou rememorar sucintamente três pensadores e seus conceitos/significados de ideologias: Marx, Gramsci e Bakhtin. No final, identifico as ideologias hegemônicas da atualidade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Ideologia em Marx – Quando Marx faz a crítica ao significado do termo Napoleônico, diz: “o ideólogo é aquele que inverte as relações entre as idéias e o real” (CHAUI, 1983,p.25). Em seguida, Marx assinala um pressuposto fundamental; não é possível separar a produção das idéias e as condições sociais e históricas nas quais são produzidas (idem, p.32). Há um pressuposto anterior a produção da ideologia: a história como um conhecimento dialético e materialista da realidade social. Há, portanto, uma relação entrelaçada entre o conceito de história e ideologia. Esta, a ideologia é um dos aspectos da história. Para a exata compreensão de ideologia em Marx, é necessário evocar os significados de contradição e oposição. A contradição é a negação interna. A oposição pressupõe a existência de dois termos. Exemplo, os termos “Senhor” e “escravo” são opostos. Dois termos de significados opostos. No caso de eu me referir ao termo “Senhor” (homem livre) ele mesmo, por si mesmo nega o seu contrário “escravo” (homem sem liberdade). Não permite o seu contrário em si mesmo. Bem, esta diferenciação foi fundamental para Marx formular o conceito de ideologia, a partir do pressuposto histórico: … “as contradições mão existem como fatos dados no mundo, mas são produzidas. A produção e superação das contradições é o movimento da história. A produção e a superação das contradições revela que o real se realiza como luta” (CHAUI, 1983, p.38). Daí, para Marx, a ideologia e a ideologia burguesa em geral, são produzidas em suas formas e modalidades em cada época e contexto. Acima de tudo e sempre, a ideologia burguesa é a forma, o mecanismo de alienação das classes trabalhadoras. Três termos fortes e determinantes integram o conceito de ideologia: alienação (entregar a própria vontade ao burguês), reificação (tornar o ser humano em coisa) e fetichismo (atribuir poder mágico, camuflado a determinados termos). Daí que, produzir, distribuir, comerciar, acumular, consumir, investir, poupar, trabalhar, são termos embevecidos de significados próprios que se impõem aos seres humanos, independentes da vontade dos homens. Pela clareza dos conceitos vou recorrer novamente às palavras de Marilena Chauí:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;… A ideologia é um dos meios usados pelos dominantes para exercer a dominação, fazendo com que esta não seja percebida como tal pelos dominados.&lt;br /&gt;… quando se diz que o trabalho dignifica o homem e não se analisam as condições reais de trabalho, que brutalizam, entorpecem, exploram certos homens em benefícios de uns poucos. Estamos diante da idéia de trabalho e não diante da realidade histórico-social do trabalho (p. 86,88).&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;É possível perceber o conceito de ideologia nos escritos em geral de Marx, sobretudo em A Ideologia Alemã. Um livro muito didático para este fim é O que é Ideologia, de Marilena Chauí. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Ideologia em Gramsci – Gramsci não modificou nem negou a concepção de ideologia de Marx. Pelo contrário, ampliou o conceito, agregou ao núcleo conceitual básico de Marx novos significados de acordo com as novas condições objetivas da história. É como se Gramsci tivesse falado: é isso aí, camarada Marx. Ainda agora, 80 anos depois o que você falou e escreveu continua válido. O capitalismo de agora continua capitalismo, só que um pouco mais sacana. Agora que a industrialização pegou força e velocidade ninguém mais segura a humanidade. O capitalismo já não é mais o mesmo. É aquela velha e pré-socrática história de filósofo, o inventor da dialética. Heráclito de Efeso, após ter tomado banho no rio, já na barranca, ao olhar as águas sujas, que havia deixado, indo rio abaixo, sacou: “um homem não pode tomar banho duas vezes no mesmo rio. Porque da segunda vez não será o mesmo homem, nem estará nas mesmas águas (Heráclito, apud. Konder, 1983, p.8). Gramsci não era Marx, nem Heráclito, e nem o capitalismo era o mesmo dos tempos de Marx.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Gramsci conectou o conceito de ideologia ao conceito ampliado de Estado, em relação ao conceito restrito de Estado de Marx. Marx falou e escreveu: “o estado é um comitê executivo da burguesia para proteger a própria burguesia e o capital. Gramsci percebeu que o estado não era mais essa ordem monolítica e nem o monopólio do poder da burguesia (classe dominante) e do bloco no poder (classe dirigente). Aí formulou o conceito de estado, segundo o qual há dois componentes: a sociedade política (as forças coercitivas repressoras, os aparelhos de estado) e a sociedade civil (a estrutura e a superstrutura: bloco histórico). Daqui Gramsci extraiu o germe do conceito de ideologia: “...do conceito de ideologia dos pensadores franceses do século XVIII, ideologia como a “ciência das idéias”, como “análise sobre a origem das idéias”. Gramsci diz que o significado do conceito de ideologia deve ser examinado historicamente. Só assim é possível atingir a superação dos conceitos a- históricos de ideologia. O conceito de ideologia deve ser entrelaçado à filosofia da práxis.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Para caracterizar a concepção de ideologia em Gramsci, nada melhor do que ele, Gramsci, falando:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;= &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;… ideologia… o significado mais alto de uma concepção do mundo, que se manifesta implicitamente na arte, no direito, na atividade econômica, em todas manifestações de vida individuais e coletivas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;… O sentido pejorativo da palavra tornou-se exclusivo, o que modificou e desnaturou a análise teórica do conceito de ideologia. O processo deste erro pode ser facilmente reconstruído: 1) identifica-se a ideologia como sendo distinta da estrutura e afirma-se que não são as ideologias que modificam as estruturas, mas sim vice-versa;, mas sim vice-versa; 2) afirma-se que uma determinada solução política é “ideológica”, isto é, insuficiente para modificar a estrutura, mesmo que acredite poder modificá-la; afirma-se que é inútil, estúpida, etc.; 3) passa-se a afirmar que toda ideologia é “pura” aparência, inútil, estúpida, etc.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;É necessário, por conseguinte, distinguir entre ideologias historicamente orgânicas, isto é, que são necessárias a uma determinada estrutura, e ideologias arbitrárias, racionalistas, “desejadas”. Na medida em que são historicamente necessárias, elas “organizam” as massas humanas, formam o terreno sobre o qual os homens se movimentam, adquirem consciência de sua posição, lutam, etc. Na medida em que são “arbitrárias”, elas não criam senão “movimentos” individuais, polêmicos, etc. (nem mesmo estas são completamente inúteis, já que funcionam como o erro que se contrapõe a verdade e a afirma).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Recordar a frequente afirmação de Marx sobre a “solidez das crenças populares”, como elemento necessário de uma determinada situação. Ele diz mais ou menos isto: “quando esta maneira, de conceber tiver a força das crenças populares”, etc. Utra afirmação de Marx é a de que uma persuasão popular tem, na maioria dos casos, a mesma energia de uma força material (ou algo semelhante), o que é muito significativo. A análise destas afirmações, creio, conduz ao fortalecimento da concepção de “bloco histórico”, no qual, justamente, as forças materiais são o conteúdo e as ideologias são a forma – sendo que esta distinção entre forma e conteúdo é puramente didática, já que as forças materiais não seriam historicamente concebíveis sem forma e as ideologias seriam fantasias individuais sem as forças materiais (GRAMSCI, 1981, p.16, 62-63).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;É interessante lembrar que Gramsci relaciona permanentemente a produção de ideologia aos intelectuais. Sem intelectuais não há produção de ideologia. Relaciona também ideologia e hegemonia e contrapõe a estas os novos conceitos de contra-hegemonia e contra-ideologia. Gramsci percebe com muita propriedade o modo como a sociedade civil se articula em sua organização interna, por meio da qual a classe dirigente difunde sua ideologia. Chama a esta organização de “estrutura ideológica” da classe dirigente. E quais organizações tem a função de difundir ( inculcar) a ideologia? Segundo Gramsci, as organizações: a igreja, a escola e a imprensa/edição. A Igreja detinha, até certo momento da história, o quase monopólio da sociedade civil e com ela o domínio da ideologia religiosa. A organização escolar, como aparelho do Estado (também a de organismos privados) como aparelho do conjunto cultural da sociedade civil. É ela, a escola (e a universidade) a que melhor produz e preserva a concepção de mundo de seu tempo. A imprensa/edição é a terceira instituição máxima da sociedade civil. Nos tempos de Gramsci, a imprensa era ainda nascente, mas com grande valor e poder, como a mais dinâmica da sociedade civil. Naqueles novos tempos, Gramsci constata que “as editoras tem um programa implícito ou explícito e se vinculam a uma corrente determinada” (esta última síntese e citação está em Hugues Portelli, Gramsci e o Bloco Histórico).&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Ideologia de Bakhtin - Bem, acho melhor deixar esta conversa para os entendidos em Bakhtin. Principalmente, àqueles que entendem sobre ideologia em Bakhtin.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;As Ideologias Contemporâneas – Por uma questão prática (embora não seja a melhor solução) podemos denominar genericamente de ideologia neoliberal do final do séc.XX e inícios do séc. XXI. Para sua análise, permanecem válidos os conceitos de ideologia de Marx, Gramsci e Bakhtin. Porém, há novos matizes. Particularmente, novos modos, novas maneiras, novos meios de difusão e de persuasão. Menos coercitivos, menos inculcadores. Poderíamos dizer que há um novo clichê pedagógico de alienação: a pedagogia da persuasão pelo encantamento, pela sedução – a informação eletrônica.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Na visão de Neil Postman, três novos deuses dominam a sociedade, aos quais o sistema educacional serve: a tecnocracia, o utilitarismo e o consumismo. É como se nos proclamassem: estes três deuses nos tornam humanos, quer dizer, felizes. Pierre Bourdieu e Loïc Wacquant, em A Nova Bíblia de Tio Sam, abrem, com muita graça e fina ironia, um texto, também publicado no Fórum Social Mundial. Vamos ao texto.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Os efeitos da nova vulgata são tão poderosos e perniciosos que ela é veiculadanão apenas pelos partidários do neoliberalismo, mas por produtores culturais emilitantes de esquerda que, em sua maioria, ainda se consideram progressistas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Em todos os países avançados, patrões, altos funcionários internacionais,intelectuais de projeção na mídia e jornalistas de primeiro escalão, se puseramde acordo em falar uma estranha novilíngua cujo vocabulário, aparentementesem origem, está em todas as bocas: "globalização", "flexibilidade";"governabilidade" e "empregabilidade"; "underclass"e "exclusão" ; "novaeconomia" e "tolerância zero"; "comunitarismo (2)", "multiculturalismo" e seusprimos "pós-modernos", "etnicidade", "minoridade", "identidade","fragmentação" etc.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;A difusão dessa nova vulgata planetária -- da qual estão notavelmenteausentes capitalismo, classe, exploração, dominação, desigualdade, e tantosvocábulos decisivamente revogados sob o pretexto de obsolescência ou depresumida impertinência -- é produto de um imperialismo apropriadamentesimbólico: seus efeitos são tão mais poderosos e perniciosos porque ele éveiculado não apenas pelos partidários da revolução neoliberal -- que, sob acapa da "modernização", entende reconstruir o mundo fazendo tábula rasa dasconquistas sociais e econômicas resultantes de cem anos de lutas sociais,descritas, a partir dos novos tempos, como arcaísmos e obstáculos à novaordem nascente, -- porém também por produtores culturais (pesquisadores,escritores, artistas) e militantes de esquerda que, em sua maioria, ainda seconsideram progressistas.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Bem, acho que já é assunto para muita conversa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2651107604259160564-7939554272804777161?l=conversasbakhtinianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasbakhtinianas.blogspot.com/feeds/7939554272804777161/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2651107604259160564&amp;postID=7939554272804777161&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2651107604259160564/posts/default/7939554272804777161'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2651107604259160564/posts/default/7939554272804777161'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasbakhtinianas.blogspot.com/2009/11/ideologias-contemporaneas-e-bakhtin.html' title='IDEOLOGIAS CONTEMPORÂNEAS E BAKHTIN'/><author><name>GEGe -  Grupo de Estudos de Gêneros do Discurso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06927853979162145692</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2651107604259160564.post-5988861548437924254</id><published>2009-11-03T14:48:00.000-08:00</published><updated>2009-11-03T14:50:42.247-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='José Kuiava'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='1-O pensamento bakhtiniano na atualidade'/><title type='text'>O pensamento bakhtiniano na atualidade ou a atualidade do pensamento bakhtiniano</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;José Kuiava&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Eis a (não) questão. A beleza do tema se revela na possibilidade de pensar os dois sentidos e significados da questão. Não se trata de uma ambivalência do título – o  título não nega a si mesmo invertido, ou contrário – pois os dois sentidos se expressam em todos os contextos, ou seja, no “pequeno tempo - a atualidade, o passado imediato e o futuro possível”e no  “Grande tempo – o diálogo infinito e inacabável em que nenhum sentido morre” (BAKHTIN,2006, p.409). Isso é Bakhtin. É profundamente bakhtiniano. Equivale a pergunta: quanto Bakhtin é lido e por quem, no mundo e no Brasil, e quais o sentido e o significado do pensamento bakhtiniano para os seres humanos nos dias atuais e nos dias de amanhã?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;José Luiz Fiorin faz duas revelações/advertências nos dois primeiros parágrafos  do seu livro Introdução ao pensamento de Bakhtin. A primeira: “Não é fácil ler a obra de Bakhtin”. A segunda: “Bakhtin é um autor que está na moda”(FIORIN,2006,p.5). Não há dúvidas sobre a veracidade da primeira revelação: não é fácil ler Bakhtin. Mas é sedutor. É o prazer vertendo da dor, da dificuldade, do não revelado, do texto não “fechado”, do ambivalente, do eternamente inacabado. Os escritos de Bakhtin, além de não obedecer formas didáticas na exposição (forma textual), estão permeados de uma espécie de anúncio de tópicos, como se fossem títulos e subtítulos de assuntos, sem verbo explícito, sem afirmação, sem os complementos de uma frase acabada. São frases inacabadas, sem conceito explícito às claras. São palavras na forma de coisas (objetos) não personalizados, pois cabe ao leitor personalizá-los. Provavelmente, Bakhtin estava bem intencionado: eu forneço a coisa inacabada (o texto “não fechado”, não pronto, não acabado) e o leitor que vá escrever do jeito e tipo que quiser. Isso me faz lembrar Ítalo Calvino: &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;[…] àquela época minha ilusão era de que os mundos escrito e não-escrito se esclareceriam mutuamente; as experiências de vida e as experiências literárias seriam complementares, e se progredisse num campo, progrediria no outro. Hoje, posso afirmar que sei muito mais sobre mundo escrito do que antes: nos livros, a experiência ainda é possível, mas seu domínio termina na margem branca da página (CALVINO, 2005, p.141).&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Assim, cabe ao leitor escrever nos espaços entre linhas e nas margens brancas das páginas. O leitor, ao ler, continua escrevendo o “texto” no novo “contexto” e nos vários “contextos”.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt; Já não se pode dizer o mesmo da segunda questão: está na moda ler Bakhtin. Primeiro, seria necessário demonstrar quem já leu e quem continua lendo as obras do pensador no Brasil. Com certeza, isso não é assunto para este texto. Segundo, talvez valesse a pena recorrer ao método de Antônio Gramsci ao abordar a filosofia: “Deve-se destruir o preconceito, muito difundido, de que a filosofia seja algo muito difícil pelo fato de ser a atividade intelectual própria de uma determinada categoria de cientistas especializados ou de filósofos profissionais e sistemáticos” (GRAMSCI, 1981, p.11).&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Para Gramsci “todos os homens são filósofos” (embora cada um a sua maneira!) e era necessário demonstrar isso. Era necessário descer a filosofia das alturas para o chão. Ou melhor, recolher e reconhecer a filosofia que se vivencia e manifesta na própria linguagem  (um conjunto de noções e conceitos vitais determinados e  não de palavras gramaticalmente vazias de conteúdo); no senso comum e no bom senso (na sabedoria popular); na religião popular, nas crenças, superstições, opiniões (e tudo o que se manifesta no folclore). &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Assim, a filosofia não é um campo restrito e reservado apenas aos filósofos profissionais – uma categoria de intelectuais únicos capazes de formular uma concepção unitária do mundo  e criticamente coerente, atingida pelo pensamento mundial mais elevado e desenvolvido – mas importa difundir (socializar) o pensamento mais elaborado às massas populares - “ida até ao povo”. Pelo caminho de volta (détour metodológico) importa elevar a consciência das massas “a uma forma superior de cultura e de concepção de mundo”. Gramsci se vale da analogia do alto clero e baixo clero para demonstrar esse processo. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Este retorno a Gramsci é útil para formular a seguinte pergunta: a leitura de Bakhtin  está  na moda de qual categoria de intelectuais? Os intelectuais da esfera mais elevada, do nível mais exigente, os intelectuais que atingem a “profundidade da penetração” na compreensão dos significados do pensamento de Bakhtin? A ambivalência avoluma-se mais nesta relação “exatidão/imprecisão”(vulgarização). Ou, é possível popularizar sem vulgarizar? Se assim for, estabelece-se a ambivalência da elitização (abrangência restrita) e a popularização (abrangência universalizada). É possível popularizar um pensador e o seu pensamento sem vulgarizá-los? A popularização implica necessariamente na vulgarização? Quem tem acesso à moda bakhtiniana? Quem pratica a leitura, quem atinge a leitura, a compreensão e a interpretação  não “coisificadas”, não “fechadas” dos escritos de Bakhtin? Quem leva jeito bakhtiniano de ler, de pensar, de falar, de discutir, de ouvir, de escrever? O que seria exatamente “vulgarizar” o pensamento, as idéias, os conceitos bakhtinianos? Seria justo não popularizar (vulgarizar) as idéias de Bakhtin? Ele mesmo se opõe ao “fechamento no texto”, ou seja, a uma compreensão e interpretação únicas.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;A popularização de Gramsci (e de seu pensamento) se deu, ou melhor, se iniciou por ele mesmo : nos “Conselhos de Fábrica”, Conselhos/Sindicatos, Conselhos/Partido Político e de modo singular na Escola para Prisioneiros no Cárcere (Gramsci ensinou lógica, filosofia e história para os companheiros do cárcere). O princípio educativo em Gramsci  está melhor formulado didaticamente, quando ele propõe a escola única, unitária, ativa, criativa e politécnica – de cultura geral humanística do novo tipo e de formação profissional de bases científicas, pensada para as camadas populares. Era moda ler Gramsci nas décadas de 70 e 80 no Brasil. A popularização de Gramsci se faz até hoje pela grande influência sobre todos os que lutam por uma democracia substantiva e por uma renovação de uma nova cultura e uma nova sociedade. Volta-se à pergunta: como ocorre a popularização do pensamento de Bakhtin? Como ler, compreender, interpretar o pensamento bakhtiniano?  Como levar Bakhtin aos sindicatos, movimentos sociais , partidos políticos, às escolas, aos movimento culturais e artísticos populares? Como descer Bakhtin dos “nichos” das universidades (dos cursos de letras?) e invadir as escolas, penetrar nos ambientes e cenários educacionais?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Neste momento, no Paraná, o Programa de Desenvolvimento Educacional – PDE, está promovendo estudos, discussões e seminários em todo Estado para 2.600 professores, sobre o tema: Trabalho, Cultura e Escola em Gramsci. Estou participando em três dos cinco seminários, com o enfoque: O princípio educativo em Gramsci na atualidade. Perguntei para mim mesmo: porque o PDE não incluiu o princípio educativo em Bakhtin na Educação do Paraná? Logo me surgiram outras perguntas: quais seriam os  princípios educativos em Bakhtin? E os princípios pedagógicos? E como seria a escola em Bakhtin?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Bem, este é um dos três eixos do tema central do Círculo – Rodas de Conversa Bakhtiniana 2009. Com certeza, muito será escrito e conversado sobre este tema, para além das belas e originais conversas “abakhatinianas”(!). &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Por fim, para rememorar e provocar, quando leio Bakhtin me vem à memória Marx, Gramsci, Ítalo Calvino, Sartre, Fellini entre outros pensadores. Percebo um entrelaçamento dos conceitos, sentidos, significados das categorias de análise entre estes pensadores/diretores (Fellini, particularmente em E La Nave Va). Seria uma legítima sinfonia polifônica das vozes destes pensadores ou uma prova da vulgarização e imprecisão intelectuais).&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2651107604259160564-5988861548437924254?l=conversasbakhtinianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasbakhtinianas.blogspot.com/feeds/5988861548437924254/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2651107604259160564&amp;postID=5988861548437924254&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2651107604259160564/posts/default/5988861548437924254'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2651107604259160564/posts/default/5988861548437924254'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasbakhtinianas.blogspot.com/2009/11/o-pensamento-bakhtiniano-na-atualidade.html' title='O pensamento bakhtiniano na atualidade ou a atualidade do pensamento bakhtiniano'/><author><name>GEGe -  Grupo de Estudos de Gêneros do Discurso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06927853979162145692</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2651107604259160564.post-8534694080073719405</id><published>2009-11-03T14:30:00.000-08:00</published><updated>2009-11-03T14:47:50.173-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='1-O pensamento bakhtiniano na atualidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='1c-Educação e a dialogia na atualidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mara Lúcia Fabricio de Andrade'/><title type='text'>O “antes” e o “depois” de H. Refletindo BaKhtin na prática: sobre “compreensão responsiva ativa” e aprendizagem.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Mara Lúcia Fabricio de Andrade&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;H frequenta o CCAzinho-IEL/Unicamp, tendo sido encaminhada por “dificuldades de aprendizagem”. H frequenta as atividades do grupo coletivo e era, no semestre passado, acompanhada individualmente pela “cuidadora” F, estagiária do curso de pedagogia. Os relatos acerca de H, sempre culminavam na sua dificuldade para com a escrita, em escrever textos. Comecei a acompanhar H o início de 2009, participando das atividades individuais juntamente com F. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;A leitura de Bakhtin (alguns trechos abaixo transcritos) e a observação do caso de H, me levou a refletir sobre as relações, se já que não é obvio em estudos baktinianos, entre “compreensão responsiva ativa” e aprendizagem. Vejamos os trechos e em seguida a apresentação dos dados observados.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;“As fronteiras do enunciado concreto, compreendido como uma unidade da comunicação verbal, são determinadas pela alternância dos sujeitos falantes, ou seja, pela alternância dos locutores. Todo enunciado -desde a breve réplica (monolexemática) até o romance ou o tratado científico -comporta um começo absoluto e um fim absoluto: antes de seu início, há os enunciados dos outros, depois de seu fim, há os enunciados-respostas dos outros (ainda que seja como uma compreensão responsiva ativa muda ou como um ato-resposta baseado em determinada compreensão). O locutor termina seu enunciado para passar a palavra ao outro ou para dar lugar à compreensão responsiva ativa do outro.” (grifos meus, p. 293)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;“Ora, a relação que se estabelece entre as réplicas do diálogo — relações de pergunta-resposta, asserção-objeção, afirmação-consentimento, oferecimento-aceitação, ordem-execução, etc. — é impossível entre as unidades da língua (entre as palavras e as orações), tanto no sistema da língua (no eixo vertical), quanto no interior do enunciado (no eixo horizontal).” (grifos meus, p. 294).&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Um importante ponto a ser observado, e que muito se aproxima do próprio objetivo desta roda de conversas (“... sobre uma idéia de um fazer acadêmico menos hierárquico e mais dialógico”), é a produção textual resultado de uma interação “ordem-execução” e de uma interação “oferecimento-aceitação”. Ao encontrar H, ela se via as voltas com instruções diretas para a produção de um livro. Vejam o que ela produzia no dado 1:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Dado 1: Projeto de livro&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;1a. Imagem do caderno de H.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_sX3TUtTFFXs/SvCw684HAnI/AAAAAAAAAc8/P2_g5tcHuyg/s1600-h/1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 304px; height: 167px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_sX3TUtTFFXs/SvCw684HAnI/AAAAAAAAAc8/P2_g5tcHuyg/s400/1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5400010480037593714" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;1b. Transcrição (fiel)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;PROJETO DE LIVRO&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;PERSSONAGEM: LETICIA&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;COMO ELA É: ELA É ROXA, GORDA, TEM &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;CINCO BRAÇOS, E TRÊS PERNAS, TRÊS OLHOS, &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;DUAS CABEÇAS E SEIS ORELHAS&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;ELA É CHATA E NINGEM GOSTA DELA &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;PORQUE ELA FALA DE MAIS ´&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;ELA ESTA NA CASA DELA E ELA MORA &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;DENTRO DA ÁGUA&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;1c. Transcrição (padrão)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Projeto de livro&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Personagem: Letícia&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Como ela é: ela é roxa, gorda, tem cinco braços&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;, e três pernas, três olhos, duas cabeças e seis orelhas. Ela é chata e ninguém gosta dela porque ela fala de mais. Ela está na casa dela e ela mora dentro da água.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Observando a dificuldade de H frente a uma produção “nua e crua” do tipo “Escreva!” criei uma empatia com sua dificuldade, afinal até mesmo nós, doutores, professores e estudiosos da língua, não escrevemos a partir de um nada... &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Sugeri então uma leitura. O livro lido foi “A pequena vendedora de fósforos”, um livro com imagens e texto narrativo. Vejam figura 01:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Figura 01: Início do livro “A pequena vendedora de fósforos”.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_sX3TUtTFFXs/SvCxJWv77pI/AAAAAAAAAdE/Tff9XcoR8W0/s1600-h/2.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 340px; height: 235px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_sX3TUtTFFXs/SvCxJWv77pI/AAAAAAAAAdE/Tff9XcoR8W0/s400/2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5400010727500803730" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;A leitura foi feita em uma sessão e na próxima, ao iniciar, inqueri H acerca da estória que tinha lido. O breve diálogo antes que iniciasse o resumo da estória é o que segue.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;IMar: E aí H, lembra da estória? &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;H: (gesto afirmativo)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;IMar: O que era? Onde aconteceu? (H &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;ri, desvia o olhar, morde o lápis, olha para a parede e brinca de rabiscar (foto 1) ... )&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Foto 1: H desvia sua atenção para várias coisas.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_sX3TUtTFFXs/SvCxNvN0PMI/AAAAAAAAAdM/jz_c4BdWNJM/s1600-h/3.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 300px; height: 216px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_sX3TUtTFFXs/SvCxNvN0PMI/AAAAAAAAAdM/jz_c4BdWNJM/s400/3.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5400010802788056258" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;É curioso notar que, frente as perguntas diretas, H foge até mesmo de nosso olhar, meu e de IFer. No entanto, ao lhe ser oferecido o livro, ela discorre um perfeito resumo, recordando-se da estória somente pelas imagens. Noto que o livro é simplesmente oferecido e H o aceita. Veja na fot&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;o 2 o oferecimento e a atitude receptiva de H.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Foto 2: H aceitando o livro, em atitude interativa. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_sX3TUtTFFXs/SvCxSKDBBcI/AAAAAAAAAdU/qnIp3uEmLMY/s1600-h/4.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 298px; height: 217px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_sX3TUtTFFXs/SvCxSKDBBcI/AAAAAAAAAdU/qnIp3uEmLMY/s400/4.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5400010878709990850" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Após realizar o resumo do livro, como propos&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;ta de produção textual, foi apresentado o livro “A menina das borboletas” (Figura 2). Um livro que conta somente com ilustrações, mas que apresenta uma sequencia narrativa.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Figura 2: Início do livro “A menina das borboletas”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;     &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_sX3TUtTFFXs/SvCxXuQfH6I/AAAAAAAAAdc/NbezG1hFyl4/s1600-h/5.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 562px; height: 107px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_sX3TUtTFFXs/SvCxXuQfH6I/AAAAAAAAAdc/NbezG1hFyl4/s400/5.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5400010974329511842" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Após algumas explicações, de uma ponte entre oralidade (contar o qu&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;e via) e escrita (passar a idéia para o papel, como no livro “A vendedora de fósforos”), veio a grata surpresa. Vejam vocês mesmo a produção de H no dado 2:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Dado 2: “A menina das borboletas”: versão d&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;e H.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;1a. Imagem do caderno de H.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_sX3TUtTFFXs/SvCxbjCNJmI/AAAAAAAAAdk/r4ViL48A9JQ/s1600-h/6.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 329px; height: 225px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_sX3TUtTFFXs/SvCxbjCNJmI/AAAAAAAAAdk/r4ViL48A9JQ/s400/6.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5400011040036300386" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;1b. Transcrição (fiel)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Ela está com um vazo de planta e as borboletas fica envouta dela e o passaro fica olhando para ela&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;    Ela está plantando o vazo de plata na terra e as borboletas estam envouta dela e o passaro olhando&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;    ela plantou a plata e ela saio e a borboletas envouta dela e o passaro olhando e uma pessoas entrou lá&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;    E a sinhora pasou o carrinho de mercado porsima da pl&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;a&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;nta e o passaro ficou assustado&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;    Ela voutou onde ela tinha plantado a planta e ela viu que &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;a planta avia caido e a borboleta continuou envouta dela e o passaro olhando&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;    Ela viu a planta e depois ela plantou outra planta do lado d&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;a outra e 8 borboletas continuou envouta dela e o passaro olhando ela (*)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;    Aí ela foi embora e as borboletas envouta dela e o passaro olhando e cheg&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;ou o homem de mala branca &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;    E o homem de mala branca pisou senquerendo ensima da planta e o passaro ficou triste&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;    E a juliana voutou onde ela plantou e a juliana viu que a planta avia morido e ela comesou a chorar e o passado também chorou e a borboleta envouta dela&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;    E ela foi na casa dela e ela catou uma mala e outra pla&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;nta e ela voutou onde a flor dela avia morido e as 18 borboletas envouta dela e o passaro ficou feliz&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;    E ela catou o martelo e comesou a martela e as 25 borboletas &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;envouta dela e o passaro olhando&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;    E ela fez uma cerca e a planta dentro e ela foi embora e as borboletas envouta dela e o passaro olhando.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;    E o cachorro fez chichi na planta e a Juliana v&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;iu o cachorro e ela falou sai daqui cachorro e as borboletas fcou asustada e o passaro olhando asustado. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;    E ela plantou outra planta e ela decidio ficar com ela e as borboletas encima dela e o passaro ohando e ela dormiu com a planta e ela protegel ela e o passaro também e che&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;gou de manhã e a planta creseu e as borboleta envouta dela e o passaro olhando e a tarde as plantas crese&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;u mas a inda e ela comesou a pular e as borboleta envouta dela o passaro olhando e a juliana guanhou tantas flores e a borboletas envouta dela e o passaro olhando e viveram felizes para sempre.  (*) Até esse ponto H primeiro interagiu com as investigadoreas, primeiro verbalizando a estória para depois escrever. Desse pont&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;o em diante H ficou em silêncio... observava o livro e escrevia...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;É certo que o texto de H apresenta problemas e necessita de intervenção (próximo passo que não tratarei neste texto), mas para alguém que não produzia, que tinha constantes relatos acerca de su&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;a dificuldades com a escrita, trata-se de uma produção significativa. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;A reflexão do caso de H pela ótica de Bakhtin me levou a refleti&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;r acerca dos seguintes pontos:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;a) a natureza da interação no momento do ensino: ordem/exe&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;cução ou oferecimento/aceitação;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;b) a possibilidade de medir e verificar quanto e quando a aprendizagem acontece observando o sujeito (compreensão responsiva);&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;c) este terceiro ponto soa muito mais como uma resposta do que uma reflexão: sabemos o quanto nossos alunos são desatentos e o quanto o discurso pedagógico atual cobra do professor aulas &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;interessantes. Mas o que é interessante quase nunca o discurso esclarece nã&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;o passando da te&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;oria. Ora, no caso de H, o que surtiu efeito, o que chamou sua atenção não é nada mirabolante, nem diferente... apenas um livro no qual H apreendeu o gênero e depois apenas outro livro com uma estórinha básica para H r&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;econtar. Isso nos leva a refletir, com Bakhtin, que não interessa tanto “o que” (no caso algo mirabolante, cambalhotas, e&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;tc.) mas sim o como (oferecimento/aceitação).&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;d) o porque de H mudar sua escrita da letra de forma para letr&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;a cursiva.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Para terminar, Bakhtin (cf. Novaes) tem despontado como um importante aporte t&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;eórico para a Neurolingüística praticada no IEL, denominada por Coudry (no prelo) de Neurolingüística discursiva. E o caso de H visto pela ótica de Bakhtin nos evidenciou o quanto a terapia, no caso de dificuldades de aprendizagem, pode ser transpassada por suas noções e o quanto destes casos pode ser melhorado&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt; pelo sim&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;ples acompanhamento de um professor particular e não necessariamente um terapeuta (fonoaudiológo, psicopedagogo). &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;   &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2651107604259160564-8534694080073719405?l=conversasbakhtinianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasbakhtinianas.blogspot.com/feeds/8534694080073719405/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2651107604259160564&amp;postID=8534694080073719405&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2651107604259160564/posts/default/8534694080073719405'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2651107604259160564/posts/default/8534694080073719405'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasbakhtinianas.blogspot.com/2009/11/o-antes-e-o-depois-de-h-refletindo.html' title='O “antes” e o “depois” de H. Refletindo BaKhtin na prática: sobre “compreensão responsiva ativa” e aprendizagem.'/><author><name>GEGe -  Grupo de Estudos de Gêneros do Discurso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06927853979162145692</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_sX3TUtTFFXs/SvCw684HAnI/AAAAAAAAAc8/P2_g5tcHuyg/s72-c/1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2651107604259160564.post-8381339635878278134</id><published>2009-11-03T14:28:00.000-08:00</published><updated>2009-11-03T14:29:58.450-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='1-O pensamento bakhtiniano na atualidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='1b-O humano e as subjetividades na contemporaneidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rafael Miranda Porto Alegre'/><title type='text'>O sujeito na perspectiva Bakhtiana</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; 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&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: trebuchet ms; text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 27pt; line-height: 150%; font-family: trebuchet ms; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Ao tentar definir sujeito, Bakhtin revoluciona, conceitualmente, o seu significado, o considerando como parte de uma instância maior, caracterizada pelo fator social, que por sua vez, era na/pela linguagem e a interação social que o indivíduo se constituía e, concomitante, constituía significações para a sua realidade física e material. Então, pensa-se em sujeito, ligado a práticas socioculturais mais amplas e mais restritas, ou seja, os sujeitos, pela linguagem, mais especificadamente, fazendo uso de signos ideológicos, são vistos como atores/construtores sociais, o signo lingüístico é o lugar da interação e os interlocutores, sujeitos ativos que dialogicamente nele se constroem e são construídos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 27pt; line-height: 150%; font-family: trebuchet ms; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 27pt; line-height: 150%; font-family: trebuchet ms; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Nesse sentido, alguns fundamentos que tomamos como base a partir do livro “Marxismo e Filosofia da Linguagem”, mostra-nos alguns apontamentos a respeito do que e como se constituíam os sujeitos para Bakhtin.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 27pt; line-height: 150%; font-family: trebuchet ms; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 27pt; line-height: 150%; font-family: trebuchet ms; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Primeiramente, considerando a conceituação &lt;st1:personname productid="em que Bakhtin" st="on"&gt;em que Bakhtin&lt;/st1:personname&gt; aponta, podemos concluir que o signo lingüístico está estritamente relacionado na formação identitária e ideológica do indivíduo pós-moderno. Então, é incipiente se falar de signo lingüístico apenas como um construto social e não modificador da sociedade, segundo afirmações de base estruturalista saussuriana.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 27pt; line-height: 150%; font-family: trebuchet ms; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 27pt; line-height: 150%; font-family: trebuchet ms; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Enquanto criação do homem, ele se faz entender como reflexo da realidade. Mas não está explícita, no curso de Saussure, a modificação e a reconstrução da realidade feita pelo signo. Nessa carência, Bakhtin afirma: “&lt;i style=""&gt;O ser, refletido no signo, não apenas nele se reflete, mas também se refrata”&lt;/i&gt; (BAKHTIN, p. 46). Num capitulo anterior, ainda sobre essa capacidade do signo: &lt;i style=""&gt;“Toda refração ideológica do ser em processo de formação, seja qual for a natureza de seu material significante, é acompanhada de uma refração ideológica verbal, como fenômeno obrigatoriamente concomitante”&lt;/i&gt;. A construção do que entendemos por “ser” se dá na medida da enunciação e geração do significado do signo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 27pt; line-height: 150%; font-family: trebuchet ms; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 27pt; line-height: 150%; font-family: trebuchet ms; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Assim, Bakhtin preconiza a palavra como signo ideológico por excelência, pois mesmo quando não exteriorizada, a palavra é usada no “diálogo interno” do sujeito, possibilitado unicamente por ela.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 27pt; line-height: 150%; font-family: trebuchet ms; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 27pt; line-height: 150%; font-family: trebuchet ms; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Uma das analogias feitas por Bakhtin é o marxismo. Infra-estrutura, nas idéias do alemão, é a economia; para Bakhtin, a realidade. Superestrutura, para Marx, é a ideologia (entre outras formações); para o filósofo da linguagem, a palavra, signo por excelência. Daí se reforça, mais uma vez, o signo enquanto responsável pela manutenção e modificação da ideologia. Assim, há um caráter mais dinâmico do uso da linguagem, que não é mais tida como instituição de comunidades lingüísticas, portanto social.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 27pt; line-height: 150%; font-family: trebuchet ms; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 27pt; line-height: 150%; font-family: trebuchet ms; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Nesse ponto a idéia da palavra, ou o signo tomado em relação à luta de classes, ou como afirma Bakhtin, &lt;i style=""&gt;“o signo se torna a arena onde se desenvolve a luta de classes”&lt;/i&gt; (BAKHTIN, p. 46), arena esta que não é usada ao acaso, mas conscientemente, já que a consciência também está no signo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 27pt; line-height: 150%; font-family: trebuchet ms; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 27pt; line-height: 150%; font-family: trebuchet ms; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Desde modo, o movimento fundamental que Bakhtin empreende em relação ao signo e sua constituição como fator de formação do sujeito e da realidade, é pautado nas seguintes considerações de que a língua se desenvolve e modifica tanto o tempo quanto à sociedade, bem como é modificada por esses dois fatores e marca a tradição dos momentos, sendo, se não protagonista deles, pelo menos fator fundamental.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 27pt; line-height: 150%; font-family: trebuchet ms; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 27pt; line-height: 150%; font-family: trebuchet ms; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;i style=""&gt;“Toda crítica viva pode tornar-se elogio, toda verdade viva não pode deixar de parecer para alguns a maior das mentiras. Esta dialética interna do signo não se revela inteiramente a não ser nas épocas de crise social e de comoção revolucionária. Nas condições habituais da vida social, esta contradição oculta em todo signo ideológico não se mostra à descoberta porque, na ideologia dominante estabelecida, o signo ideológico é sempre um pouco reacionário e tenta, por assim dizer, estabilizar o estágio anterior da corrente dialética da evolução social e valorizar a verdade de ontem como sendo válida hoje em dia.” &lt;/i&gt;(BAKHTIN, p. 47).&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 27pt; line-height: 150%; font-family: trebuchet ms; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;i style=""&gt; &lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 27pt; line-height: 150%; font-family: trebuchet ms; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Portanto, o signo pode, por vezes, servir aos interesses de seus usuários reacionários e estabelecer um retorno à situação. No entanto, Bakhtin, apoiado numa base pragmática, tenta desmistificar o psiquismo humano, valorando a questão da formação do indivíduo e da realidade social, com base no signo ideológico e sua mobilidade interacionista, e alguns pontos defende: 1) O organismo (homem, seu sistema sensível) e o mundo se encontram no signo; 2) O psiquismo interior não pode ser avaliado como os restantes processos sistemáticos pertencentes à atividade humana: ele é formado por signos; 3) Qualquer investigação acerca do psiquismo deve ser compreendida como interpretação sócio-ideológica; 4) &lt;i style=""&gt;“O signo é uma unidade material discreta, mas a significação não é uma coisa e não pode ser isolada do signo como se fosse uma realidade independente”. (p.51); &lt;/i&gt;5) Se não exteriorizado, o produto do psiquismo interior é apenas uma massa obscura. Para se desenvolver, precisa de realização, de converter-se em ato; 6) Qualquer pensamento é igualmente individual, social e ideológico. 7) &lt;i style=""&gt;“A criatividade da língua não coincide com a criatividade artística nem com qualquer outra atividade ideológica específica. Mas, ao mesmo tempo, a criatividade da língua não pode ser compreendida independente dos conteúdos e valores ideológicos que a ela se ligam. A evolução da língua, como toda evolução histórica, pode ser percebida como uma necessidade cega de tipo mecanicista, mas também pode tornar-se ‘uma necessidade de funcionamento livre’, uma vez que alcançou a posição de uma necessidade consciente e desejada”.&lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt;“As condições da comunicação verbal, suas formas e seus métodos de diferenciação são determinados pelas condições sociais e econômicas da época”.&lt;/i&gt;( BAKHTIN, p.154).&lt;/span&gt; (BAKHTIN, p. 127); 8)&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 27pt; line-height: 150%; font-family: trebuchet ms; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 27pt; line-height: 150%; font-family: trebuchet ms; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;A partir desses levantamentos, poderíamos, concluir, ou melhor, tentar apontar para formas de tratamento do sujeito em Bakhtin como um ser heterogêneo, que modifica seu discurso em função das intervenções dos outros discursos, ou seja, da presença do outro, que dialogicamente, possibilita uma delimitação e construção do espaço de atuação do sujeito no mundo, bem como constitui o sujeito, ideologicamente e proporciona-lhe um possível acabamento. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 27pt; line-height: 150%; font-family: trebuchet ms; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; font-family: trebuchet ms; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; font-family: trebuchet ms; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; font-family: trebuchet ms; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;b style=""&gt;Referências Bibliográficas&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; font-family: trebuchet ms; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;BAKHTIN, M. &lt;b style=""&gt;Marxismo e Filosofia da Linguagem&lt;/b&gt;. 11 ed. São Paulo: Hucitec, 2004.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; font-family: trebuchet ms; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;SAUSSURE, F. &lt;b style=""&gt;Curso de Lingüística Geral. &lt;/b&gt;30 ed. São Paulo: Cultrix, 1998. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2651107604259160564-8381339635878278134?l=conversasbakhtinianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasbakhtinianas.blogspot.com/feeds/8381339635878278134/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2651107604259160564&amp;postID=8381339635878278134&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2651107604259160564/posts/default/8381339635878278134'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2651107604259160564/posts/default/8381339635878278134'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasbakhtinianas.blogspot.com/2009/11/o-sujeito-na-perspectiva-bakhtiana.html' title='O sujeito na perspectiva Bakhtiana'/><author><name>GEGe -  Grupo de Estudos de Gêneros do Discurso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06927853979162145692</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2651107604259160564.post-3043648852164856369</id><published>2009-10-29T05:46:00.000-07:00</published><updated>2009-10-29T06:27:46.676-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='1-O pensamento bakhtiniano na atualidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='1c-Educação e a dialogia na atualidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Flávia Lago'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='1a As ideologias contemporâneas'/><title type='text'>O ESPELHO INFIEL: QUANDO A PUBLICIDADE REFLETE O DISCURSO PROIBIDO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Flávia Lago&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;A humanidade encontra-se envolvida num processo interativo-comunicativo marcado por intencionalidades, identidades coletivas e coletividades expressivas, moldadas por contextos de naturezas várias. Isso significa dizer que trocamos inter-subjetividades por meio de enunciados concretos, visando satisfazer nossa necessidade comunicativa, interagindo com o nosso interlocutor. Quanto a este aspecto específico, Bakhtin (2005, p. 68) acrescenta que o enunciado concreto nasce, vive e morre mediante o processo de interação social que ocorre entre os participantes da enunciação.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;O enunciado é um acontecimento único, individual, irreproduzível, concreto e mutável, é próprio de quem o produz, pois o sujeito o elabora para satisfazer uma necessidade de “enunciar”, dizer, exprimir um pensamento em uma determinada situação comunicativa, visando ser compreendido por um interlocutor e aguardando uma “resposta” (uma reação) em relação ao que foi enunciado. Por isso, a unidade da comunicação verbal é o enunciado, que diferentemente da oração, é carregado de sentido, construído em situação de uso efetivo da língua.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;É assim que se intutiu o dialogismo bakhtiniano – nas relações existentes entre o eu (self) e o Outro (selves)&lt;/span&gt;&lt;a style="mso-footnote-id: ftn1" title="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2651107604259160564#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;. Segundo Bakhtin (2004, p.94) self e selves estão juntos e ao mesmo tempo à parte, ou seja, um está no outro e fora do outro, visto que cada um ocupa tempo e espaço únicos na existência. Ao falar desses parceiros, Bakhtin (ibidem, p. 93), diz que o self é um ato de graça, uma dádiva do outro e que sozinho não apresenta sentido, daí a necessidade de auto criar-se, de auto definir-se no outro. Por isso&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;O self Bakhtiniano nunca é completo, uma vez que só pode existir dialogicamente. Não é uma substância ou essência por direito próprio, porém existe num relacionamento com tudo que é outro e, isto é o mais importante, com outros selves. (Billy e Holquist. 2004. p.91)&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Segundo Miotello (2004, p.202-203) o “eu” se define no outro, mas apresenta o excedente de visão estética, do qual trata Holquist e Clark (ibiden p. 94-95), que faz referência à individualidade, à expressividade do self. Miotello afirma que as atividades humanas para Bakhtin são dialógicas, uma vez que o sujeito só poder existir numa relação discursiva com os outros. Assim como as relações humanas, os enunciados também são dialógicos, uma vez que ninguém pode produzi-los sozinho, visto que nascem da relação com o “eco dos discursos alheios” e mantêm viva outras relações, com outros discursos alheios, indefinidamente.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Assim, nessa troca discursiva, o locutor, ao produzir seus enunciados, não é um inventor de palavras, de discursos. Ele se apropria de enunciados anteriores, reestrutura-os, modifica-os, mergulha-os em sua expressividade e os lança a seu interlocutor, que os recebe, os compreende e os “responde”. Os enunciados do locutor também funcionam como enunciados-respostas, e os produzidos pelo interlocutor, o tornam locutor, ser ativo dentro deste processo de interação verbal, no qual não há espaço para papel primário e secundário; locutor e interlocutor encontram-se na mesma posição hierárquica, assim são sempre agentes ativos no jogo interativo. Isso é reforçado por meio das palavras de Miotello (2004, p. 201-202):&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;A palavra sempre é do outro, palavra alheia, e o eu vai buscar as palavras que usa não no dicionário ou nas gramáticas, mas nos lábios alheios e em contextos alheios; esse alheio é a alteridade. Garante o que diferente do eu. O excedente da visão estética da qual trata Bakhtin (...) é o mundo exterior que, ao mesmo tempo em me determina (não me obriga), proporciona, pela própria existência concreta do meu corpo, um excedente de minha visão para com o outro, o qual, dialogicamente revisto e ressuscitado ao longo de minha vida, constitui o que podemos chamar aqui de individualidade.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;O enunciado, concebido como unidade da comunicação verbal, vincula-se à realidade concreta imediata, sócio-histórica, e a outros enunciados; espera uma resposta do seu interlocutor desde o início de sua construção – expressiva, individual, e coletiva, como eco dos discursos alheios - pois lhe é intrínseca a capacidade de suscitar uma atitude responsiva; pressupõe expressividade (relação subjetiva valorativa do sujeito com o conteúdo do objeto e do sentido do enunciado) e tem como limite a alternância de locutores e interlocutores.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;É exatamente esse o fator que institui o enunciado como unidade concreta da comunicação verbal: o fato de estar direcionado a alguém, visando obter uma resposta, posição do seu interlocutor, uma atitude responsiva ativa, na qual o interlocutor que compreende o sentido do enunciado passa a apresentar uma atitude de concordar ou discordar da idéia apresentada pelo locutor. Assim,&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;(...) o ouvinte que recebe e compreende a significação (lingüística) de um discurso adota simultaneamente, para com este discurso, uma atitude responsiva ativa: ele concorda ou discorda (total ou parcialmente), completa, adapta, apronta-se para executar, etc., e essa atitude do ouvinte está em elaboração constante durante todo o processo de audição e de compreensão desde o início do discurso, às vezes já nas primeiras palavras emitidas pelo locutor. (Bakhtin, 1997, p.290)&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Tal possibilidade de resposta (de compreensão responsiva) é proporcionada pela totalidade do acabamento específico do enunciado que, como toda obra a ser iniciada e terminada, requer um acabamento específico do que se pretende dizer. Por isso, a possibilidade de se responder a algo é determinada por três fatores: o tratamento exaustivo do objeto do sentido; o intuito, o querer-dizer do locutor; e as formas típicas da estruturação do gênero do acabamento.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;É importante esclarecer que para Bakhtin (1997, p. 299), a palavra existe para o locutor sobre três aspectos: a palavra da língua, a palavra do outro que pertence aos outros e a palavra minha. A palavra neutra é a aquela pertencente ao léxico, a qual apresenta apenas significação lingüística, não sendo utilizada em situação concreta de comunicação verbal; a palavra do outro são os “ecos dos enunciados alheios” ou as vozes dos interlocutores, os quais se apropriam de discursos anteriores, acrescentam sua expressividade, suas marcas individuais e os tornam seus; e a palavra minha, torna-se “minha” no momento em que a utilizo em uma situação comunicativa.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;A expressividade corresponde à intenção valorativa, estabelecida na relação entre o locutor e os enunciados. Ao endereçar um enunciado a outrem, as palavras do interlocutor apresentam-se carregadas de ideologia, de marcas subjetivas que fazem das palavras que compõem o léxico, enunciados. Assim, pode-se dizer que em um processo de interação verbal, o interlocutor comunica-se por meio de seus enunciados, que se tornam seus à medida que neles são colocadas marcas individuais, subjetivas, expressivas. O interlocutor assimila, reestrutura, modifica a palavra do outro. No processo de interação verbal, as “perguntas” e as “respostas” dos diálogos dependem dos sujeitos envolvidos, ou seja, a elaboração do enunciado enquanto processo é uma ponte lançada entre o locutor e o interlocutor. Os enunciados concretos, cabe esclarecer, nascem, vivem e morrem no processo de interação social. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Eles possuem fronteiras claramente delimitadas pela alternância dos sujeitos ou pela alternância dos locutores, os quais sentem, percebem por meio de uma competência lingüística, o início, o meio e o fim de um enunciado.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;A totalidade acabada do enunciado, que proporciona a possibilidade e responder (de compreender de modo responsivo), é determinada por três fatores: o tratamento exaustivo do objeto do sentido, o querer-dizer e as formas típicas de estruturação do gênero do acabamento.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;O primeiro fator seria o tema, o qual varia conforme as esferas da comunicação verbal e é teoricamente objeto inesgotável; o segundo, corresponde à tese, que representa o querer-dizer do locutor, momento em que ele coloca em seus enunciados tudo o que já viu e percebeu no mundo, sua opinião, seu ponto de vista, sua individualidade; e o terceiro, faz referência à escolha do gênero, a qual deve ser apropriada, a qual deve levar em consideração o outro, a situação comunicativa, a esfera social.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;A fronteira traçada pela alternância dos sujeitos falantes é marcada pela troca de enunciados; só há respostas no contexto enunciativo; trocam-se enunciados, que são definidos como unidade de interação verbal, capazes de suscitar respostas e não orações, unidades da língua, gramaticais, as quais possuem somente “significação”, pois se situam fora de um contexto social.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;O eu individual, expressivo, constitui-se da relação com os outros. A identidade subjetiva se forma a partir da relação com a identidade coletiva, do contato social com os outros. Ao falar, ao interagir por meio dos enunciados concretos, há uma apropriação da palavra dos outros, dos enunciados dos alheios, que passam a ser em certo grau do interlocutor que os utiliza, pela influência que exercem também, na situação comunicativa, misturada às suas marcas individuais.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Desta forma, os enunciados dos locutores e interlocutores são impregnados de vozes sociais, o que caracteriza o enunciado como social e individual. Somos assim, seres social-individuais; paradoxais, portanto. Dessas vozes sociais, polifônicas, resulta o traço social do enunciado, o qual tem seu traço individual resultante da expressividade do locutor. Bakhtin (1992, p. 125) bem expressa essa relação entre o que denomina discurso interior (expressivo) e discurso exterior (dos outros) por meio da analogia com uma ilha:&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;O processo de fala, compreendida no sentido amplo como processo de atividade de linguagem tanto exterior, é ininterupto, não tem começo nem fim. A enunciação realizada é como uma ilha emergindo de um oceano sem limites, o discurso interior. As dimensões e formas dessa ilha são determinadas pela situação da enunciação e por seu auditório.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Sendo o enunciado um ato comunicativo concreto, na qual os interlocutores interagem entre si, é comum que ele tenha fronteira determinada pela alternância dos sujeitos falantes, na qual um apresenta uma afirmação, o outro concorda, complementa ou refuta o que foi apresentado, desenvolvendo seu ponto de vista em relação à idéia alheia.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Há quem afirme que o estilo esteja voltado para a expressão individual, mas para Bakhtin é algo mais complexo, que pertence ao campo da comunicação dialógica, envolvendo a relação do locutor com o ouvinte, o leitor, o interlocutor, o discurso do outro etc., ligando-se a unidades temáticas e composicionais. Brait (2005, p.96) alerta para o fato de que o conceito bakhtiniano de estilo:&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;não pode separar-se da idéia de que se olha um enunciado, um gênero, um texto, um discurso, como participante, ao mesmo tempo, de uma história, de uma cultura e, também, da autenticidade de um acontecimento, de um evento.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;O sujeito do enunciado pode imprimir sua marca de expressividade na construção de seu discurso, mas também pode sofrer influência de outros discursos, de outros textos, imagem que ele constrói de seu interlocutor, para provocar, direcionar seu leitor a um sentido específico do texto. Discini (2003, p. 66) destaca que&lt;br /&gt;Estilo é um “corpo” único de significado, constituído por um conjunto de discursos, com uma voz que se constitui pela relação com outras vozes do mundo. Da relação enunciado/enunciação de uma totalidade, é construído o corpo do estilo. Parte-se do estilo para se chegar ao sujeito.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Assim, o estilo funciona como pista a ser seguida pelo interlocutor para se chegar ao sentido do enunciado.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Por seu caráter concreto, dialógico, único e histórico é que o estudo da teoria do enunciado tem uma grande importância para a concretização deste trabalho de análise da construção da paródia nos contos de fadas modernos. Visto que, ele pertence ao plano discursivo, assim como a paródia, e também nos permite uma interação com a situação social vigente, possibilitando leitura ampla da intenção dos interlocutores envolvidos no processo de construção enunciativa.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Bakhtin concebe os gêneros como resultado de um uso comunicativo da língua em sua relação dialógica, de forma que, ao se comunicar, os sujeitos não trocam apenas orações ou palavras, trocam enunciados que se constituem com os recursos formais da língua aliados a outras estratégias argumentativas. Além disso, o gênero não é decidido aleatoriamente pelos interlocutores, mas é construído e constituído gradativamente, a partir de práticas sociais e freqüentes, que lhe garantem estabilidade. O próprio intuito discursivo de um locutor realiza-se, essencialmente, na opção por determinado gênero acessível.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Nessa perspectiva de gênero, todo e qualquer enunciado das mais diversas situações de comunicação são tidos como gêneros. O bilhete, a carta, o e-mail e o texto publicitário são exemplos de gêneros textuais, uma vez que todos são constituídos de uma forma padrão de materialização e expressam uma intenção do locutor.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;De acordo com Brait (2005), os gêneros são classificados em primários e secundários. Os gêneros primários correspondem aos textos presentes em situações discursivas cotidianas, como, por exemplo, o bilhete. Já os secundários dizem respeito a textos com formações mais complexas, elaborados em uma dada situação formal, no qual o gênero publicitário é incluído.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Cada um dos gêneros discursivos caracteriza-se por exercer uma função social específica, possuindo aspectos lingüísticos, estilísticos e pragmáticos peculiares, além de intenções particulares e um determinado conteúdo temático.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Não acontece diferente com o texto publicitário, que possui estratégias argumentativas próprias e uma função social definida, além de um objetivo específico. Quando surgiu, o texto publicitário tinha como principal objetivo informar o consumidor e se articulava em torno de relatar as vantagens do produto para incentivar seu consumo, relacionando-o com o universo social e psicológico do interlocutor. Tudo girava em torno de captar a atenção e influenciar a instância da recepção.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Dessa forma, o primeiro conceito de publicidade como ato de tornar público determinado fato ou idéia perde espaço para a publicidade relacionada ao plano social, passando a exercer função específica nas representações coletivas. O objetivo continua sendo o de promover a aquisição de um produto, idéia ou serviço, contudo, suas estratégias procuram associar o produto a certos valores que permeiam o imaginário de sucesso social e satisfação pessoal de uma determinada esfera da sociedade. Para isso, o texto publicitário é composto de diversas estratégias argumentativas, voltadas para a mobilização e articulação dos mais variados discursos que, por sua vez, são representativos de uma determinada ideologia hegemônica.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;A junção dos códigos lingüísticos com as demais estratégias argumentativas e os códigos sociais faz do texto publicitário um espaço privilegiado de jogos intertextuais, nos quais os diferentes discursos evocados revelam os valores e o universo do consumidor. Porém, segundo Sandman (2005, p. 12), esta junção não é simples de ser trabalhada, “Por isso a criatividade incansável do propagandista ou publicitário na busca incessante de meios estilísticos que façam com que o leitor ou ouvinte preste atenção ao seu texto, chocando-o até se for necessário”.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Nesse sentido, a utilização de inúmeros recursos contribui para o sucesso do texto publicitário. Entre os recursos lingüísticos e extralingüísticos, pode-se destacar: rimas, grafias exóticas, aliteração, ironia, paisagens, ambigüidade etc. Desse modo, a imagem da criança também é utilizada como recurso nesse tipo de texto. Essa imagem é utilizada a fim de comover o interlocutor, uma vez que o locutor conhece as vozes sociais a ela associadas e disso se utiliza capciosamente. O locutor, então, retoma valores comuns da sociedade que se identificam com a realidade do consumidor, para que a mensagem se torne familiar e de fácil percepção.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Neste trabalho, observar-se-á a relação dialógica existente em textos publicitários e a sociedade, produzidas a partir do uso da imagem da criança como estratégia principal. Para tanto, serão usadas propagandas com imagens de criança, retiradas da revista Veja dos anos de 2006 e 2007, classificadas em três categorias. São elas: utilização da imagem da criança como voz para convencer os pais; a imagem da criança como “centro” da família e a ajuda à criança (responsabilidade social).&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;No círculo de Bakhtin, o termo ideologia adquire sentido mais amplo, como Faraco (2003, p. 46) esclarece:&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;A palavra ideologia é usada, em geral, para designar o universo dos produtos do “espírito” humano, aquilo que algumas vezes é chamado por outros autores de cultura imaterial ou produção espiritual (talvez como herança de um pensamento idealista); e, igualmente, de formas da consciência social (num vocabulário de sabor mais materialista). Ideologia é o nome que o círculo costuma dar, então, para o universo que engloba a arte, a ciência, a filosofia, o direito, a religião, a política, ou seja, todas as manifestações superestruturais (para usar uma certa terminologia marxista).&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Percebe-se que o termo ideologia não é fechado no entorno marxista, e não é considerado em sentido restrito, linear. Portanto, deve ser considerada como área de expansão das criatividades intelectual e cultural. Tudo que for produzido por meio de qualquer área do conhecimento humano precisa ser inserido na realidade concreta da qual participa.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Miotello (2005) chama a atenção para o fato de que ideologia não tem um conceito pronto e acabado segundo o círculo de Bakhtin, que a concebe não apenas na consciência individual do homem, mas sim, inserida em questões filosóficas de várias naturezas, sem absorver apenas a perspectiva idealista. Bakhtin (apud Miotello, 2005, p. 169) posiciona-se: “Por ideologia entendemos o conjunto dos reflexos e das interpretações da realidade social e natural que tem lugar no cérebro do homem e se expressa por meio de palavras (...) ou outras formas sígnicas”.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Miotello (2005) conclui que não se pode tratar a ideologia como falsa consciência, ou uma simples expressão de idéia, mas como expressão de uma tomada de posição determinada. Segundo ele, Bakhtin e seu círculo reconstruíram o conceito inicial de ideologia, colocando a ideologia do cotidiano ao lado da ideologia oficial. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Enquanto a ideologia oficial é a dominante, que busca estabelecer a concepção de mundo que interessa a seus propósitos como certa; por outro lado, a ideologia do cotidiano é aquela que é constituída a partir das relações cotidianas, nas condições de produção e reprodução da vida, defendendo concepções contra-hegemônicas. Ao passo que esta é considerada relativamente instável por ser “acontecimento”, a outra é estável, uma vez que é considerada como conteúdo ou estrutura.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;De acordo com a concepção de ideologia para Bakhtin, as ideologias, estáveis e instáveis, estão em constante movimento, participando da composição do signo. Portanto, há uma forte conexão entre ideologia e o estudo da linguagem. Acerca desta relação, Miotello (2005, p. 170) explica: “Objetos materiais do mundo recebem função no conjunto da vida social, advindos de um grupo organizado no decorrer de suas relações sociais, e passam a significar além de suas próprias particularidades materiais”.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Assim, cada signo, além de seu sentido físico-material e sócio-histórico, representa uma certa realidade, contém valores dela, desmascarando-a. Desse modo, todo signo é ideológico; sem eles, a ideologia não existe, e vice-versa.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Nessa&lt;/span&gt; perspectiva, a imagem ou figura no texto publicitário é muito mais do que um simples fato, pois nela estão contidos valores que ratificam a ideologia oficial. Portanto, a imagem tal qual expressa e apresentada na publicidade também é um signo ideológico, uma vez que está associada a outros inúmeros aspectos verbais e não-verbais do texto, que a contextualizam e compõem sentido. Este, naturalmente, condicionado pelas intenções argumentativas, persuasivas do “locutor publicitário”.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Intenciona-se evidenciar o trabalho do fotógrafo e jornalista Oliviero Toscani, em campanhas feitas para a empresa Benetton,além de outras grifes, que divulgam uma concepção de sujeito atrelada à irreverência, à ironia, à acuidade na percepção crítica de aspectos da realidade, enfim, toda um visão de mundo específica e bastante peculiar. Oliviero Toscani propôs uma “venda” diferenciada de produtos vários, entre lingeries, óculos, roupas em geral, assim como edredons, lençóis, toalhas etc. Nesse sentido, as campanhas publicitárias dialogam – por meio &lt;span style="color:#000000;"&gt;de textos verbais e não-verbais – com uma sociedade que, justaposta em frente ao “espelho” publicitário de Toscani, não se reconhece, pelo contrário, repudia a sua “própria imagem”. Tal qual se pode notar nas propagandas a seguir,&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_sX3TUtTFFXs/SumS30cA2UI/AAAAAAAAAcc/ttGk-W5OU1I/s1600-h/1.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 200px; HEIGHT: 138px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5398007116046850370" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_sX3TUtTFFXs/SumS30cA2UI/AAAAAAAAAcc/ttGk-W5OU1I/s200/1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Essa imagem mostra o foco principal da empresa Benetton, uma vez que a aposta principal da empresa consistia em mostrar a união de todas as cores e &lt;span style="color:#000000;"&gt;etnias distintas&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_sX3TUtTFFXs/SumTuFyaKbI/AAAAAAAAAck/G_xdyjwOPWg/s1600-h/2.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 200px; HEIGHT: 142px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5398008048417122738" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_sX3TUtTFFXs/SumTuFyaKbI/AAAAAAAAAck/G_xdyjwOPWg/s200/2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_sX3TUtTFFXs/SumUuLVmGRI/AAAAAAAAAcs/v7k5O5vo0sM/s1600-h/3.jpg"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:100%;color:#000000;"&gt;&lt;img style="WIDTH: 200px; HEIGHT: 134px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5398009149418510610" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_sX3TUtTFFXs/SumUuLVmGRI/AAAAAAAAAcs/v7k5O5vo0sM/s200/3.jpg" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Estas duas imagens mostram a possibilidade do amor inter racial, uma vez que as vestimentas são em cores preto em branco, além das cores dos pelos dos cavalos. Além disso, evidencia a crítica contundente aos comportamentos de membros da igreja católica. Há também a possibilidade de um aspecto subliminar no que se refere a sexualidade dos cavalos, uma vez que, conforme disse um grupo de estudantes da USP, há a possibilidade de serem dos dois animais do sexo masculino na&lt;span style="color:#000000;"&gt; imagem dos animais.&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_sX3TUtTFFXs/SumUyshjNsI/AAAAAAAAAc0/BJjQUac9e8Y/s1600-h/4.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 200px; HEIGHT: 99px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5398009227046500034" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_sX3TUtTFFXs/SumUyshjNsI/AAAAAAAAAc0/BJjQUac9e8Y/s200/4.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Esta campanha evidencia o desejo de manter a estética do corpo perfeito, sem a preocupação com a saúde, tudo em função da premazia da beleza. Nota-se a expressão da modelo que posa para a foto, julgando estar de acordo com esses padrões exigidos pela ‘moda’, sem perceber que sofre da doença em questão. Oliviero, em seu livro, afirma que&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“A publicidade em geral está morta, é um cadáver que fede e sobre o qual continuam jogando grandes garrafas de perfume francês. É uma imunda podridão”.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os textos-propagandas de Toscani exprimem discursos-proibidos, que não se encaixam com a espectativa que a sociedade tem dela mesma, ou ainda, com a visão do self que realiza sobre si. Evidenciam, assim, o preconceito contra os aidéticos e os portadores de doenças contagiosas, o racismo, a homossexualidade, o trabalho infantil escravo, a violência doméstica, enfim, Toscani objetiva desnudar as vicissitudes sociais que se distanciam dos padrões vigentes e valorizados na pós-modernidade, pela ideologia hegemônica.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;REFERÊNCIAS&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;BAKHTIN, Mikhail. Marxismo e Filosofia da Linguagem. São Paulo: Hucitec, 1992.&lt;br /&gt;_______. Os gêneros do discurso. In: –––. Estética da criação verbal , [trad. francês : Maria Ermantina Galvão; revisão : Marina Appenzeller]. 2ª. ed. São Paulo: Martins Fontes , 1997.&lt;br /&gt;_______. Estética da criação verbal. Tradução Paulo Bezerra. São Paulo: Martins Fontes, 2003.&lt;br /&gt;BRAIT, Beth. Bakhtin: conceitos-chave. São Paulo: Contexto, 2003.&lt;br /&gt;CLARCK, Katerina. Michel Holquist; Tradução j. Guinsburg – São Paulo: Perspectiva, 2004.&lt;br /&gt;DISCINI, Norma. O estilo nos textos: história em quadrinhos, mídia, literatura. São Paulo: Contexto, 2003.&lt;br /&gt;MIOTELLO, V.; NAGAI, E.; COVRE, A. et al. Quimera e a peculiar atividade de formalizar a mistura do nosso café com o revigorante chá de Bakhtin. São Carlos (SP): Grupo de Estudos dos Gêneros do Discurso – GEGE, 2004.&lt;br /&gt;TOSCANI, Oliviero. A publicidade é um cadáver que nos sorri. Rio de Janeiro: Ediouro, 1996.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a style="mso-footnote-id: ftn1" title="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2651107604259160564#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt; Neste trabalho, priorizaremos a referência de Self e Selves (“eu” e “eus” respectivmente), em função do referencial teórico da (tradução), por não haver, na língua portuguesa, a palavra “eus” (no plural).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2651107604259160564-3043648852164856369?l=conversasbakhtinianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasbakhtinianas.blogspot.com/feeds/3043648852164856369/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2651107604259160564&amp;postID=3043648852164856369&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2651107604259160564/posts/default/3043648852164856369'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2651107604259160564/posts/default/3043648852164856369'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasbakhtinianas.blogspot.com/2009/10/o-espelho-infiel-quando-publicidade.html' title='O ESPELHO INFIEL: QUANDO A PUBLICIDADE REFLETE O DISCURSO PROIBIDO'/><author><name>GEGe -  Grupo de Estudos de Gêneros do Discurso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06927853979162145692</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_sX3TUtTFFXs/SumS30cA2UI/AAAAAAAAAcc/ttGk-W5OU1I/s72-c/1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2651107604259160564.post-3360159727984059811</id><published>2009-10-29T05:40:00.000-07:00</published><updated>2009-10-29T05:44:34.392-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='1-O pensamento bakhtiniano na atualidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='1c-Educação e a dialogia na atualidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Priscila Penna Ferreira'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='1b-O humano e as subjetividades na contemporaneidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='1a As ideologias contemporâneas'/><title type='text'>O Dialogismo para Bakhtin – conseqüências da criação desse conceito para os estudos de gramática e de literatura</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Priscila Penna Ferreira&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;O que Bakhtin tinha em mente era constituir uma ciência que fosse além da lingüística, examinando o funcionamento real da linguagem em sua unicidade e não somente o sistema virtual que permite esse funcionamento.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Para ele a língua, em sua totalidade concreta, viva, em seu uso real, tem a propriedade de ser dialógica. Todos os enunciados no processo de comunicação independentemente de sua dimensão são dialógicos. Para Bakhtin o dialogismo é as relações de sentido que se estabelecem entre dois enunciados, pois ele acreditava que não havia nenhum objeto que não aparecesse cercado embebido em discursos. Por isso, todo discurso que fale de qualquer objeto não está voltado para a realidade (em si), mas para os discursos que a circundam. Portanto, toda palavra dialoga com outras palavras.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Todo texto é marcado pela bivocalidade, isto é, pela voz que o ordena e pelas vozes mobilizadas e que ali ressoam.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Sabendo que todos os enunciados são dialógicos, ou seja, toda palavra dialoga com todas as palavras, chega-se à conclusão de que não basta saber o significado das unidades lingüísticas que o compõem; como é o caso da gramática, é indispensável a percepção das relações dialógicas que trata com os outros enunciados, tal qual, é o produto de uma manifestação valorativa,&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Se na prática realmente adotasse os pensamentos bakhtinianos sobre presente assunto, as aulas passariam a ter mais valor, e mais razão para os estudantes. Como exemplo, as aulas de literatura; os alunos teriam mais liberdade de analisar os textos literários, com isso o aprendizado seria mais eficaz e eficiente.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Referências:&lt;br /&gt;BAKHTIN, M. Estética da criação verbal. São Paulo: Martins Fontes, 1992.FIORIN: José Luiz de. Introdução ao pensamento de. Bakhtin. São Paulo: Ática, 2006&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2651107604259160564-3360159727984059811?l=conversasbakhtinianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasbakhtinianas.blogspot.com/feeds/3360159727984059811/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2651107604259160564&amp;postID=3360159727984059811&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2651107604259160564/posts/default/3360159727984059811'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2651107604259160564/posts/default/3360159727984059811'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasbakhtinianas.blogspot.com/2009/10/o-dialogismo-para-bakhtin-consequencias.html' title='O Dialogismo para Bakhtin – conseqüências da criação desse conceito para os estudos de gramática e de literatura'/><author><name>GEGe -  Grupo de Estudos de Gêneros do Discurso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06927853979162145692</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2651107604259160564.post-4996053361721789695</id><published>2009-10-26T03:12:00.000-07:00</published><updated>2009-11-04T13:47:24.370-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='1-O pensamento bakhtiniano na atualidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Alzira da Penha Costa Davel'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='1a As ideologias contemporâneas'/><title type='text'>A Produção de Sentidos em Propaganda à luz dos conceitos bakhtinianos de dialogia e responsividade</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: trebuchet ms;font-size:85%;" &gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="font-family: trebuchet ms; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Alzira da Penha Costa Davel&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabe-se que muitos postulados bakhtinianos escritos no início do século XX só se tornaram conhecidos posteriormente. Porém, por ser um homem à frente de sua época, suas idéias estão presentes na sociedade contemporânea, em diversos gêneros discursivos e/ou escritos: nos filmes, nos romances, nas propagandas, entre outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo Bakhtin (2003), a linguagem social é para o discurso próprio de uma determinada parcela ou estrato da sociedade, dentro de um sistema social específico e num dado espaço de tempo. Ela está inserida no idioma nacional e com ele se conecta, embora possam ser vistos de modo independente um do outro. Para o autor, o texto publicitário envolve aspectos importantes que estão relacionados ao momento da enunciação. A propaganda está ligada aos acontecimentos de seu tempo, explorando fatos e coisas que ocorrem no cotidiano das pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na interação da linguagem, está sempre presente um “jogo”, com objetivos e fins a serem atingidos. Há relações que se deseja estabelecer, efeitos a causar, comportamentos a serem desencadeados, ou seja: pretende-se atuar sobre o outro de determinada maneira e obter dele reações (verbais ou não-verbais).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De acordo com a teoria do dialogismo bakhtiniano, o discurso é, essencialmente, polifônico, caracterizando-se por um jogo de vozes, de discursos, num constante diálogo. Portanto, o dialogismo constitui-se o princípio da linguagem que é, por excelência dialógica, um cruzamento constante de discursos, mostrando as diferentes vozes que nele se realizam. O sujeito, ao falar, entende o seu interlocutor não somente como um receptor (o sujeito não é apenas um emissor), mas como alguém com quem ele irá contrapor o seu discurso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para analisar a peça da campanha publicitária da Hortifruti S/A, a seguir, veiculada no suporte ‘outdoor’ e instalada pela empresa MP e TKG, na Grande Vitória, em 2006, utilizamos as noções bakhtinianas de dialogia e de responsividade, relevantes para o universo da interação verbal na propaganda:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_sX3TUtTFFXs/SvH11pOZv8I/AAAAAAAAAds/tXRepY4iWbo/s1600-h/imagem.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 133px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_sX3TUtTFFXs/SvH11pOZv8I/AAAAAAAAAds/tXRepY4iWbo/s400/imagem.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5400367730142068674" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;ABOBRINHA DECLARA: “Sempre penso antes de falar”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dialogismo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De acordo com Bakhtin (2003, p. 294-295):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nosso discurso, isto é, todos os nossos enunciados (inclusive as obras criadas) é pleno de palavras dos outros, de um grau vário de alteridade ou de assimilabilidade, de um grau vário de aperceptibilidade e de relevância. Essas palavras dos outros trazem consigo a sua expressão, o seu tom valorativo que assimilamos, reelaboramos, e reacentuamos.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;Pode-se dizer que nesse processo, a linguagem é uma ponte entre os interlocutores, ou seja, as palavras do locutor (enunciado) representam as palavras do interlocutor (o outro), que é co-participante, não meramente passivo. Em outras palavras, há uma ressignificação por parte do interlocutor que é carregada do significado da mensagem do locutor. A campanha oferece o seu produto que, por sua vez, garante a sua própria qualidade (sempre penso antes de falar), assumindo também um papel na sociedade, configurando-se, assim, um jogo dialógico, de interação discursiva.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atitude responsivo-ativa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bakhtin (1995, p. 113, grifos do autor) diz que:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[...] toda palavra comporta duas faces. Ela é determinada tanto pelo fato de que procede de alguém, como pelo fato de que se dirige para alguém. Ela constitui ju&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;stamente o produto da interação do locutor e do ouvinte. Toda palavra serve de expressão a um em relação ao outro. Através da palavra, defino-me em relação ao outro, isto é, em última análise, em relação à coletividade. A palavra é uma espécie de ponte lançada entre mim e os outros. Se ela se apóia sobre mim numa extremidade, na outra apóia-se sobre o meu interlocutor. A palavra é o território comum do locutor e do interlocutor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O conceito de atitude de responsividade-ativa de Bakhtin (1995) se evidencia nesse discurso/enunciado em que a interação verbal se dá através da linguagem metafórica, no qual o legume adquire uma função personificada e assume a responsabilidade de que, em nossa cultura, “falar abobrinha”, no sentido popular, significa falar irrefletidamente, sem pensar. A “abobrinha”, ao&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; ser personificada, ganha um lugar de destaque como um membro da sociedade, que possui bom senso, ética e não comete “gafes” ao falar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sujeito, para Bakhtin, se inter-relaciona socialmente, compromete-se com os seus atos, com os demais, enfim, com o mundo que o cerca. Ao mesmo tempo em que a comunicação publicitária objetiva motivar e persuadir as pessoas ao consumo, esse tipo de discurso possui caráter ideológico, cujas características estão associadas aos desejos do interlocutor.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;BAKHTIN, Mikhail. Marxismo e Filosofia da Linguagem. Trad. Michel Lahud e Yara Frateschi. 7. ed. São Paulo: Hucitec, 1995.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;______. Estética de Criação Verbal. Trad. Paulo Bezerra. 4. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2003.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText" style="margin-left: 18pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;!--[if gte vml 1]&gt;&lt;o:wrapblock&gt;&lt;v:shapetype id="_x0000_t75" coordsize="21600,21600" spt="75" preferrelative="t" path="m@4@5l@4@11@9@11@9@5xe" filled="f" stroked="f"&gt;   &lt;v:stroke joinstyle="miter"&gt;   &lt;v:formulas&gt;    &lt;v:f eqn="if lineDrawn pixelLineWidth 0"&gt;    &lt;v:f eqn="sum @0 1 0"&gt;    &lt;v:f eqn="sum 0 0 @1"&gt;    &lt;v:f eqn="prod @2 1 2"&gt;    &lt;v:f eqn="prod @3 21600 pixelWidth"&gt;    &lt;v:f eqn="prod @3 21600 pixelHeight"&gt;    &lt;v:f eqn="sum @0 0 1"&gt;    &lt;v:f eqn="prod @6 1 2"&gt;    &lt;v:f eqn="prod @7 21600 pixelWidth"&gt;    &lt;v:f eqn="sum @8 21600 0"&gt;    &lt;v:f eqn="prod @7 21600 pixelHeight"&gt;    &lt;v:f eqn="sum @10 21600 0"&gt;   &lt;/v:formulas&gt;   &lt;v:path extrusionok="f" gradientshapeok="t" connecttype="rect"&gt;   &lt;o:lock ext="edit" aspectratio="t"&gt;  &lt;/v:shapetype&gt;&lt;v:shape id="_x0000_s1026" type="#_x0000_t75" style="'position:absolute;" allowincell="f"&gt;   &lt;v:imagedata src="file:///C:\Users\user\AppData\Local\Temp\msohtmlclip1\01\clip_image001.png" title=""&gt;   &lt;w:wrap type="topAndBottom"&gt;  &lt;/v:shape&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if !vml]--&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;  &lt;table cellpadding="0" cellspacing="0"&gt;   &lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;    &lt;td width="48" height="0"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;   &lt;/tr&gt;   &lt;tr&gt;    &lt;td&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;    &lt;td&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;   &lt;/tr&gt;  &lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;  &lt;/span&gt;  &lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;!--[if gte vml 1]&gt;&lt;/o:wrapblock&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2651107604259160564-4996053361721789695?l=conversasbakhtinianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasbakhtinianas.blogspot.com/feeds/4996053361721789695/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2651107604259160564&amp;postID=4996053361721789695&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2651107604259160564/posts/default/4996053361721789695'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2651107604259160564/posts/default/4996053361721789695'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasbakhtinianas.blogspot.com/2009/10/producao-de-sentidos-em-propaganda-luz.html' title='A Produção de Sentidos em Propaganda à luz dos conceitos bakhtinianos de dialogia e responsividade'/><author><name>GEGe -  Grupo de Estudos de Gêneros do Discurso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06927853979162145692</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_sX3TUtTFFXs/SvH11pOZv8I/AAAAAAAAAds/tXRepY4iWbo/s72-c/imagem.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2651107604259160564.post-6790599005944336839</id><published>2009-10-26T03:02:00.000-07:00</published><updated>2009-10-26T03:12:21.990-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ana Lídia da C. R. Maracahipe'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='1c-Educação e a dialogia na atualidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='1b-O humano e as subjetividades na contemporaneidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='1a As ideologias contemporâneas'/><title type='text'>Expressão nominal definida: representações sociais em textos midiáticos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Ana Lídia da Conceição Ramos Maracahipe&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; (UFPA) &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;No processo de comunicação entre os sujeitos muitos são os recursos utilizados, desde os textos verbais até os não-verbais, na tentativa de se atribuir sentido aos mais variados enunciados (BAKHTIN, 1997a, 1997b, 1999). Essa produção de sentidos, por sua vez, é tributária da cultura da qual fazemos parte (ESCOSTEGUY, 2000, 2001). É ela que nos possibilita ter acesso aos mecanismos de representação da realidade. A linguagem, dentro dessa imersão, é o que nos permite presentificar, partilhar, nominalizar a realidade. Com este enfoque, o contexto sócio-histórico passa a integrar um elo entre a materialidade lingüística produzida e a interpretação dos sentidos de um texto. Isso acontece de tal modo que, nas primeiras escolhas do material lingüístico que os sujeitos utilizam na interação, o processo já é eminentemente intencional. E é nessa busca do ‘querer-dizer’ que o processo de referenciação recai no terreno complexo que é a cultura, uma vez que a interpretação dos sentidos dependerá do conhecimento partilhado por esses indivíduos. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Diante dessas considerações, entende-se que urge a necessidade de modificar a paisagem sombria da sala de aula tradicional, de mudar a percepção equivocada de que o estudante é um sujeito passivo e de que a escola é o único local no qual emerge o conhecimento. A mudança significa, antes de tudo, conceber a educação como um processo inacabado, contínuo, no qual o aluno é ao mesmo tempo ator e diretor do seu processo de ensino e de aprendizagem. Assim sendo, retomamos novamente a idéia de sujeito que forma e é formado por meio da cultura. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Ressaltamos, a partir dessas considerações, que o objetivo principal deste ensaio recai sobre a necessidade de estimular a prática de textos midiáticos em sala de aula. É importante lembrar, no entanto, que esta proposta deve levar em consideração as especificidades que esses textos possuem e os pré-requisitos que são necessários para lê-los, já que a legitimidade do campo dos media é proveniente do reconhecimento, por parte dos outros campos, da competência deste em selecionar e em distribuir a informação em grande escala no sistema heterogêneo e complexo que é a sociedade. Nesse esforço de pensar a linguagem como constituinte da cultura e como realidade fundamental da língua, este trabalho foi realizado com a intenção de contribuir para a abordagem do processo de referenciação, com ênfase principalmente ao uso de expressões nominais definidas em texto midiático, entendendo-o como processo dinâmico, cultural, interacional. O trabalho propõe uma reflexão sobre a utilização dessas expressões, como fonte de construção de identidade(s) no processo de formação de (pré)conceitos, caracterizados pela construção de expressões pejorativas. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Quanto aos encaminhamentos metodológicos, interessa-nos apontar sucintamente como essas expressões são utilizadas em texto midiático, especificamente coletado em mídia escrita. Propaganda da Folha de São Paulo, incluída na revista Veja de 05 de fevereiro de 1997, que aborda, de maneira peculiar, os grandes momentos políticos do Brasil, selecionada pela sua relevância histórica e pelos mecanismos verbais e não-verbais que apresenta. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;POR UMA PERSPECTIVA ENUNCIATIVA PAUTADA NO PROCESSO DIALÓGICO &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Pertencente a uma época na qual os estudiosos da linguagem separavam as noções de língua e de sujeito do contexto sócio-histórico mais imediato, Bakhtin (1997a, 1997b, 1999), em outra direção, traça um percurso teórico-metodológico importante e inovador para a concepção de língua, de processo de comunicação verbal e de cultura. É assim que a língua, o sujeito e a cultura estão entremeados e por esse motivo não podem ser dissociados, considerados de forma desconectada. A língua, assim, é um lugar privilegiado para as manifestações enunciativas; a linguagem, por sua vez, é elo de interação entre os sujeitos e, também, mediação desses com a realidade. Para Bakhtin, o sujeito constitui-se no diálogo com o outro e nas situações discursivas em que se encontra inserido, das quais participa direta ou indiretamente. A partir desse enfoque, entende-se que é no processo de interação verbal – realização concreta e fundamental da língua – que ocorrem as mais diversas trocas sociais e negociações intersubjetivas entre os sujeitos. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Considerando que a utilização da linguagem se dá por meio de enunciados, partimos do princípio de que esses refletem as condições específicas e as finalidades comunicativas dos sujeitos. Isso ocorre evidenciando uma rica e variada forma de efetivação das atividades humanas, razão pela qual cada esfera elabora determinados tipos de enunciados relativamente estáveis. A essa “interconexão da linguagem com a vida social” (FIORIN, 2006, p.61), realizada por meio de enunciados, Bakthin denominou de gêneros discursivos ou gêneros do discurso. Sendo assim, a competência sociocomunicativa dos sujeitos aciona os mecanismos do que é (in)adequado em cada uma das práticas sociais existentes no dia-a-dia, razão pela qual os gêneros discursivos são considerados formas relativamente estáveis – tomadas pelos enunciados, de acordo com as situações de uso. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Outra contribuição importante para entender a relação desses sujeitos com a linguagem e com o contexto social no qual eles estão inseridos é dada pelos estudos culturais. No escopo desses estudos, nas relações existentes entre as formas, as instituições e as práticas culturais o indivíduo ocupa, em uma acepção mais abrangente de cultura, diversas posições e/ou identidades, transformando-se tanto em assunto para estudos quanto em reflexo dos processos de interação, o que os tornam descentrados e múltiplos. Por esse olhar a produção de sentido é preponderantemente cultural. Tal perspectiva colabora para com a concepção de sujeito movente, incompleto e ativo, proposta por Bakhtin, a qual propicia um olhar diferenciado sobre os produtos midiáticos, artísticos, entendidos como produtos culturais, elaborados, produzidos e experienciados por sujeitos sócio-historicamente situados, repletos de discursos e ideologias.Para elaboração desse trabalho, adotamos o conceito de texto como a materialização de discursos – o modo pelo qual os discursos são concretizados, bem como o de identidades como modo de os indivíduos se sentirem pertencentes de uma comunidade semiótica específica, e de serem reconhecidos nos processos de interação. É assim que entendemos a importância do contexto sócio-histórico (cultural) e a questão da subjetividade como um meio de investigar as posições que os sujeitos ocupam nas várias esferas sócio-discursivas de produção da linguagem.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;EXPRESSÕES NOMINAIS DEFINIDAS COMO PROCESSO DE REFERENCIAÇÃO&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;= &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;A ampliação do conceito de texto demonstra que qualquer produção textual está inserida nas condições de sua produção. Como conseqüência, os enunciadores, ao elegerem, interpretarem e manipularem os mecanismos de referenciação que servirão para explicitar ao interlocutor os objetos-de-discurso de que tratam, estão na verdade evidenciado um (pré)conceito ou um ponto de vista, por meio das operações de categorização e de identificação. Por essa razão, Cortez (2003, p.15) aponta que é esse encadeamento referencial que “configura a orientação interpretativa do texto”, e que também “contribui para a formação de cadeias coesivas e para o andamento do tópico”, na tessitura textual. Assim, para se realizar uma leitura proficiente e adequada em práticas sociais, faz-se necessário conhecer alguns aspectos interativos da língua capazes de nos propiciar a racionalização de fenômenos relativos à coesão e à coerência enquanto fatores formais e conceituais da língua, diretamente associados à construção do sentido. Para isso, é necessário se valer de estratégias que partam do pressuposto de que a linguagem é uma atividade interativa, discursiva, interdiscursiva e funcional.Para tanto as condições procedentes do uso da língua dependem diretamente da relação contextual em que são produzidas. No mesmo contexto, à medida que o discurso é (re)constituído, a língua se revela por suas possibilidades múltiplas e significativas, com o objetivo de ativar uma determinada informação presente na memória discursiva do interlocutor. Assim, de acordo com Koch (2006), é possível entender que a realidade é constituída dentro desse processo de representação contínua. Processo que é utilizado nas interações humanas como mecanismo de referenciação para dar coerência às nossas intenções comunicativas e para possibilitar a atribuição de sentido entre os participantes do discurso. Nesse caminho, a referência é considerada como o resultado da operação lingüística daquilo que empregamos, tanto para designar, quanto para representar ou sugerir algo. Desse modo, quando os sujeitos criam termos, nomes, designações, atributos, por meio de mecanismos lingüísticos, estão na verdade utilizando representações dos objetos-de-discurso.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;EXPRESSÕES NOMINAIS IN/DEFINIDAS&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Na perspectiva de Koch (2006), a referenciação é um processo realizado no discurso, por isso ao tratar da progressão referencial, situa as expressões nominais definidas como uma das principais estratégias desse processo. Primeiro, por essas expressões serem um dos recursos coesivos mais férteis, no âmbito textual; segundo, porque elas funcionam tanto como anáforas, quanto como catáforas. Outra característica importante das expressões nominais é o fato de se tratarem de recursos argumentativos que rotulam, predicam, orientam a interpretação dos sentidos de um texto. Assim, de acordo com Koch (2006), denominam-se expressões ou formas nominais definidas os mecanismos lingüísticos constituídos, minimamente, de um determinante, definido ou demonstrativo, seguido de nome. Em outros casos, é constituída de determinante + Modificadores (adjetivo, oração relativa) + Nome + Modificadores. Quando construída a partir de um pronome demonstrativo a expressão nominal definida tem função de mostrar, de situar o interlocutor em um dado contexto discursivo. Já quando precedida pelo artigo definido, a expressão dá caráter existência àquilo a que se refere. Quanto ao uso da expressão nominal indefinida é importante salientar que ela é constituída por artigo indefinido (um) + Nome. O uso do indefinido tem dentre outras estratégias a de dar continuidade a construção do referente, cuja função é anafórica. Nessa perspectiva, as expressões nominais definidas enquadram-se como “elos” coesivos utilizados para imprimir uma determinada impressão sobre o objeto-de-discurso. Isto significa dizer que a utilização dessas formas sempre sugere uma escolha, relacionada à propriedade, à “qualidade” que caracteriza o referente. Tal seleção é realizada em decorrência do contexto situacional e dos propósitos que deverão ser atingidos pelo locutor, o que implica a ativação dos conhecimentos supostamente partilhados entre os interlocutores. Por essa razão, constatamos que a multiplicidade de significados atribuídos pela utilização das expressões nominais definidas é decorrente da atividade discursiva nas relações sociais, que envolve não só os fatores lingüísticos, mas também os ideológicos e os culturais. No processo de construção das expressões nominais definidas, na comunidade semiótica que envolve a cultura brasileira, dá-se um fenômeno lingüístico-social no qual a representação dos sujeitos ou dos objetos referidos apoia-se em aspectos grotescos destes, construindo imagens sociais caricatas, exageradas exatamente no que apresentam de feio, nocivo, engraçado. Para Bhabha (1998) o estereótipo é uma estratégia discursiva, é uma forma de conhecimento e identificação que vacila entre o que estar sempre “no lugar”, já conhecido, e algo que deve ser ansiosamente repetido. Dessa forma, as expressões nominais definidas não se caracterizam tão-somente enquanto formas lingüísticas capazes de instituir co-referencialidade entre um vocábulo ou a uma expressão determinada, mas de (re)significar o plano real. Em outras palavras, é por meio dela que podemos (des)dizer, da maneira que nos convêm, a realidade pela qual concebemos o mundo. Portanto, a relevância desse trabalho incide na necessidade de percebermos a maneira “peculiar” pela qual somos levados – por questões ideológicas e culturais – a utilizar as expressões nominais definidas, centrando o foco deste estudo na questão do sujeito. Para tanto, o corpus para análise evidencia o quão tais expressões “constroem um sujeito” de forma caricata, aumentando-lhe os aspectos grotescos.Os atos de ler, de escrever, de consumir deveriam estar ligados diretamente à reflexão crítica, mais que isso, deveriam ser usados como forma de agir na/da sociedade, na busca pelos direitos de cada cidadão; como possibilidade de desenvolver social e culturalmente as habilidades e competências dos alunos em sala de aula; como mecanismo crítico e comprometido com a sociedade, pelos veículos de comunicação. Ainda que distantes algumas dessas ações elas são viáveis e simples, desde que haja interesse e comprometimento por parte dos professores. Ler os mais variados gêneros midiáticos, em tempos de internet, já é uma ação possível para as nossas escolas. Já realizar a leitura eficiente desses meios, ainda é um desafio. Por isso, nossa proposta é trazer um desses gêneros para discussão, por meio de uma análise discursiva/textual.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;BAKHTIN, M.(VOLOCHINOV). Marxismo e filosofia da linguagem. São Paulo: Editora Hucitec, 1997a.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;_________. Estética da Criação verbal. São Paulo: Martins Fontes, 1997b.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;_________. A cultura popular na Idade Média e no renascimento: o contexto de François Rabelais. São Paulo: Editora Hucitec, 1999.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;BHABHA, Homi K. O local da cultura. Belo Horizonte:Editora UFMG, 1998. CHARAUDEUA, Patrick. Discurso das mídias. São Paulo: Contexto, 2006.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;CHIAVENATO, Júlio J. O golpe de 64 e a ditadura militar. São Paulo: Moderna, 1994. CORTEZ. Suzana Leite. Referenciação e construção do ponto de vista. Campinas, SP: [s.n], 2003/ Dissertação (mestrado) Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Estudos da Linguagem. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;ESCOSTEGUY, Ana Carolina. Estudos Culturais: uma introdução. IN: SILVA, Tomaz Tadeu (Org). O que é afinal Estudos Culturais. Belo Horizonte, Autêntica, 2000._____________. Os Estudos Culturais. IN: HOHLFELDT, Antonio; MARTINO, Luiz C. &amp;amp; FRANÇA, VERA, Veiga (Orgs). Teorias da Comunicação: Conceitos, Tendências e Debates. Petrópolis, RJ: Vozes, 2001.FIORIN, Jose Luis. Introdução ao Pensamento de Bakhtin. 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Do carro de boi, das cangas, dos chapéus envelhecidos, do charque. Amarelo das doenças, das remelas dos olhos dos meninos, das feridas purulentas, dos escarros, das verminoses, das hepatites, das diarréias, dos dentes aprodecidos... Tempo interior amarelo. Velho, desbotado, doente.” crônica de Renato Carneiro Campos, Tempo Amarelo.       &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Amarelo Manga constitui-se em um texto fílmico que apresenta signos sociais sob uma perspectiva carnavalizante, com a ênfase na versão mórbida que liga vida e morte; na bissexualidade e na prática de travestismo como fuga dos papéis sexuais rígidos e socialmente impostos. Apresenta a celebração do grotesco, das partes inferiores e dos “excessivos” como recusa de qualquer visão puritana e como agressão provocadora da estética clássica e apolínea; apresenta, ainda, a idéia de inversões sociais e a subversão dos valores (Stam, 1992). Toca, assim, uma diversidade de sentidos e sensações sinestésicas que provocam no leitor/espectador um redimensionamento de suas percepções cognitivas e posicionamentos subjetivos, provocando mal-estar. Propõe-se, portanto, neste trabalho, uma análise pautada do diálogo entre o processo enunciativo, próprio dos estudos lingüísticos, discursivos, e o processo cinematográfico. Ambos direcionados à subversão dos símbolos, dos padrões, das convenções estabelecidos no paradigma capitalista.       &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;A linguagem é o locus em que a ideologia se manifesta concretamente, por isso ela é o palco dos conflitos, dos confrontos ideológicos; enquanto discurso, ela constitui um universo de signos que vai além de um simples instrumento de comunicação ou suporte de pensamento (Brandão, 1997, p.2). A partir dessas afirmações conclui-se que a linguagem tem que ser estudada dentro do contexto social, pois seus processos constitutivos são histórico-ideológicos.       &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;As idéias de Bahktin sobre a linguagem, concebida de um ponto de vista histórico, cultural e social, perpassam pelo viés das relações dialógicas, pertencentes ao campo do discurso – a língua enquanto fenômeno integral concreto; dos processos enunciativos, onde o enunciado e as particularidades de sua enunciação estabelecem o processo interativo, isto é, o verbal e o não-verbal, que compõem a situação e, ao mesmo tempo, fazem parte de um contexto histórico maior (enunciados, discursos, sujeitos etc.) (Brait, 2005).       &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Nestas relações, a palavra é sempre a palavra do Outro, que inseparável do Eu, permanece refratário a toda categoria que queira eliminar sua alteridade e subjugá-lo à identidade do Eu; construir seu mundo para se construir é uma necessidade existente entre o Eu e o Outro, uma vez que não há uma diferença distintiva, pois isso os colocaria em oposição e transformaria a alteridade em algo relativo, tendo desta forma a alteridade dialética, excludente, e não a dialógica, inclusiva, conforme Miotello esclarece. (2004).      &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Assim, para que o sujeito seja construído é preciso interagir com um outro, com os seus enunciados. E isso é fomentado em todo seu percurso de vida, na mesma medida que, esse sujeito sofre influências, vai também agindo (respondendo) sobre/aos outros.  A consciência individual construída é um fato sócio-ideológico. Essa alternância dos sujeitos falantes que tece fronteiras estritas entre os enunciados nas diversas esferas da atividade e da existência humana, conforme as condições de produção, (Bakhtin,1997) é o que  vai moldar os discursos.       &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;É por isso que a cada processo enunciativo, o sujeito atualiza seu texto, que é irreproduzível e novo na cadeia histórica da comunicação verbal. O texto será o reflexo subjetivo de um mundo objetivo; a expressão de uma consciência refletora de algo. Esse, quando transformado em objeto cognitivo se torna o reflexo de um reflexo já lançado, cuja compreensão é o reflexo preciso de reflexo, num jogo de espelhos dos sujeitos no mundo (de seus valores, suas crenças, suas noções sobre elementos da vida e da morte), que chega ao objeto refletido. Nesse sentido, pode-se dizer que o texto fílmico circunscreve em sua essência essa idéia de texto que capta valores existentes, apropria-se deles, modifica-os, reestrutura-os, mesmo tendo, com tudo, em sua natureza o não-verbal.      &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Todos os elementos enunciativos, discursivos, dialógicos e ontológicos compõem fios associativos geradores de forças sociais, os quais se presentificam na linguagem, local de embates travados, ou de maneira mais abrangente e, ao mesmo tempo, mais intima e pessoal. Pois é nela que o conceito político de liberdade é invocado; é ela, o nome unificante desenvolvido para a ação do que é uma dispersa e poderosa formação de forças sociais, forças essas que são sempre concebidas como conflitantes.      &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;E foi estudando e percebendo esse fenômeno da linguagem, que Bakhtin tirou do limbo Rabelais, escritor europeu que tratou dos laços profundos que o uniam à cultura popular e a forma de festividades populares, tais como o carnaval.Bakhtin vê Rabelais como uma espécie de rebelde literário, cuja vitalidade inexaurível se deve ao fato de ele nutrir a sua arte, em grande parte, na raiz principal da cultura popular do seu tempo. Rabelais transpõe para a literatura o espírito do carnaval (...). As imagens de Rabelais, para Bahktin, têm uma natureza não oficial indestrutível: “nenhum dogma, nenhum autoritarismo, nenhuma seriedade tacanha pode coexistir com elas” (Stam,1992 p 43) .       &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Na Idade Média, o carnaval, conjunto de manifestações da cultura popular, possuía um papel simbólico fundamental na vida das pessoas. Nesse período, elas sentiam-se livres das regras e das restrições convencionais, uma liberdade utópica, mas uma sensação de liberdade. O que era excluído, marginalizado, bizarro, depravado, grotesco e ridicularizado por toda a sociedade tornava-se estandarte no carnaval, uma motivação para o riso festivo, unificador das diversas manifestações carnavalescas e carnavalizantes e um modo de resistência simbólica.       &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Libertos da opressão, do medo do grotesco, do que é anormal e, mais do que isso, libertos dos valores sociais que a ideologia oficial impõe, só o carnaval poderia e pode proporcionar isso, assim pensava Bakhtin; com a quebra de padrão, a carnavalização é a junção de várias vozes, o polifônico, a desconstrução da ordem para uma direção outra, “o mundo às avessas”.      &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;A partir do conceito de carnavalização tratado por Bakhtin, propõem-se analisar processos desse conceito no filme Amarelo Manga do diretor pernambucano Cláudio Assis, cujos personagens, símbolos marginais da sociedade brasileira, vivem carnavais diferentes.     &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Assim, imerso na realidade cotidiana, o filme dialoga com a teoria de Bakhtin ao evidenciar a noção de heteroglossia, ou seja, das diversas linguagens sociais que fazem parte do carnaval.Qualquer que seja o impulso utópico expresso pelo carnaval, o carnaval, carnaval real, social, enquanto enunciado historicamente situado, como ele é  vivido, numa sociedade contemporânea como a brasileira, é inevitavelmente influenciado pelas hierarquias sociais, pelas assimetrias de poder. Branco e negro, homem e mulher, operário e patrão, heterossexual e homossexual, neste sentido vivem carnavais diferentes. (Stam,1992 p 51).       &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Observa-se, no entanto, que a estratégia carnavalizante, apresentada ao público, funciona com o conjunto dos elementos/recursos cinematográficos. A linguagem cinematográfica, por meio de sua constituição tempo-espacial, pela cor, pela montagem, pelo som, etc é quem evidencia e fala sobre subversão de padrões cristalizados na ordem dominante, se tornando, desta forma, complexa, pois atualmente, ela abarca várias vertentes que passam por sendas ainda obscuras. Segundo Martin, confundir a linguagem cinematográfica com um meio de expressão é expô-la a graves enganos, e ainda, defini-la como “sistema de signos destinados à comunicação” (Martin apud Metz, 2003, p.18) seria restringir a riqueza da qual ela é composta.       &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Para ele, a realidade que aparece na tela jamais é neutra, mas sempre o signo de algo mais, numa certa medida; e, nesse âmbito, pode-se dizer que ao redimensionar o estudo da linguagem, colocando o enunciado no foco e a situação de enunciação como o componente imprescindível para a compreensão e explicação da estrutura semântica, Mikhail M. Bakhtin abre possibilidades para por em proximidade os processos enunciativos dos processos cinematográficos.      A diferença mais fundamental entre o cinema e as outras artes é  que, em sua representação do mundo, as fronteiras de espaço e de tempo são fluidas – o espaço tem um caráter quase temporal, o tempo, em certa medida, tem caráter espacial.      &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Em conseqüência da descontinuidade do tempo, o desenvolvimento retrospectivo do enredo combina-se com o progressivo em completa liberdade, sem qualquer espécie de vínculo cronológico, por meio das repetidas voltas e reviravoltas na seqüência temporal, o movimento, que constitui a própria essência da experiência cinematográfica, é levada a limites extremos.  É, em refluxos, a simultânea proximidade de distância no espaço – a proximidade mútua no tempo e a distância umas das outras no espaço – que forma esse elemento espaço-temporal, essa bidimensionalidade do tempo, que constitui o verdadeiro veículo do cinema e a categoria básica de sua representação no mundo. (Hauser, 1998)         &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;No filme Amarelo Manga, as luzes estão postas na vida de seres “inexistentes” das classes acomodadas do país e aponta o dedo para uma ferida aberta e pestilenta. O “submundo” representado pelo açougueiro pscicopata, pelo cozinheiro homossexual ou pela evangélica inconformada com a vida.      &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O embrutecimento do humano é apresentado nos personagens rudes e violentos; delatando a brutalidade de nossas vidas cada vez maior, com problemas que constroem verdadeiras fortalezas de ódio, violência e selvageria. Dilatados, os homens e mulheres de Amarelo Manga, são construídos de forma forte e visceral, mostrando com todas as cores, em todos os ângulos e em todo som o carnaval dos esquecidos.   &lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;REFERÊNCIAS &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;ASSIS, Cláudio.  Amarelo Manga. Brasil: 2003 BAKHTIN, Mikhail. Os gêneros dos discursos. In: Estética da criação verbal. São Paulo: Martins Fontes, 1997 (p280-360). BRANDÃO, Helena H. Nagamine. Introdução à análise do discurso.6ºedição.Campinas, SP: editora da UNICAMP, 1997.BRAIT, Beth. 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São Paulo: Ática, 1992.&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2651107604259160564-4068896618231116946?l=conversasbakhtinianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasbakhtinianas.blogspot.com/feeds/4068896618231116946/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2651107604259160564&amp;postID=4068896618231116946&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2651107604259160564/posts/default/4068896618231116946'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2651107604259160564/posts/default/4068896618231116946'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasbakhtinianas.blogspot.com/2009/10/subversao-simbolica-em-amarelo-manga.html' title='A subversão simbólica em Amarelo Manga: a imagem carnavalizante  de uma cor dos esquecidos'/><author><name>GEGe -  Grupo de Estudos de Gêneros do Discurso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06927853979162145692</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2651107604259160564.post-6793672817576405769</id><published>2009-10-23T08:50:00.000-07:00</published><updated>2009-10-23T08:58:17.751-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='1-O pensamento bakhtiniano na atualidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='1c-Educação e a dialogia na atualidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='1b-O humano e as subjetividades na contemporaneidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='José Sena da S. Filho'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='1a As ideologias contemporâneas'/><title type='text'>COMO LER UM FILME VIA PROCESSOS INTERDISCURSIVOS E CARNAVALIZANTES?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;José Sena da S. Filho&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;A perspectiva interdiscursiva em Bakhtin&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Apesar de não aparecerem na obra de Bakhtin termos como: interdiscurso, interdiscursivo, interdiscursividade, intertextualidade, intertexto, estudiosos como Júlia Kristeva e José Luiz Fiorin utilizam esses termos como extensões da concepção dialógica da linguagem proposta pelo autor russo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Júlia Kristeva é considerada a principal responsável pela divulgação dos estudos de Bakhtin no Ocidente. Em seus estudos desenvolveu uma longa discussão sobre as teorias bakhtinianas presentes nos livros Problemas da poética de Dostoievski e A obra de François Rabelais. Seu objetivo era discutir o texto literário e para isso identificou discurso e texto. De acordo com Fiorin (2006, p.163), Kristeva considera que “o discurso (o texto) é um cruzamento de discursos (de textos) em que se lê, pelo menos, um outro discurso (texto)”.  Nas suas leituras, Kristeva identifica a noção de intertextualidade por meio da concepção bakhtiniana, em que o diálogo é a única esfera possível para a vida da linguagem, de modo que ela afirma que Bakhtin vê “a escritura como leitura do corpus literário anterior e o texto como absorção a um outro texto” (apud FIORIN, 2006, p. 163). Nesse contexto, conforme Fiorin (2006, p. 165) intertextualidade é “qualquer referência ao Outro, tomado como posição discursiva: paródias, alusões, estilizações, citações, ressonâncias, repetições, reproduções de modelos, de situações narrativas, de personagens, variantes lingüísticas, lugares comuns, etc.”.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;No seu ensaio, intitulado Polifonia textual e discursiva, Fiorin (2003, p.30) conceitua a intertextualidade como “processo de incorporação de um texto em outro, seja para reproduzir o sentido incorporado, seja para transformá-lo”. Destaca que a intertextualidade apresenta três processos: a citação, a alusão e a estilização. A citação é um processo que “pode confirmar ou alterar o sentido do texto citado”; já na alusão, não se citam palavras, mas “reproduzem-se construções sintáticas em que certas figuras são substituídas por outras, sendo que todas mantêm relações hiperonímias com o mesmo hiperônimo ou são figurativizações do mesmo tema”. Quanto à estilização, trata-se da “reprodução do conjunto dos procedimentos do ‘discurso de outrem’, isto é, do estilo de outrem” (FIORIN, 2003, p. 30-31).&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Ao tratar do termo interdiscurso, Fiorin (2006) esclarece que aparece na obra de Bakhtin sob o nome de dialogismo, sendo que não equivale somente ao diálogo com interação face a face. Não há dois tipos de dialogismo, cabe salientar, como consideram alguns autores, o primeiro entre interlocutores e o segundo entre discursos. Por esse motivo “o interlocutor só existe enquanto discurso”, de modo que, há “um embate de dois discursos: o do locutor e o do interlocutor, o que significa que o dialogismo se dá entre discursos” (FIORIN, p. 166). Os conceitos de enunciado e discurso ora aparecem na obra de Bakhtin, como equivalentes, ora como diferentes. Por esse motivo, Fiorin (2006, p. 181) conceitua discurso como “uma abstração: posição social considerada fora das relações dialógicas, vista como uma identidade”. Destaca que no processo de comunicação verbal o material utilizado são os enunciados, que são constitutivamente dialógicos. Considera, no entanto, o enunciado como interdiscurso, interior ao intradiscurso (correspondente ao discurso para Bakhtin).&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Fiorin (2003) chama atenção para a distinção da noção de discurso e de texto, já que isso acarretaria a diferenciação entre interdiscursividade e intertextualidade. Esclarece, porém, que nesses fenômenos é possível perceber que em um mesmo segmento, seja ele discursivo ou textual, tem-se a presença de duas vozes. Evidencia que as relações dialógicas entre enunciados e as que se dão entre textos são distintas. Desse modo qualquer relação dialógica, permeada por uma relação de sentido, é interdiscursiva. Já na que é materializada por textos, há a intertextualidade. Salienta, ainda, que intertextualidade implica sempre uma interdiscursividade, mas o contrário não é verdadeiro, por esse motivo quando a relação dialógica não é manifestada no texto, define-se a interdiscursividade em detrimento da intertextualidade. Outro ponto importante é que ao se referir a um texto o enunciador também se refere ao discurso que ele expressa.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Fiorin (2003, p.30) conceitua a interdiscursividade como processo “em que se incorporam percursos temáticos e/ou percursos figurativos, temas e/ ou figuras de um discurso em outro”. Destaca que existem dois processos interdiscursivos – a citação e a alusão. Quanto à citação, ocorre quando em um dado discurso repetem-se idéias, em outras palavras, repetem-se percursos temáticos e/ou figurativos de outros. Já a alusão ocorre quando temas e/ ou figuras de um dado discurso se incorporam e passam a servir de contexto para compreensão do que foi incorporado.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;A concepção postulada por Bakhtin em que o ser humano não pode ser concebido fora das suas relações com o outro é a base da sua teoria dialógica da linguagem, sendo que os indivíduos somente podem ter acesso à realidade por meio da mediação da linguagem. Entendê-la como mediadora das relações humanas é, antes de tudo, perceber que o homem é um ser social, cuja formação se dá na relação com os outros.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Nesse contexto é que a linguagem cinematográfica é pensada. Acredita-se que a linguagem não verbal no cinema está carregada da expressividade enunciativa, onde discursos citados e aludidos ganham uma nova roupagem e são reconfigurados adequando-se a natureza da materialidade do textofílmico e, ao tipo de relação de sentido que estabelece com os discursos e textos aos quais se refere, assim como, na sua significação intratexto.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Apontamentos sobre o processo de carnavalização&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Podemos compreender que a esfera de ação do enunciado via interdiscurso perpassar o social presente nas ações da vida cotidiana, assim como, nas esferas da arte, da literatura e do cinema. É dentro dessa concepção que, em A cultura popular no Renascimento e na Idade Média: o contexto de François Rabelais, Bakhtin vai desenvolver sua tese sobre o embate ideológico estabelecido entre os sujeitos, devido aos lugares sociais que ocupam, e as aspirações desses, que tecem a teia da vida cotidiana, sempre dosada pelos padrões de classe, necessariamente hierárquicos, questões fortemente impregnadas na materialidade do enunciado em Rabelais.&lt;br /&gt;Nascido em um contexto em que Bakhtin estudava profundamente a cultura popular na Idade Média e no Renascimento, o processo de carnavalização foi compreendido a partir de um olhar sensível que soube ler François Rabelais. Não há como conhecer a carnavalização sem compreender suas bases fundadoras, sem (re)conhecer Rabelais, pelos olhos de Bakhtin, como tendo “um dom para o riso e um senso do mundo ligeiramente louco” (CLARK &amp;amp; HOLQUIST, 2004, p.322). Esse mundo poderia ser entrevisto nas imagens rabelesianas, como uma oposição &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;às cerimônias oficiais sérias da Igreja ou do Estado feudal. Ofereciam uma visão do mundo, do homem e das relações humanas totalmente diferente, deliberadamente não-oficial, exterior à Igreja e ao Estado; pareciam ter construído, ao lado do mundo oficial, um segundo mundo e uma segunda vida aos quais os homens da Idade Média pertenciam em maior ou menor proporção, e nos quais eles viviam em ocasiões determinadas. (BAKHTIN, 1999, p.4-5)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Nesse sentido, Bakhtin afirma que a compreensão dessa realidade reside no grande diferencial de Rabelais, sua íntima relação com as fontes populares, interferência direta na sua concepção artística. Rebelais foi beber na cultura cômica popular, possuidora de uma concepção artística e ideológica própria, que não se ajusta aos cânones literários vigentes desde os séculos XVI até os nossos dias.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;É dessa forma que essa outra vida, essa vida não-oficial criada pelas camadas populares, criava uma dualidade do mundo. Bakhtin observa que tal “dualidade na percepção do mundo e da vida humana já existia no estágio anterior da civilização primitiva” (1999, p.5). Segundo ele, as etapas primitivas da civilização desconheciam o regime social estatal ou de classes, fato que dispunha no mesmo patamar o “sagrado” e o “profano”, em que “os aspectos sérios e cômicos da divindade, do mundo e do homem eram, segundo os indícios, igualmente sagrados e igualmente, poderíamos dizer, ‘oficiais’”. (1999, p.5). Tais características dessa cultura persistiram de alguma maneira em períodos posteriores, fato que teve forte transformação quando o Estado e o regime de classes se estabelece, levando as formas cômicas para a categoria do não-oficial. É desse modo, indica Bakhtin, que “seu sentido modifica-se, elas complicam-se e aprofundam-se, para transformarem-se finalmente nas formas fundamentais de expressão da sensação popular do mundo, da cultura popular.” (1999, p.5)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Nesse contexto, o estudioso russo aponta para a importância das festividades nas civilizações humanas.  Elas sempre apresentaram um conteúdo essencial que exprimia, com sentido revelador, uma concepção do mundo. Sempre estiveram ligadas, de alguma maneira, aos períodos de crise, indicando, em uma relação de alternância e renovação, morte e ressurreição, o clima típico que sustenta as festividades, a festa. (BAKHTIN, 1999).&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;É nesse contexto que Bakhtin vai fundamentar o processo de carnavalização como modo de percepção do mundo a partir de seu aspecto risível, dos modos de se relacionar das classes populares, da praça pública, do carnaval, de suas maneiras de lidar com um mundo desigual. De acordo com o estudioso russo, é na Idade Média e no Renascimento que tais características, consideravelmente importantes, são reconhecíveis, revelando que&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O mundo infinito das formas e manifestações do riso opunha-se à cultura oficial, ao tom sério, religioso e feudal da época. Dentro de sua diversidade, essas formas e manifestações – as festas públicas carnavalescas, os ritos e cultos cômicos especiais, os bufões e tolos, gigantes, anões e monstros, palhaços de diversos estilos e categorias, a literatura paródica, vasta e multiforme, etc. – possuem uma unidade de estilo e constituem partes e parcelas da cultura cômica popular, principalmente da cultura carnavalesca, una e indivisível. (BAKHTIN, 1999, p.3)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Dentro da cultura cômica popular da Idade Média, os bufões e os bobos são as personagens características que, de certo modo, eram “os veículos permanentes consagrados do princípio carnavalesco na vida cotidiana”, situada fora dos tempos de carnaval (BAKHTIN, 1999). Em Questões de Literatura e de Estética, ao enfocar a literatura medieval das baixas camadas sociais, o estudioso russo destaca, também, a importância dos bufões e dos bobos, assim como a do trapaceiro, três relevantes figuras no romance. Segundo o autor, tendo esses uma forte relação “com os palcos teatrais e com os espetáculos de máscaras ao ar livre”, estão ligados às situações da vida na praça pública, sendo que “a própria existência dessas personagens têm um significado que não é literal, mas figurado: a própria aparência delas, tudo o que fazem e dizem não tem sentido direto e imediato, mas sim figurado e, às vezes, invertido” (BAKHTIN, 2002, p.275).&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Nesse aspecto é notória a função de tais personagens em deixar deflagrada certas sutilezas da vida cotidiana. Elas funcionam como um grande espelho que reflete as minúcias dos espaços privados, deixando exposto um “eu”, trazendo-o para a praça pública, para a coletividade, como reflexo de um “outro”, imperceptível naqueles espaços privados. Além disso, essas três figuras costumam ver “o avesso e o falso de cada situação” (BAKHTIN, 2002, p.276), exatamente por pertencerem ao que é exterior a este mundo, não se solidarizando com nenhuma situação da vida existente nele.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Há, então, nessas figuras, um posicionamento de ‘luta’ contra “o fundo feudal e as más convenções, contra a mentira que impregnou todas as relações humanas” daquele período. Opõe-se a tal situação um bufão inteligente, alegre e sagaz, com suas zombarias paródicas, revelando uma forma sintética de denúncia e um bobo com sua incompreensão ingênua, simplicidade desinteressada contrapondo-se à hipocrisia voraz. De acordo com Bakhtin (2002, p.278), tais máscaras assumidas pelos personagens revela a luta contra as convenções,&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Elas dão o direito de não compreender, de confundir, de arremedar, de hiperbolizar a vida; o direito de falar parodiando, de não ser literal, de não ser o próprio indivíduo; o direito de conduzir a vida pelo cronotopo intermediário dos palcos teatrais, de representar a vida como uma comédia e as pessoas como atores; o direito de arrancar as máscaras dos outros, finalmente, o direito de tornar pública a vida privada com todos os seus segredos mais íntimos.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;É nesse contexto que a praça pública se torna na literatura um importante agente modificador, resignificador de ‘realidades’. É a cultura popular, impregnada no espaço cotidiano, que tem o poder de interferir/influenciar as narrativas mais oficializadas e seus lugares em uma dada sociedade. Sustentado por esse contexto, nas profundezas de um folclore primitivo, de ações deflagradoras de certas realidades, é que o trapaceiro, o bufão e o bobo, por meio dos gêneros medievais, diretamente ligados ao riso rabelesiano, terão suas raízes.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Em Rabelais, temos um riso estruturado nas bases da cultura cômica popular, que vai mais além, pois “não rompe apenas os laços tradicionais e elimina as camadas intermediárias ideais, ele revela a proximidade rude e direta daquilo que as pessoas separam por meio da mentira e do farisaísmo.” (Bakhtin, 2002, p. 284). No intuito de quebrar com as falsas ligações consagradas pela ideologia oficial e pela religião, que impedem que as idéias e as coisas entrem em contato vivo e carnal ligados à natureza delas, no sentido de “libertar todas as coisas, permitir que entrassem numa combinação livre, característica de sua natureza”, é que a carnavalização se configura como processo que põe a descoberto e (des)arruma diversos dogmas. Segundo Bakhtin (2002, p.284):&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Era necessário criar novas vizinhanças entre as coisas e as idéias, correspondentes à natureza delas, era preciso justapor e reunir o que fora falsamente desunido e afastado, e também afastar o que fora falsamente reunido. Com base nessa nova vizinhança, devia surgir um novo quadro do mundo, penetrado por uma necessidade interior verdadeira. Dessa forma, em Rabelais a destruição do velho quadro e a elaboração positiva do novo estão indissoluvelmente entrelaçadas.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Em se tratando do carnaval, no final da Idade Média e durante a Renascença, ele era simbolicamente fundamental na vida de todos do povo. Durante os festejos carnavalescos, as pessoas transportavam-se brevemente para uma outra dimensão, utópica, mas libertadora. Era uma festa bem mais representativa do que a dos tempos modernos, lá não se tratava apenas de um momento de lazer, o carnaval representava uma “cosmovisão alternativa” em que se questionava, rindo e brincando com todas as normas e padrões (STAM, 1992). Nesse sentido é que o carnaval é indiferente às diferenciações entre atores e espectadores, e inclusive ao palco. Não há platéia, nem artistas, o carnaval está disposto para todo o povo, o povo vive o carnaval, que é universal. Além disso, segundo Bakhtin, (1999, p. 9),&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ao contrario da festa oficial, o carnaval era o triunfo de uma espécie de liberação temporária da verdade dominante e do regime vigente, de abolição provisória de todas as relações hierárquicas, privilégios, regras e tabus. Era a autentica festa do tempo, a do futuro, das alternâncias e renovações. Opunha-se a toda perpetuação, a todo aperfeiçoamento e regulamentação, apontava para um futuro ainda incompleto.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;É dentro dessa concepção do carnaval que Bakhtin constrói a visão carnavalesca do mundo, ele fala sobre um processo transformador indiferente a um sistema de regras ditador e repressor, e identifica na obra de Rabelais, as características que podem ser compreendidas como as chaves para esse processo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Em Questões de Literatura e de Estética, o autor russo destaca sete grupos principais em que se enquadram as séries rabelaisianas: as séries do corpo humano do ponto de vista anatômico e fisiológico; séries da indumentária; séries da nutrição; séries da bebida e da embriaguez; séries sexuais; séries da morte e as séries dos excrementos.  Partindo dessa classificação, Stam, em Bakhtin: da teoria literária à cultura massa, delimita doze tópicos, do qual nos deteremos a dois para o presente trabalho:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;1) a noção da bissexualidade e a prática do travestismo como folga dos papéis sociais rígidos e socialmente impostos; 2) a imagem do mundo social e político como um perpétuo “coroamento” e “descoroamento”, e a mudança perpétua como fonte da esperança popular.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Ao tratar da sexualidade, Stam (1992) afirma que, para Bakhtin, ela sempre existe em relação à existência geral do corpo, em relação a outras pessoas, em relação à vida social comum. Segundo Stam, a sexualidade não é visualizada por Bakhtin como uma série de close-up isolante de partes do corpo, como o falo (pênis), já que ele a vê como uma ampla tela multicentralizada, repleta de gente, como a praça que permite as atividades do povo. Desse modo, Stam (1992, p.87) chama a atenção para o fato que “o sexo é relativizado e relacionalizado, disperso através de todo o campo social”.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Nessa acepção é que a prática da bissexualidade pode ser entendida como uma forma de libertação da postura sexual oficial, do hegemônico. A bissexualidade, e até mesmo a homossexualidade, refletem o outro lado de uma conduta tida como correta, estabelecida por um regime dominante, que prevê regras e modelos de comportamento. Nesse sentido, o homo ou o bissexual é aquele que se circunscreve em uma relação corporal mista, ele não precisa estar definido, pois sua natureza é a mudança e a renovação em um novo tipo de relação com o outro, um outro incompleto, como toda relação social incompleta, como todo sistema de classes desequilibrado porque incompleto que busca equilíbrio, harmonia, igualdade. O mesmo ocorre no caso do travestismo, que prevê a mudança na imagem de exposição ao público, ao mundo. Os papéis sociais rígidos são subvertidos denotando a relação de quebra de uma dada ordem, modificando o espaço social para uma dimensão movente, não-estática e pré-estabelecida.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Em relação ao “coroamento” e “descoroamento”, podemos indicar uma relação de troca numa única direção, o pobre deixa de ser pobre e passa a ser rico, sem tornar o rico pobre, mas levando todos para um mesmo patamar. Os “reis” são destronados, porque toda hierarquia foi quebrada, não há mais sobreposição. Todos são iguais, naquele espaço utópico, que pode ser demarcado por uma quebra do oficial, do supostamente hegemônico, já que não existe uma prescrição de comportamento; é um movimento de transformação, que complementa, que transforma, que contrapõe.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;É dessa forma que a carnavalização nasce da idéia do carnaval, pois, segundo Stam (1992, p.88)&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O carnaval, na concepção de Bakhtin, é mais do que uma festa ou um festival; é a cultural opositora do oprimido, o mundo afinal visto ‘de baixo’, não mera derrocada da etiqueta mas o malogro antecipatório, simbólico, de estruturas sociais opressoras. O carnaval é profundamente igualitário. Ele inverte a ordem, casa opostos sociais e redistribui papéis de acordo com o ‘mundo de ponta-cabeça’. O carnaval coroa e destrona; ele arranca de seus tronos monarcas e instala hilariantes reis da bagunça em seus lugares.&lt;/em&gt;   &lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Ecoa desse modo, as vozes sociais, os modos de ver, pensar, agir, dos indivíduos, interlocutores de uma dada ideologia, situados em uma sociedade que muitas vezes exclui, reprime, rechaça vontades e sonhos.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;A partir de um conceito nascido no romance de Rabelais, propõem-se, na atualidade, analisar modos de ver, pensar e agir da sociedade por meio dos (inter)discursos nas esferas das histórias em que se inscrevem. Sendo assim, a carnavalização será compreendida no presente trabalho, como um processo que se dá a partir de relações necessariamente ideológicas, entre o hegemônico e o cotidiano, identificáveis nos processos interdiscursivos que podem ser percebidos na leitura dos textos fílmicos, portanto, dos valores refratados e refletidos nos filmes Madame Satã (2002) e Rainha diaba (1974).&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Perceber o processo de carnavalização como propulsor de atitude reflexiva por meio da leitura crítica no meio social, é um exercício fundamental de (re)direcionar o olhar para entrever os discursos invisíveis presentes em diversos dizeres socialmente “corretos” e aparentemente definitivos.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Referências&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;AÏNOUZ, Karim. Madame Satã. Brasil [2002]&lt;br /&gt;BAKHTIN, M.(VOLOCHINOV) Marxismo e filosofia da linguagem. São Paulo: Editora Hucitec, 1997a.&lt;br /&gt;BAKHTIN, M. Estética da Criação verbal. São Paulo: Martins Fontes, 1997b.&lt;br /&gt;________. A cultura popular na Idade Média e no renascimento: o contexto de François Rabelais. São Paulo: Editora Hucitec, 1999.&lt;br /&gt;________. Formas de tempo e de cronotopo no romance: ensaios de poética histórica. In:________Questões de Literatura e de Estética. São Paulo: Editora Hucitec, 2004. p.211-362.&lt;br /&gt;BRAIT, B. &amp;amp; MELO, R. de. Enunciado/ enunciado concreto e enunciação. In: _______ BRAIT, Beth (Org.). Bakhtin: conceitos-chave. São Paulo: contexto, 2005, p. 62-77.&lt;br /&gt;CLARK, K. &amp;amp; HOLQUIST, Mikhail Bakhtin. São Paulo: Perspectiva, 2004.&lt;br /&gt;FIORIN, J. L. Interdiscursividade e intertextualidade. In: _______ BRAIT, Beth (Org.). Bakhtin: outros conceitos-chave. São Paulo: Contexto, 2006, p. 161-192.&lt;br /&gt;FIORIN, J. L. Polifonia textual e discursiva. In: FIORIN, J. L.; BARROS, D. L. de (Orgs.). Dialogismo, polifonia, intertextualidade. São Paulo: Editora da USP, 2003, p. 29-36.&lt;br /&gt;FONTOURA, Antonio Carlos. Rainha Diaba. Brasil [1974]&lt;br /&gt;MIOTELLO, V.; NAGAI, E.; COVRE, A. et al. Quimera e a peculiar atividade de formalizar a mistura do nosso café com o revigorante chá de Bakhtin. São Carlos (SP): Grupo de Estudos dos Gêneros do Discurso – GEGE, 2004.&lt;br /&gt;STAM, R. Bakhtin: da teoria literária a cultura de massa. São Paulo: Ática, 1992.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2651107604259160564-6793672817576405769?l=conversasbakhtinianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasbakhtinianas.blogspot.com/feeds/6793672817576405769/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2651107604259160564&amp;postID=6793672817576405769&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2651107604259160564/posts/default/6793672817576405769'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2651107604259160564/posts/default/6793672817576405769'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasbakhtinianas.blogspot.com/2009/10/como-ler-um-filme-via-processos.html' title='COMO LER UM FILME VIA PROCESSOS INTERDISCURSIVOS E CARNAVALIZANTES?'/><author><name>GEGe -  Grupo de Estudos de Gêneros do Discurso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06927853979162145692</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2651107604259160564.post-8940255293555267775</id><published>2009-10-22T07:11:00.000-07:00</published><updated>2009-10-22T07:16:47.141-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ana Maria Pires Novaes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='1-O pensamento bakhtiniano na atualidade'/><title type='text'>LINGUAGEM, INTERAÇÃO E GÊNEROS DISCURSIVOS: reflexões em torno das questões centrais da proposta bakhtiniana</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Ana Maria Pires Novaes&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; - (UNISUAM/ UNESA)&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Bakhtin, ao considerar o dialogismo o princípio constitutivo da linguagem, coloca o texto como questão central de investigação das ciências humanas, concebendo-o como um objeto lingüístico-discursivo, social e histórico. Para ele, o aspecto essencial da linguagem não é o sistema abstrato de formas lingüísticas, mas o fenômeno da interação verbal que se realiza por meio da enunciação..Na verdade, quando formaliza seu próprio conceito de linguagem,.tem em mira uma crítica ao “objetivismo abstrato” e ao “subjetivismo idealista”. Entretanto, segundo Brait (2001:98-99), o conjunto da obra do pensador russo revela o reconhecimento do papel da língua na constituição do universo significante e o da literatura enquanto gênero discursivo privilegiado no tocante “à representação da complexa natureza dialógica da linguagem”.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Ao propor uma terceira via de enfrentamento das questões da linguagem e discutir a lingüística saussuriana, mais especificamente a contribuição de Saussure, Bakhtin (1986) reconhece as coerções do sistema a que o falante está sujeito e isso se reflete na distinção que faz entre significação e tema ou sentido Aquela, ao integrar a parte técnica, geral, compõe o nível reiterável da língua; este, construído na “compreensão ativa e responsiva” é o componente não reiterável, concreto, particular, único, relacionado aos efeitos de sentido produzidos em uma enunciação específica. Essa noção proposta por Bakhtin deve ser pensada como o movimento dialógico da enunciação: o locutor enuncia em função da existência de um interlocutor real ou virtual de quem quer uma atitude responsiva – uma réplica, uma reação – antecipando o que o outro vai dizer, ou seja, projetando o lugar de seu ouvinte.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Brait (2002:149), ao reiterar sua avaliação da obra bakhtiniana, destaca que, embora com uma outra concepção de língua, esse pensador ressalva a idéia de coerção do sistema, “não como entidade abstrata, mas enquanto componente vivo das atividades de linguagem”. Também em relação às posições da estilística, Bakhtin não ignora a questão do estilo e do individual, mas considera que apreender a dimensão estilística não constitui objeto suficiente para o estudo da linguagem em uso. Para a autora, coerção e estilo, retomados e reconsiderados na perspectiva interacional da linguagem, vão se associar ao conceito de discurso e, especialmente,  de  gênero discursivo. Ao oferecer a noção de gêneros, Bakhtin redimensiona duas instâncias que já estavam nas duas tendências por ele discutidas.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Cumpre assinalar que, quando se liga a definição de gênero discursivo estritamente às esferas da atividade humana, ela pode parecer estar atrelada a certo determinismo e indicar que os indivíduos estariam impossibilitados de criar ou modificar um gênero, visto que o tema, a estrutura composicional e o estilo seriam características a que o falante se sujeitaria.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Faïta (2001:162-164), ao discutir a controvérsia do “determinismo” bakhtiniano e o destaque, amplamente, dado ao predomínio do coletivo, do social sobre o individual e o subjetivo, pondera que, na análise de cada conceito que emerge da obra de Bakhtin, é preciso considerar sempre o percurso do autor numa “freqüentação interativa da obra”: “os textos que testemunham uma evolução do pensamento exigem uma volta aos estágios anteriores, para medir a distância que os separa, inferir, das diferenças observadas, o sentido do trabalho realizado no intervalo”       &lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;É preciso, portanto, que o estudioso, ao utilizar-se de um conceito, a partir das propostas de Bakhtin, tenha sempre uma preocupação com o caminho percorrido pelo autor e com a relação que tal conceito mantém com os demais.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;O conceito de gênero discursivo, por exemplo, explicitado em Estética da Criação Verbal, já está anunciado em Marxismo e Filosofia da Linguagem, quando, ao tratar de tema e significação (1986, 128-136), Bakhtin fala das relações entre as formas lingüísticas, presentes em determinada composição, e os elementos não verbais da situação. Segundo Brait (2002:146-147), nesta obra, o autor já esboça esse conceito, em consonância com os de interação e estilo, quando se refere “aos temas que povoam as comunidades humanas e como esses temas aparecem a partir de determinadas formas de composição e de determinados estilos”.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Assim, para que não se adote um conceito “determinista” de gênero discursivo, é preciso que se considerem, na sua formulação, as esferas das atividades humanas e as especificidades das práticas da linguagem numa relação dinâmica, dialógica com as condições de produção e recepção.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Ao se referir à escolha de palavras realizada pelo locutor na formulação dos enunciados, Bakhtin (2000:311-312) reafirma a relação entre as práticas sociais, a interação e os gêneros discursivos:&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Quando escolhemos uma palavra, durante o processo de elaboração de um enunciado, nem sempre a tiramos, pelo contrário, do sistema da língua, da neutralidade lexicográfica. Costumamos tirá-la de outros enunciados, e, acima de tudo, de enunciados que são aparentados ao nosso pelo gênero, isto é, pelo tema, composição e estilo: selecionamos as palavras segundo as especificidades de um gênero.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Os gêneros são, na verdade, estruturas que se sedimentaram, cristalizações de práticas sociais que se distribuem tanto pela oralidade quanto pela escrita e foram se constituindo historicamente, na medida em que novas atividades foram realizadas pelos indivíduos. Não são estáticos; ao contrário, estão sujeitos a mudanças decorrentes das próprias transformações sociais. Nas práticas discursivas, a adoção de um gênero, considerado o mais adequado à expressão de determinadas intenções e à situação interativa, implica não só a aceitação de suas singularidades mais constantes, mas também sua adaptação à criatividade dos agentes, que, adotando um estilo próprio, contribuem para a transformação dos modelos.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Bakhtin, fundamentado nos pressupostos do materialismo histórico, considera a linguagem em sua historicidade constitutiva. Os sujeitos sócio-historicamente organizados, constituem os sentidos na interação verbal, e o enunciado, produzido sempre em um contexto específico, caracteriza-se como unidade real de comunicação pela possibilidade de estabelecer uma alternância dos sujeitos falantes. Assim, na visão bakhtiniana, “compreender a enunciação de outrem significa orientar-se em relação a ela, encontrar o seu lugar adequado no contexto correspondente [...] Compreender é opor à palavra do locutor uma ‘contrapalavra’” (BAKHTIN, 1986:131).&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Ao assumir que o enunciado, enquanto elo na cadeia da comunicação verbal, “está voltado não só para o seu objeto, mas também para o discurso do outro acerca desse objeto”, Bakhtin (2000:320) esclarece:&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;[...] o enunciado está ligado não só aos elos que o precedem mas também aos que lhe sucedem na cadeia da comunicação verbal. No momento em que o enunciado está sendo elaborado, os elos, claro, ainda não existem. Mas o enunciado desde o início, elabora-se em função da eventual reação-resposta, a qual é o objetivo preciso de sua elaboração. [...] Os outros, para os quais meu pensamento se torna, pela primeira vez, um pensamento real (e, com isso, real para mim), não são ouvintes passivos, mas participantes ativos da comunicação verbal.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Na perspectiva bakhtiniana, a questão do dialogismo tem uma dupla e indissolúvel dimensão: a de diálogo entre interlocutores e a de diálogo entre discursos. A primeira, diz respeito às relações entre sujeitos que interagem; a segunda, configura as vozes que ecoam da comunidade, da cultura, enfim, da vida em sociedade. Nesta dimensão, o discurso de um indivíduo interage com outros discursos, explícita ou implicitamente; é tecido também por outras vozes que, ao emergirem de um contexto mais amplo – da história, da memória – se entrecruzam, se completam, polemizam entre si na construção de sentidos. Desse modo, um enunciado, produzido em um momento sócio-histórico determinado, não pode deixar de refletir um diálogo social mais amplo, em que estão presentes também aspectos sócio-ideológicos. No entanto, é necessário observar que o diálogo com outros discursos do universo social, ou mesmo com o do interlocutor, não anula o sujeito no ato discursivo. Ao falar em relação dialógica, Bakhtin  não  insiste  na  síntese,  “mas  no  caráter  polifônico dessa  relação exibida pela linguagem” (BRAIT, 2001:98).&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Ao estabelecer o dialogismo como condição da linguagem, Bakhtin descarta a possibilidade de uma enunciação monológica. Assim, mesmo que em situação de solilóquio, é necessário que o EU simule a presença do OUTRO, posto que o que diz depende da realidade ou fantasia de que crê estar falando, ou seja, das próprias reações que possa antecipar. Há, nesse caso, no dizer de Benveniste (1976, v. 2), um diálogo interiorizado (falado em “linguagem interior”) entre um locutor e um ouvinte.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;      &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Nesta perspectiva, todo discurso é uma realização interativa, fruto de uma atividade verbal entre sujeitos atuais ou não, co-presentes ou não, que, reciprocamente, se influenciam.  Em outras palavras, o “falar”, ou seja, a linguagem em sua função externa de modo de comunicar,é essencialmente um processo dialógico.&lt;br /&gt;Quando se interage com alguém, os enunciados se organizam a partir dos conhecimentos que se acredita que o interlocutor tenha sobre o assunto, do que se supõe serem suas opiniões e crenças, das relações que se estabelecem e impõem limites sobre o que pode ser dito, como pode ser dito e por quem. Para que esse objetivo seja atingido, os usuários de uma dada língua, em qualquer atividade de fala ou escrita, combinam saberes lingüísticos e saberes socioculturais. Ou seja: a competência do locutor não se limita ao domínio dos signos e das possibilidades previstas no sistema verbal. Ao organizar o texto de maneira a compreender e a se fazer compreender, o locutor, além do instrumental lingüístico oferecido pela língua enquanto  sistema, mobiliza normas e estratégias de uso que se combinam com regras culturais, sociais e situacionais, conhecidas e reconhecidas pelos  participantes do evento interacional. O esforço na produção do enunciado se manifesta por marcas que esse locutor deixa no texto e que funcionam como pistas para que seu interlocutor possa compreendê-lo. A compreensão, sob o prisma da interatividade, torna-se atividade altamente complexa de produção de sentido, realizada por parceiros que interagem numa dada situação sociocomunicativa.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Conceber, na perspectiva bakhtiniana, o processo de interação como o aspecto essencial da própria linguagem, implica pensá-la como prática, como atividade. A língua é histórica, social e se manifesta, concretamente, como textos orais e escritos. Nos seus dois modos de uso, “é uma prática social que contribui para constituir, transmitir e preservar a própria memória dos feitos humanos”. (MARCUSCHI, 1998: 141)&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Pode-se afirmar que, num texto, quer oral quer escrito, não só o dito, o que está explicitado, significa, mas também os diferentes modos de dizer, os pressupostos, os implícitos dos mais variados tipos, o conhecimento de mundo dos interlocutores, o conhecimento partilhado, enfim, todo o evento da enunciação participa da produção de sentido. Constituída historicamente, a língua vem marcada pelos usos e pelos espaços sociais desses usos e, por isso, nunca pode ser estudada ou ensinada como um produto acabado, fechado em si mesmo.&lt;br /&gt;Desta concepção, decorre um ensino de língua que, deixando de ter como foco principal o código lingüístico, valoriza a análise de textos em diferentes atividades interlocutivas. Há, também, que se dar importância maior ao trabalho com os gêneros pela oportunidade de fazer chegar à sala de aula a língua nos seus mais diversos usos, dos mais informais aos mais formais, em situações da vida cotidiana.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;REFERÊNCIAS &lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;BAKHTIN, Mikhail. Estética da criação verbal. 3.ed. São Paulo: Martins Fontes, 2000. (Ensino Superior).&lt;br /&gt;______. Marxismo e filosofia da linguagem: problemas fundamentais do método sociológico na Ciência da Linguagem. 6.ed. São Paulo: Hucitec, 1986.&lt;br /&gt;BRAIT, Beth. Interação, gênero e estilo. In: PRETI, Dino (org.) Interação na fala e na escrita. São Paulo: HUMANITAS/FFLCH/USP, 2002, p.123-157.&lt;br /&gt;______. Bakhtin e a natureza constitutivamente dialógica da linguagem. In: BRAIT, Beth (org.). Bakhtin, dialogismo e construção de sentido. Campinas, SP: Ed. da UNICAMP, 2001, p. 91-104.&lt;br /&gt;FAÏTA, Daniel. A noção de “gênero discursivo” em Bakhtin: uma mudança de paradigma. In: BRAIT, Beth (org.). Bakhtin, dialogismo e construção de sentido. Campinas, SP: Ed.da UNICAMP, 2001. p. 159-177.&lt;br /&gt;MARCUSCHI, Luiz Antonio. Nove teses para uma reflexão sobre a valorização da fala no ensino de língua. Rev. da ANPOLL, São Paulo: Humanitas/FFLCH/USP, n.4, p.137-156,jan./jun.1998.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2651107604259160564-8940255293555267775?l=conversasbakhtinianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasbakhtinianas.blogspot.com/feeds/8940255293555267775/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2651107604259160564&amp;postID=8940255293555267775&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2651107604259160564/posts/default/8940255293555267775'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2651107604259160564/posts/default/8940255293555267775'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasbakhtinianas.blogspot.com/2009/10/linguagem-interacao-e-generos.html' title='LINGUAGEM, INTERAÇÃO E GÊNEROS DISCURSIVOS: reflexões em torno das questões centrais da proposta bakhtiniana'/><author><name>GEGe -  Grupo de Estudos de Gêneros do Discurso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06927853979162145692</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2651107604259160564.post-4680325084698945703</id><published>2009-10-21T04:27:00.000-07:00</published><updated>2009-10-21T17:07:08.631-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='1-O pensamento bakhtiniano na atualidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Camila Caracelli Scherma'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='1a As ideologias contemporâneas'/><title type='text'>Luta de classes nos discursos: ideologia oficial e não oficial na contemporaneidade</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Luta de classes nos discursos: ideologia oficial e não oficial na contemporaneidade&lt;/span&gt;&lt;a style="mso-footnote-id: ftn1" title="" href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=2651107604259160564&amp;amp;postID=4680325084698945703#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Camila Caracelli Scherma&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;a style="mso-footnote-id: ftn2" title="" href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=2651107604259160564&amp;amp;postID=4680325084698945703#_ftn2" name="_ftnref2"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Pensar várias ideologias contemporâneas em vez de uma ideologia contemporânea provoca o pensar sobre as relações, uma vez que a multiplicidade de ideologias é constituída pela multiplicidade de sujeitos. Isso se considerarmos o conceito de Bakhtin e seu Círculo na obra Marxismo e Filosofia da Linguagem a esse respeito: o de que não há ideologia sem signo e que “Os signos só emergem, decididamente, do processo de interação entre uma consciência individual e uma outra”. Mais adiante, acrescentam que “A consciência só se torna consciência quando se impregna de conteúdo ideológico (semiótico) e, consequentemente, somente no processo de interação” (Bakhtin, 2006, p.34).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;A partir dessa interação de um sujeito com outro no mundo, no contexto social em que esses sujeitos estão inseridos, os objetos ou acontecimentos, que têm uma materialidade física e sócio-histórica, recebem valor, o ponto de vista dos sujeitos que com eles se relacionam, inter-agem. A partir daí, é possível constatar diferentes concepções de mundo.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Ao longo de processos sócio-históricos, por meio das relações entre sujeitos, constituem-se concepções distintas da realidade. E nas relações de poder há o estabelecimento de concepções mais estáveis e menos estáveis sobre as coisas e acontecimentos no mundo, o que Bakhtin e seu Círculo chamam de ideologia oficial e não oficial, respectivamente.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Dessa forma, é possível pensar que grupos distintos de sujeitos sociais concebem o mundo e as coisas nele ocorridas de maneiras também distintas. É nesse jogo que pensamos sobre a ideologia, no jogo de interesses de diferentes classes sociais. Nessa luta, vemos um fato concreto sendo concebido distintamente por grupos de sujeitos que organizam o mundo do seu jeito, sob o seu olhar e se expressam sobre isso pela linguagem. Para tanto, olhamos para a linguagem como o lugar em que essa luta dos interesses pelas classes sociais acontece.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Por meio da leitura dos discursos de jornais de circulação nacional, buscamos compreender o embate entre diferentes ideologias. Os textos publicados nesses jornais nos mostram essa luta de classes em atividades humanas concretas, materialmente constituídas e, também segundo Ponzio, para buscar explicações efetivas das ideologias é preciso partir “para a esfera das relações sociais materiais e das condições materiais objetivas, dentro das quais os homens operam e criam discursos e representações”. (Ponzio, 2008, p.83)&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Na contemporaneidade, destacamos o agronegócio e as relações que o cercam como acontecimento para o qual direcionamos nossa atenção. Ler e ouvir o que está sendo dito a esse respeito, por quem está sendo dito e para quem. Enxergar na linguagem as diferentes concepções de mundo que são expressas nos discursos sobre o agronegócio. A ideologia dominante (oficial), que tenta imprimir uma visão monológica, “única de produção de mundo” (Miotello, 2005, p.169), e a ideologia do cotidiano, mais instável, constituindo-se reciprocamente, na materialidade da palavra.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Para essa discussão, trabalhamos com textos do jornal Folha de São Paulo – o caderno Agrofolha&lt;/span&gt;&lt;a style="mso-footnote-id: ftn3" title="" href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=2651107604259160564&amp;amp;postID=4680325084698945703#_ftn3" name="_ftnref3"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;[3]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt; – e o jornal Brasil de Fato&lt;/span&gt;&lt;a style="mso-footnote-id: ftn4" title="" href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=2651107604259160564&amp;amp;postID=4680325084698945703#_ftn4" name="_ftnref4"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;[4]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;. Nossa escolha se deve ao fato de que o primeiro é direcionado a investidores&lt;/span&gt;&lt;a style="mso-footnote-id: ftn5" title="" href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=2651107604259160564&amp;amp;postID=4680325084698945703#_ftn5" name="_ftnref5"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;[5]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt; e o segundo, produzido por movimentos sociais como o MST, a Via Campesina, a Consulta Popular e as pastorais sociais, e que se define como um jornal que apresenta “uma visão mais popular dos fatos”.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Nesses discursos é possível compreender as ideologias no papel de defender interesses específicos dos grupos sociais envolvidos com o agronegócio. De um lado, o discurso oficial, reproduzindo a ordem das coisas, e de outro, o discurso não oficial, questionando as relações sociais, já que&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Em sociedades que apresentam contradições de classe social, as ideologias respondem a interesses diversos e contrastantes; ora podem reproduzir a ordem social e manter como definitivos alguns dos sentidos das coisas (“integrantes do MST invadem uma fazenda em Pernambuco”), e ora podem discutir e subverter as relações sociais de produção da sociedade capitalista (“A terra é de quem nela trabalha”), desde que as mesmas obstaculizem o desenvolvimento das forças produtivas (Miotello, 2005, p.171).&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Assim também, na busca por essas diferentes concepções sobre as ações em torno do agronegócio, encontramos, sob o ponto de vista de grupos economicamente dominantes, um discurso que prega a reprodução das coisas como estão, a manutenção de um sistema vantajoso a grupos sociais como as grandes corporações ligadas ao agronegócio, por exemplo. Nessa luta, as palavras são as mediadoras na defesa de interesses, na justificativa de medidas capazes de reforçar o sistema econômico atual, nos debates a respeito das normas que regulam a produção e/ou negociação das commodities agrícolas, na ampliação da rede de poder, uma vez que o verdadeiro lugar do ideológico é o “material social particular dos signos criados pelo homem. Sua especificidade reside, precisamente, no fato de que ele se situa entre indivíduos organizados, sendo o meio de sua comunicação” (Bakhtin, 2006, p.35).  A organização social dos sujeitos se dá a partir de jogos de interesses que norteiam (ou, como diria Paulo Freire, “suleiam”&lt;/span&gt;&lt;a style="mso-footnote-id: ftn6" title="" href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=2651107604259160564&amp;amp;postID=4680325084698945703#_ftn6" name="_ftnref6"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;[6]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;) as ações dos grupos em defesa de seus objetivos e daquilo que lhes é mais vantajoso. Sujeitos sociais com interesses calcados na manutenção do atual sistema produtivo agrícola voltado para o agronegócio organizam-se para garantir que haja a reprodução das atuais condições econômicas e produtivas.  Já os sujeitos sociais que reivindicam a posse de terras para o trabalho agrícola, que lutam pela reforma agrária, pela garantia dos meios de subsistência dessa classe trabalhadora, entre outros direitos, põem em discussão, questionam, tentam, pelo discurso, subverter a atual ordem das coisas, em busca de mudanças. São os discursos como mediadores nessa luta ideológica.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Referências Bibliográficas&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;BAKHTIN, M. M., - Marxismo e Filosofia da linguagem. 12ª ed. – São Paulo: Hucitec, 2006.&lt;br /&gt;BRASIL DE FATO. Agência Brasil de Fato. Quem somos em: http://www.brasildefato.com.br/01/quemsomos. Acessado em 15 abr.2009.&lt;br /&gt;FREIRE, Paulo, Pedagogia da Esperança: um reencontro com a pedagogia do oprimido. – Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992.&lt;br /&gt;FOLHA DE SÃO PAULO. Folha de São Paulo. Grupo Folha apresenta dados sobre os diferentes departamentos que compõem o Grupo Folha. Disponível em &lt;http://www1.folha.uol.com.br/folha/conheca/circulacão.shtml&gt;. Acessado em: 15 jul. 2009.&lt;br /&gt;MIOTELLO, V. Ideologia. In: Beth Brait. (Org.). Bakhtin – Conceitos-chave. São Paulo: Editora Contexto, 2005, v.,p. 167-177.&lt;br /&gt;PONZIO, Augusto. A revolução bakhtiniana: o pensamento de Bakhtin e a ideologia contemporânea / Augusto Ponzio; [coordenação de tradução Valdemir Miotello]. – São Paulo: Contexto, 2008.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a style="mso-footnote-id: ftn1" title="" href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=2651107604259160564&amp;amp;postID=4680325084698945703#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Resumo expandido para discussão no “Círculo – Rodas de Conversa Bakhtiniana 2009”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a style="mso-footnote-id: ftn2" title="" href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=2651107604259160564&amp;amp;postID=4680325084698945703#_ftnref2" name="_ftn2"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Aluna (mestrado) do Programa de Pós-Graduação em Lingüística – Universidade Federal de São Carlos. Orientador: Valdemir Miotello&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a style="mso-footnote-id: ftn3" title="" href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=2651107604259160564&amp;amp;postID=4680325084698945703#_ftnref3" name="_ftn3"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[3]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Caderno semanal publicado no interior do caderno Dinheiro.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a style="mso-footnote-id: ftn4" title="" href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=2651107604259160564&amp;amp;postID=4680325084698945703#_ftnref4" name="_ftn4"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[4]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; “O Jornal Brasil de Fato foi lançado no Fórum Social Mundial de Porto Alegre, em 25 de janeiro de 2003 [...] É um jornal semanal, com circulação nacional. Por entender que, na luta por uma sociedade mais justa e fraterna, a democratização dos meios de comunicação é fundamental, movimentos sociais como o MST, a Via Campesina, a Consulta Popular e as pastorais sociais criaram o jornal Brasil de Fato” (Brasil de Fato, 2009)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a style="mso-footnote-id: ftn5" title="" href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=2651107604259160564&amp;amp;postID=4680325084698945703#_ftnref5" name="_ftn5"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[5]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; “A conjuntura econômica, brasileira e internacional, e o mundo dos negócios são principal alvo do Caderno Folha Dinheiro.”. [...] “Com informações precisas, linguagem clara e elucidativa, o caderno orienta quanto a investimentos, traz indicadores econômicos e faz a cobertura de temas que mereçam atenção especial em função da conjuntura econômica.”. (Folha de São Paulo, 2009)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a style="mso-footnote-id: ftn6" title="" href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=2651107604259160564&amp;amp;postID=4680325084698945703#_ftnref6" name="_ftn6"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[6]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Paulo Freire (1992, p.24) usa esse termo em sua obra “Pedagogia da Esperança”. Nessa obra, encontramos uma belíssima nota a respeito do termo “sulear” – tomado do físico Márcio Campos – em vez de nortear. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2651107604259160564-4680325084698945703?l=conversasbakhtinianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasbakhtinianas.blogspot.com/feeds/4680325084698945703/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2651107604259160564&amp;postID=4680325084698945703&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2651107604259160564/posts/default/4680325084698945703'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2651107604259160564/posts/default/4680325084698945703'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasbakhtinianas.blogspot.com/2009/10/luta-de-classes-nos-discursos-ideologia.html' title='Luta de classes nos discursos: ideologia oficial e não oficial na contemporaneidade'/><author><name>GEGe -  Grupo de Estudos de Gêneros do Discurso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06927853979162145692</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2651107604259160564.post-8001908174475666490</id><published>2009-10-20T14:29:00.000-07:00</published><updated>2009-10-21T04:45:20.392-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='1-O pensamento bakhtiniano na atualidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rubens Dias Maia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='1a As ideologias contemporâneas'/><title type='text'>Ideologia e Bakhtin</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Rubens Dias Maia&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;A questão da ideologia relacionada a Bakhtin leva-nos primeiramente a perguntar o que se deve entender por ideologia e qual é o conceito de ideologia do lingüista russo. Augusto Ponzio, no capítulo Signo e Ideologia (A revolução bakhtiniana, p.109) nos orienta para apurar o conceito bakhtiniano de ideologia, embora deixe o leitor, às vezes, perplexo diante de muitos retornos e variações na definição de ideologia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:85%;color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Afirma Ponzio (p.113) “O termo “ideologia” que Bakhtin usa não se identifica completamente com “falsa consciência”, com “pensamento distorcido”; falso. Não se trata exatamente de mistificação nem de automistificação, ou falsificação socialmente determinada”. E ainda diz que o significado de “ideologia” para Bakhtin é diferente do significado que esse termo adquiriu em Marx e Engels como “falsa consciência”. Ponzio ainda comenta que “falsa consciência” não é a definição da ideologia em geral, mas da ideologia em sentido restrito, a ideologia burguesa. A burguesia havia se transformado em classe dominante e estava interessada em manter a divisão de classes sociais e ocultar as condições que levariam mudar as estruturas. Mais adiante, citando um ensaio de Voloshinov (p.114): “Por ideologia entendemos todo conjunto dos reflexos e das interpretações da realidade social e natural que tem lugar no cérebro do homem e se expressa por meio das palavras (...) ou outras formas sígnicas”. O conceito de Bakhtin, no entanto, não condiz com a definição do ideólogo francês Destutt de Tracy (1754-1836), para quem ideologia é simplesmente a ciência das idéias, análise das idéias e sensações. Para Bakhtin, a ideologia tem acentuação valorativa e esse termo pode ser empregado também no sentido de ideologia da classe dominante, interessada em manter a divisão das classes sociais, isto é, a ideologia em sentido restrito, a falsa consciência, ideologia burguesa, proletária e mesmo ideologia científica, esta última parece ser mesmo contraditória. Num outro sentido, diríamos, lendo Ponzio (116), que Bakhtin aceita a definição de ideologia como um sistema de concepções de uma classe que pretende impor comportamentos, a ideologia dominante. Para Bakhtin, pois, o signo ideológico tem um aspecto valorativo, não é apenas expressão de uma idéia, mas uma tomada de posição, práxis concreta, ideologia da classe dominante, interessada em manter a divisão das classes sociais. “A palavra, afirma Bakhtin, em Marxismo e Filosofia da Linguagem, p.36, é o fenômeno ideológico por excelência”. Junto com essa proposição lingüística bakhtiniana, pode ser importante citar pensamentos de alguns lingüistas nesse mesmo assunto das ideologias, para mostrar que, na verdade, a palavra tem poder. Hjelmslev em Prolegômenos, (p.185, Pensadores XLIX): “A linguagem é inseparável do homem e segue-o em todos seus atos. A linguagem é o instrumento graças ao qual o homem modela seu pensamento, seus sentimentos, suas emoções, seus esforços, sua vontade e seus atos, o instrumento graças ao qual ele influencia e é influenciado, a base última e mais profunda da sociedade humana.” &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:85%;color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Charaudeau, no Prefácio de Linguagem e discurso, afirma: “É a linguagem que permite ao homem pensar e agir... A linguagem é um poder, talvez o primeiro poder do homem” . Os discípulos de Saussure escrevem: “Philosophes et linguistiques se sont toujours accordés à reconnaître que, sans le secours des signes, nous serions incapables de distinguer deux idées d’une façon claire et constante. Prise em elle-même, la pensée est comme une nebuleuse ou rien n’est nécessairement délimité. Il n’y a pas d’idées préétablies, et rien n’est distinct avant l’apparition de la langue.”(Cours,p.155)&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Voltando a Bakhtin, em Marxismo e Filosofia da Linguagem, lemos na página32, “Todo signo está sujeito aos critérios de avaliação ideológica (isto é: se é verdadeiro, falso, correto, justificado, bom, etc.). O domínio do ideológico coincide com o domínio dos signos: são mutuamente correspondentes. Ali onde o signo se encontra, encontra-se também o ideológico. Tudo que é ideológico possui um valor semiótico”. E mais adiante, como já mencionamos, na página 36 vem a célebre tese: “A palavra é o fenômeno ideológico por excelência”. Percebemos, pois, que o conceito de ideologia não é tão simples. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:85%;color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Podemos considerar a ideologia como visão de mundo, concepções filosóficas, religiosas, jurídicas, estéticas, num sentido bem amplo. Num sentido mais restrito, temos a falsa consciência, as idéias falaciosas e, por isso, não científicas, determinadas por um grupo dominante. Quando a concepção tem uma fundamentação crítica, ela não é ideológica. Ideologia e pensamento crítico se excluem. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:85%;color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Barthes nos lembra certas afirmações que vão condicionando o pensamento das pessoas de modo quase inconsciente, como figuras ideológicas. Frases como: “ninguém nega que haja maus patrões”, “sempre foi assim, sempre será”, “são leis do mercado”, “o povo não sabe votar”, “se é muito vendido, é bom” (Apud Tringali, p.175). &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:85%;color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;O filósofo inglês Francis Bacon (1561-1626) escreveu o Novum Organum em oposição ao Organum de Aristóteles. Publicado em 1620, apresentou uma interessante doutrina dos “idola”, ídolos, falsos deuses ou falsas imagens no pensamento que são obstáculos para o verdadeiro conhecimento, que podemos classificar como ideologias. O homem precisa tornar-se consciente das falsas noções que obscurecem a mente. A função da teoria dos ídolos é tornar o homem consciente dessas falsas noções. São quatro as categorias de fantasmas, que povoam a mente humana, ídolos, denominados em latim: &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:85%;color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;1 idola tribus, &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;2 idola, specus, &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;3 idola fori, e &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;4 idola theatri. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:85%;color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;1) idola tribus, ídolos da tribo são preconceitos comuns a todos os homens ou a família humana, nascem de interesses. A inteligência humana julga as coisas conforme sua própria natureza, é o antropomorfismo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;2) Os ídolos da caverna são preconceitos individuais, egoísmos, razões e pensamentos subjetivos. Influências de leituras pessoais. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;3) Os ídolos da praça são julgamentos oriundos da convivência social, dos equívocos da linguagem, são os chamados ruídos da comunicação. Surgem com os nomes, são sofismas de palavras. As palavras podem fazer violência ao intelecto e perturbar o raciocínio. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;4)Os ídolos do teatro resultam dos ensinamentos, das doutrinas filosóficas, das autoridades dos mestres. Muitas doutrinas são encenadas diante do público, que se deixa levar sem reflexão crítica.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Podemos concluir com Dante Tringali (Introdução à Retórica, p.173) “Desde que se realize o debate livre de idéias, que os discursos se confrontem, sem coação, sem repressão, esconjuramos o ideológico.”&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2651107604259160564-8001908174475666490?l=conversasbakhtinianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasbakhtinianas.blogspot.com/feeds/8001908174475666490/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2651107604259160564&amp;postID=8001908174475666490&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2651107604259160564/posts/default/8001908174475666490'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2651107604259160564/posts/default/8001908174475666490'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasbakhtinianas.blogspot.com/2009/10/ideologia-e-bakhtin.html' title='Ideologia e Bakhtin'/><author><name>GEGe -  Grupo de Estudos de Gêneros do Discurso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06927853979162145692</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2651107604259160564.post-6303288640288519173</id><published>2009-10-20T14:25:00.000-07:00</published><updated>2009-10-21T04:48:04.978-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ivone Panhoca'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='1-O pensamento bakhtiniano na atualidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='1b-O humano e as subjetividades na contemporaneidade'/><title type='text'>BAKHTIN E A FONOAUDIOLOGIA – AFASIAS E DOENÇA DE ALZHEIMER</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;IVONE PANHOCA&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; – FONOAUDIOLOGIA – PUC-CAMPINAS &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Venho estudando, na Faculdade de Fonoaudiologia da PUC-Campinas, o discurso narrativo de afásicos e de pessoas com Doença de Alzheimer, focando conceitos elaborados por Bakhtin, uma vez que a adoção de tais conceitos possibilita a valorização de processos dos quais esses sujeitos se utilizam para a construção de significações na linguagem e pela linguagem, com mediações do terapeuta.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Nessa linha de raciocínio entende-se que os sujeitos desenvolvem um trabalho sobre o “material” disponibilizado na/pela língua.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Apresento, abaixo, breves reflexões (na verdade, fragmentos de reflexão) mostrando como procuro trabalhar tanto com as afasias quanto com a Doença de Alzheimer (D.A.) à luz de conceitos bakhtinianos.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Conceitos bakhtinianos enfocados na minha prática terapêutico-fonoaudiológica : enunciado, dialogismo, acabamento, querer dizer (intuito discursivo), compreensão ativo-responsiva, polifonia, excedente de visão, contra-palavra.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Como exemplo, considerada a limitação de espaço que me imponho aqui, proponho refletirmos um pouco sobre o conceito de enunciado e sua “função” na terapia fonoaudiológica de base discursiva.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Considerado como a alternância dos papéis entre locutores e interlocutores, a concepção bakhtiniana de enunciado, ao contrário de conceitos como os de sentença e frase, pode ser aplicada às produções lingüísticas tanto de sujeitos afásicos quanto de pessoas com Doença de Alzheimer, mesmo aqueles com expressão oral bastante reduzida, com produções que não podem ser subdivididas em unidades convencionais da língua. Parafasias, jargonafasias e “fragmentos” que fogem ao alcande de unidades como “palavras” ou “sentenças” podem ser estudadas, em ambos os casos, do ponto de vista dessa concepção de enunciado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Importante considerar, ainda, que os vários conceitos bakhtinianos, mencionados acima, se entrelaçam no estudo dos quadros afásicos e da Doença de Alzheimer, se/quando tal estudo é efetuado em uma perspectiva discursivamente orientada.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;AFASIAS E DOENÇA DE ALZHEIMER&lt;br /&gt;PROCESSO TERAPEUTICO-FONOAUDIOLÓGICO COM PONTOS EM COMUM, À LUZ DE CONCEITOS BAKHTINIANOS&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Enunciado, dialogismo, acabamento, querer dizer (intuito discursivo), compreensão ativo-responsiva, contra-palavra, são conceitos que se entrelaçam no estudo de quadros afásicos e da Doença de Alzheimer, uma vez que possibilitam o estudo dos enunciados produzidos pelos sujeitos acometidos, assegurando a eles legitimidade dentro do processo dialógico.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Nos processos (de compreensão) ativo-responsivos, a fala do outro coloca tanto o sujeito afásico quanto aquele com Doença de Alzheimer na necessidade da busca de sentido. O que, por sua vez, faz com que o sujeito que busca compreender volte-se para o enunciado do outro, dando seguimento à cadeia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;A compreensão, portanto, resultará da inter-conexão entre os recursos lingüístico-expressivos utilizados pelo locutor com os recursos lingüístico-expressivos utilizados pelo interlocutor, em um processo contínuo, na cadeia discursiva. Portanto, como já foi dito aqui, enunciado, dialogismo, acabamento, querer dizer (intuito discursivo), compreensão ativo-responsiva, contra-palavra, são conceitos que se entrelaçam no trato com as produções lingüístico-expressivas tanto de afásicos quanto de pessoas com Doença de Alzheimer.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Além disso, dentro da perspectiva bakhtiniana, em ambos os casos aqui enfocados, deve-se considerar, na análise lingüística : contexto de fala, relação do falante com o ouvinte, momento histórico, sendo de fundamental importãncia, portanto fatores como : de que forma o afásico se relaciona com suas limitações linguísticas....que “peso” tem a Doença de Alzheimer naquela família....que relação (anteriormente ao acometimento) aquele cuidador mantinha com o sujeito acometido.....&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;AFASIAS E DOENÇA DE ALZHEIMER&lt;br /&gt;ESPECIFICIDADES DO PROCESSO TERAPEUTICO-FONOAUDIOLÓGICO, À LUZ DE CONCEITOS BAKHTINIANOS&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;As especificidades de cada um dos quadros enfocados : afasias e Doença de Alzheimer, fazem com que sejam observadas diferenças na forma como os conceitos bakhtinianos se disponibilizam para “uso terapêutico”, no trato com afásicos e com pessoas com a DA.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Por exemplo : o afásico, muitas vezes recorrendo a outras semioses que não a oralidade e a escrita (gestos, desenho, expressões corporais), expõe claramente o intuito discursivo, o que coloca seu enunciado em “ponto de acabamento”, deixando o terreno preparado para a intervenção do terapeuta.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;O mesmo não se observa com relação à Doença de Alzheimer, quadro em que os comprometimentos de cognição (em especial de memória) e de orientação temporal levam a progressiva desorientação na trama discursivo-narrativa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;A fala do outro tem mais dificuldade de deflagrar, no sujeito com DA - em especial em fases mais adiantadas - um esforço de busca de construção de sentidos, mostrando-o com intuito discursivo cada vez menos presente.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Os comprometimentos da cognição, em especial da memória, e da linguagem, comprometem a capacidade de tais sujeitos de estabelecer relações entre os recursos utilizados pelo locutor e os recursos que deveriam ser utilizados por ele, na cadeia discursiva. Dessa forma, a partir de certo ponto de evolução da doença, o sujeito com DA - cada vez mais distanciado da sua própria língua(gem) - cada vez mais foge ao alcance do terapeuta e da sua principal ferramenta terapêutica : a linguagem oral.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:85%;color:#ffffff;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Na medida em que isso ocorre ganha mais e mais espaço, no processo terapêutico-fonoaudiológico, o cuidador, com quem o terapeuta passa, agora, a atuar de forma direta. Atuando junto a ele, o terapeuta estará visando relações interativas de qualidade suficiente para “fazer diferença” no processo de reinserção social (familiar, ocupacional, conjugal, etc.) do sujeito acometido.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2651107604259160564-6303288640288519173?l=conversasbakhtinianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasbakhtinianas.blogspot.com/feeds/6303288640288519173/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2651107604259160564&amp;postID=6303288640288519173&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2651107604259160564/posts/default/6303288640288519173'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2651107604259160564/posts/default/6303288640288519173'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasbakhtinianas.blogspot.com/2009/10/bakhtin-e-fonoaudiologia-afasias-e.html' title='BAKHTIN E A FONOAUDIOLOGIA – AFASIAS E DOENÇA DE ALZHEIMER'/><author><name>GEGe -  Grupo de Estudos de Gêneros do Discurso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06927853979162145692</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2651107604259160564.post-3578907742870488701</id><published>2009-10-20T14:17:00.000-07:00</published><updated>2009-10-20T14:21:22.856-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='1-O pensamento bakhtiniano na atualidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sérgio A. Leal de MEDEIROS'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='1b-O humano e as subjetividades na contemporaneidade'/><title type='text'>Ato estético e devir ético em Bakhtin: Filosofia e Cinema</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Sérgio A. Leal de MEDEIROS&lt;/span&gt;&lt;a style="mso-footnote-id: ftn1" title="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2651107604259160564#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;Neste trabalho, pretendo dialogar com textos bakhtinianos, especialmente o Para Uma Filosofia do Ato e O Autor e o Personagem, buscando, nos conceitos criados pelo autor, material teórico para criar possibilidades de  abordagens que aproximem a experiência estética da responsabilidade ética na compreensão das imagens cinematográficas no ambiente escolar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Para Bakhtin, e aqui reside sua grande potência para o escopo deste trabalho, “na arte não há filosofia, mas o ato de filosofar; não há o conhecimento, mas o processo de cognição”. Como afirma Cristovão Tezza (2003), &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;(...) Para o Círculo de Bakhtin, a definição do que é ou não é poético é um dado histórico e não uma categoria transcendente – do ponto de vista lingüístico, cada elemento formal da linguagem possui idêntico potencial artístico. Na sua ótima síntese, “só a enunciação pode ser bela” – ou seja, é a vida concreta, dialógica, da linguagem, que dará ou não os contornos da literatura... a palavra já entra na arte carregada de intenções, opiniões, traços sociais, com todas as marcas de seu território valorativo (Tezza; 2003 p.36).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sendo assim, a tarefa da estética deve ser a especificação de uma obra artística no universo das enunciações sociais, no território em que palavras e imagens significam concretamente e jamais nas supostas propriedades de um sistema abstrato. Como o escritor, o cineasta, quando cria imagens, não seleciona um sistema abstrato de possibilidades imagéticas, seleciona, isto sim, as avaliações sociais implícitas em cada imagem, ou em cada palavra, em se tratando do escritor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar do grande potencial teórico para a compreensão do ato estético, inclusive da estética do cinema, a obra de Bakhtin é ainda pouco explorada nesse campo. Robert Stam, importante crítico americano, é um dos estudiosos que se debruçam sobre o potencial teórico da obra de Bakhtin para as análises fílmicas. Para esse autor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(...) a teoria do cinema é o que Bakhtin chamará de um “enunciado historicamente localizado” e reconhece que as idéias de teóricos de um determinado período histórico podem produzir seus frutos muito posteriormente. Quem poderia adivinhar que as idéias filosóficas de Bergson ressurgiriam um século mais tarde na obra de Gilles Deleuze. Os trabalhos do Circulo de Bakhtin foram publicados nos anos 20, mas as idéias bakhtinianas somente vieram a “penetrar” na teoria nos anos 60/70, quando uma avaliação retrospectiva definiu-o como um “proto-pós-estruturalista (Stam; 2003 p.17).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Robert Stam ancora suas reflexões teóricas e estéticas sobre o cinema referenciado, principalmente, em duas obras de Bakhtin: Escritos sobre Rabelais e Problemas da poética de Dostoievski. A partir dessas obras, Stam discute as heranças que a teoria do cinema incorporou, especialmente da concepção do realismo artístico. O “realismo”, um termo surpreendentemente elástico e contestado, ingressa na teoria do cinema sobrecarregado das incrustações milenares dos debates precedentes na filosofia e na literatura. A filosofia clássica fazia a distinção entre o realismo platônico – afirmação da existência absoluta e objetiva de universais, ou seja, a crença de que formas, essências e abstrações como “beleza” e “verdade” existem independemente da percepção humana – e o realismo aristotélico – entendendo que os universais somente têm existência nos objetos do mundo exterior e não em um domínio extra-material de essências. O termo realismo é confuso, porque os usos e significados filosóficos, tradicionalmente, fazem-no parecer diametralmente oposto ao “senso comum” do realismo: a crença objetiva dos fatos e a tentativa de enxergá-los sem idealizações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para situar o debate estético no interior da teoria do cinema questionando se o cinema deve ser narrativo ou antinarrativo, realista ou anti-realista, enfim, sua relação com o modernismo artístico que se institucionaliza no século XX tendo como interesse central uma arte não representacional, até então caracterizada pela abstração, fragmentação e agressão, Stam, com os estudos sobre Rabelais, percebe que as manifestações estéticas são produto de uma cultura e um momento histórico específico, constituindo-se apenas como uma das muitas possibilidades de expressão. Conforme o teorizado por Bakhtin nos estudos sobre a obra de Rabelais, o realismo grotesco do carnaval inverte a estética convencional e elabora um novo tipo de beleza popular, rebelde e convulsiva, “que ousa revelar o grotesco dos poderosos e a beleza latente do vulgar”. No carnaval, todas as distinções hierárquicas, todas as barreiras, normas e proibições são temporariamente suspensas, estabelecendo-se uma espécie de comunicação qualitativamente diferente, fundada no contato íntimo livre e familiar. A gargalhada, para Bakhtin, na alegria cósmica do carnaval, possui um intenso significado filosófico e constitui uma perspectiva particular sobre a experiência, não menos profunda que a seriedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Stam busca também referências no texto em que Bakhtin examina a “sátira menipéia”&lt;/span&gt;&lt;a style="mso-footnote-id: ftn2" title="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2651107604259160564#_ftn2" name="_ftnref2"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;, um gênero artístico trans-histórico relacionado a uma visão carnavalesca do mundo que se diferencia por seus personagens oxímorônicos&lt;/span&gt;&lt;a style="mso-footnote-id: ftn3" title="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2651107604259160564#_ftn3" name="_ftnref3"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;[3]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;, estilos múltiplos, violação das normas de etiqueta e pela confrontação cômica de pontos de vista filosóficos. Em Problemas da poética de Dostoievski, Stam observa que&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(...) mesmo que originalmente não tenha sido concebida como um instrumento para a análise fílmica, a categoria da menipéia é capaz de desprovincianizar o discurso crítico cinematográfico comprometido com as convenções de verossimilhança do século XX (Stam; 2003, p.30).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além dos textos bakhtinianos trabalhados por Stam, em cuja leitura o autor encontrou grande riqueza em possibilidades teóricas para a compreensão do cinema como instrumento artístico-cultural, acredito que também os ensaios Para Uma Filosofia do Ato e O autor e o Herói na Atividade Estética são de grande vitalidade proteica para o exercício de pensar a arte do cinema e seu potencial formativo e educativo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro, pelo que os textos significam no contexto da obra de Bakhtin. Para Amorim (2006), o texto “Para Uma Filosofia do Ato” apresenta um projeto que se realizaria ao longo da obra de Bakhtin. É um texto que difere de outros textos por ser inteiramente filosófico e dedicado à questão da ética. Aliás, para Ponzio, ambos os textos, tanto Autor e Herói na Atividade Estética como Para Uma Filosofia do Ato, são parte de um mesmo projeto de pesquisa, sendo um a continuação do outro. Ponzio (2008) está de acordo com Marília Amorim quando afirma que nesses textos, que iluminam o perfil do conjunto da obra de Bakhtin, são criados e discutidos tópicos como autoria, responsabilidade, significado moral da exotopia, pensamento participativo, não-álibi na existência, que serão sempre retomados em um e outro momento, em um e outro texto da grande obra de Bakhtin.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em segundo lugar, os textos, apesar de escritos entre 1919 e 1923, ironicamente, foram os últimos textos publicados de Bakhtin. Michael Holquist&lt;/span&gt;&lt;a style="mso-footnote-id: ftn4" title="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2651107604259160564#_ftn4" name="_ftnref4"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;[4]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;, editor e prefaciador da primeira edição em língua inglesa do Para Uma Filosofia do Ato, aponta que, com a iminência da morte, no final dos anos 1960 e início dos 1970, Bakhtin confessa a um grupo de admiradores e estudantes a existência de manuscritos deixados na cidade de Saransk. Em 1972 os manuscritos são encontrados em péssimo estado de conservação e jogados em um depósito de madeira. Os manuscritos, diz Holquist (2003), continham fragmentos de dois grandes projetos de trabalho na perspectiva da filosofia alemã. O principal dos manuscritos era Arte e Responsabilidade (Arte and Answerability), publicado em 1990 pela Universidade do Texas. Outro fragmento, Para Uma Filosofia do Ato, demonstra o interesse de Bakhtin pela escola de Marburg (neokantismo), sua obsessão em ler, estudar e discutir o pensamento de Kant. Para Holquist, o texto é uma tentativa de destranscendentalizar Kant e pensar além do imperativo ético da formulação kantiana. Se, para Kant, a ética deveria estar fundada no princípio do “como se” as conseqüências pudessem ser aplicadas a qualquer pessoa em qualquer tempo, o que Bakhtin chama de “universalidade do dever” e que procura criticar contrapondo a necessidade de recuperar a “imediaticidade nua da experiência”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tezza (2003), reafirmando a condição dos textos, indica que ambos faziam parte de um projeto filosófico mais amplo do jovem Bakhtin. Para Tezza, nesses estudos Bakhtin discute o princípio básico da relação entre o autor e o personagem. Sua abordagem tem como originalidade a definição de uma teoria narrativa esboçada a partir do instrumental fenomenológico. Entretanto, não é possível reduzir seu pensamento a uma escola ou categoria, pois suas proposições teóricas e práticas estão assentadas no fato de usar os elementos obtidos do fenômeno concreto, com base na concepção teórica inicial, para alterar essa concepção e em seguida voltar a ele com outra compreensão. Para Sobral (2005), “trata-se de um constante movimento de ir e vir, sem a circularidade dos sistemas fechados e com base numa permanente tensão” (p. 135). Não obstante, e segundo Oskar Walzel&lt;/span&gt;&lt;a style="mso-footnote-id: ftn5" title="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2651107604259160564#_ftn5" name="_ftnref5"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;[5]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;, Bakhtin deu grande contribuição para demonstrar como a arte pode ser examinada do ponto de vista fenomenológico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As idéias desenvolvidas nos primeiros trabalhos de Bakhtin e aplicadas a Dostoievski em 1929 inauguraram uma abordagem verdadeiramente inovadora da narrativa com implicações antropológicas e sociológicas que ainda exigem desenvolvimento (Tezza, 2003).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essas abordagens, que Bakhtin desenvolveu nos estudos de literatura, especialmente nos estudos do romance de Dostoievski, tinham como finalidade buscar a construção de um pensamento filosófico com a literatura, ou melhor, na visão filosófica que a estética literária torna possível. Embora distante da pretensão de abordar os meandros da teoria do cinema, e muito menos transpor de forma mecânica conceitos dos estudos de linguagem literária para os estudos da análise cinematográfica, penso que as abordagens bakhtinianas contêm grande manancial ainda a ser explorado nas análises da linguagem e dos instrumentos imagéticos. Bakhtin é um autor que sempre se renova. A cada leitura de seus textos emergem novos sentidos, novos elementos aparecem explicitando, ele mesmo, o paradoxo das grandes obras, quando afirma que estas “em seu processo de vida post mortem se enriquecem com novos significados, novos sentidos; é como se estas obras superassem o que foram na época de sua criação. (...) O autor é um prisioneiro de sua época, de sua atualidade. Os tempos posteriores o libertam dessa prisão” (Bakhtin, 364). Refletir com Bakhtin na perspectiva da estética cinematográfica é atualizar seus conceitos no diálogo com a grande temporalidade presente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das muitas categorias que emergem nesses manuscritos de Bakhtin e que perpassa toda a obra do autor é o conceito de polifonia. Conceito que guarda grande potência para a reflexão sobre a enunciação na narrativa cinematográfica, embora tenha sido criado no exercício do autor na análise do romance literário. Bakhtin considera a polifonia como um jogo de falas, um encontro entre diversos campos emocional-volitivos expresso pela relação entre os personagens e o autor, entre personagens e personagens e entre personagens, o autor-criador e o autor-contemplador/leitor. Na perspectiva da linguagem cinematográfica, o referido conceito pode expandir-se, pois, no cinema, além das vozes e sons, temos um jogo de olhares, uma polivisão, formando um campo de tensão entre diversas ações carregadas de conteúdo emocional-volitivo cuja natureza é difícil de decifrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se, na literatura, o tema da instância narradora já acumulou várias reflexões, na teoria do cinema muita coisa ainda está por ser feita, apesar das teorias da enunciação do cinema (Stam; 2003).  No romance, em relação à narração, tudo é uma questão de voz e modo: quem fala, como e de onde fala? No cinema, quem narra o filme não é exatamente a voz que nele fala, mas a instância que dá a ver e a ouvir, que ordena os planos e os amarra, segundo uma lógica de sucessão. O sujeito da enunciação cinematográfica em Deus e o Diabo na terra do Sol&lt;/span&gt;&lt;a style="mso-footnote-id: ftn6" title="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2651107604259160564#_ftn6" name="_ftnref6"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;[6]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt; não é o cantador de cordel, colocado na história como “o narrador”. No cinema não se conta propriamente uma história, pois isso implica uma relação de anterioridade do fato narrado, de que o narrador se faz porta-voz em um momento posterior. No cinema não há passado. Quando o filme começa a ser projetado, a história começa, “de fato”, a suceder diante de nossos olhos: entramos dentro dela e nela nos empenhamos num processo onírico. O próprio Bakhtin afirma que&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; (...) o ato realizado concentra, correlaciona e resolve dentro de um contexto unitário e único, e, desta vez, contexto final, tanto o sentido como o fato, o universal e o individual, o real e o ideal, porque tudo entra na composição de uma motivação responsável. O ato realizado constitui uma passagem, de uma vez por todas, do interior da possibilidade como tal, para o que ocorre uma única vez (Bakhtin; 1993; 46).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se, na obra literária, alguém serve de mediador entre nós e os acontecimentos da história narrada, na narrativa cinematográfica/imagética, seguramente não é um contador de histórias, embora isso possa ser sugerido pela trilha sonora, voz em off, etc., mas um “alguém” que só pode existir na estrutura do filme, como uma lacuna, permitindo ao espectador ocupar seu lugar. O espectador e o texto fílmico não podem ser considerados separados um do outro e o processo de construção de sentidos envolve uma interação entre os dois. O próprio Bakhtin é quem fala que&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... no acontecimento artístico há dois participantes: uma passivo-real, outro ativo (autor-contemplador); a saída de um desses participantes destrói o acontecimento artístico, restando-nos apenas uma ilusão precária de acontecimento artístico – o falseamento, o embuste artístico de si mesmo; o acontecimento artístico é irreal, não se realizou de verdade (Bakhtin; 2003, p.185).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já no texto “O autor e o Herói na Atividade Estética”, Bakhtin abre possibilidades para ampliação do campo de pensamento permeáveis às reflexões sobre o cinema e o processo de significação das imagens fílmicas. Embora se ocupando, como já dito, com as questões dos estudos literários, as categorias que Bakhtin cria no campo das reflexões estéticas sugerem caminhos para a reflexão sobre a arte cinematográfica, verificando que&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem é o centro organizador do conteúdo-forma da visão artística, e ademais que é um dado homem em sua presença axiológica no mundo. O mundo da visão artística é um mundo organizado, ordenado e acabado independentemente do antedado e do sentido em torno de um homem dado como seu ambiente axiológico: vimos como em torno dele se tornam artisticamente significativos e concretos os elementos e todas as relações espaço, tempo e sentido. Essa orientação axiológica e essa condensação do mundo em torno do homem criam para ele uma realidade estética diferente da realidade cognitiva e ética, mas, evidentemente, não é uma realidade indiferente a elas (Bakhtin, 2003; p.173). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Bakhtin, o objeto estético condensa uma complexa rede de relações axiológicas envolvendo três constituintes imanentes: o autor, a personagem e o contemplador/receptor/espectador. O princípio básico da relação criadora é marcado por uma exotopia, um estar-do-lado-de-fora. Como afirma Bakhtin, “a diferença axiológica profunda, essencial e de princípio entre o eu e o outro, tem um caráter de acontecimento: fora dessa diferença não é possível nenhum ato axiologicamente ponderável” (2003; p.173)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O autor não pode ser confundido com o escritor de um romance, no caso da literatura, ou com um diretor de cinema. Na visão de Bakhtin, o autor-criador é posição axiológica que dá unidade ao todo artístico, ele é a voz social que dá unidade ao objeto artístico. Sua posição axiológica de autor-criador é relacional: é um modo de ver o mundo, um princípio ativo de visão que guia a construção do objeto estético e direciona o olhar do leitor/contemplador. Para o autor-criador, os personagens não são nem um “ele”, nem um “eu”, mas um “tu” plenivalente: tanto na literatura como no cinema, o autor não apenas fala do personagem, mas fala “com” o personagem. E, como fala com os personagens, o faz sempre atento ao que os outros pensam do personagem e da própria relação dele, autor, com o personagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, o receptor/espectador tem uma característica imanente: é uma função estético-formal que permite transpor, para o plano estético da obra de arte, manifestações do coro social de vozes. Como dito acima, o objeto estético condensa, dessa maneira, uma complicada rede de relações axiológicas, envolvendo os três constituintes imanentes: o autor, a personagem e o espectador/receptor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na perspectiva da estética cinematográfica, o movimento da exotopocidade proposto por Bakhtin, no qual o eu-para-mim-mesmo se constrói a partir do eu para os outros, pode significar uma importante ferramenta para a compreensão dos movimentos de câmera como constituidores da narrativa imagética. O espectador é desterritorializado quando, por exemplo, ocorre uma coincidência entre a visão dada pela câmera e a visão de uma personagem particular; ou quando a câmera se identifica como o próprio espectador; ou, ainda, quando a interiorização de um ponto de vista particular é dada não só através de um uso da câmera, mas integrando-a aos cortes, às variações de ângulos de tomada e à objetivação do personagem dentro do campo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arlindo Machado (2007) chama atenção para o fato de que, na literatura, nada  se aproxima dessa co-presença constante no campo de visão da própria personagem vidente,  tomando como exemplo o filme Janela Indiscreta&lt;/span&gt;&lt;a style="mso-footnote-id: ftn7" title="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2651107604259160564#_ftn7" name="_ftnref7"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;[7]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt; de Hitchcock:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(...) o filme começa com uma cortina se abrindo e revelando o cenário de um cortiço de subúrbio, com suas inúmeras janelinhas e as personagens anônimas enclausuradas dentro delas. A câmera faz um zoom-in, aproximando-se lentamente, até que a janela que permite ver o cenário coincida com o quadro. Essa abertura é significativa do princípio narrativo do filme: a tela é a janela do apartamento de Jeff, o fotógrafo acidentado, imobilizado em sua cadeira de rodas que passa o tempo espiando os vizinhos... tudo o que acontece fora do apartamento de Jeff é visto exclusivamente dessa perspectiva restrita. Dentro deste quadro janela aparecem outras “telas” que recortam o visível, como se o quadro cinematográfico estivesse mis en abîme para multiplicar a intriga central numa pluralidade de outras intrigas. Há uma coincidência e limites: como Jeff, a instância vidente não pode sair do apartamento; como Jeff, a instância vidente espia tudo e a todos exclusivamente através da janela indiscreta; como Jeff a instância vidente não pode saber o que se passa atrás das cortinas fechadas do apartamento de Lars Thorwald, o suposto assassino. Mas a mesma instância vidente pode ver mais que Jeff: a última saída do caixeiro-viajante na noite do crime não foi vista pelo protagonista principal que adormeceu na cadeira de rodas. (...) Nós pudemos ver esta cena, já que o narrador no-lo mostrou, mas Jeff, não, e essa diferença de olhares (de saberes) faz divergir, por algum tempo, a interpretação que espectador e personagem fazem dos acontecimentos (Machado, 2007; p.45).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Bakhtin, a reação do personagem à vida reúne todas as reações cognitivas e emocional-volitivas singulares e as une em um todo arquitetônico. Para assumir valor artístico, a ação unitária do autor precisa evidenciar a resistência da realidade, a alteridade da personagem e seu valor extra-artístico. Assim como no filme de Hitchcok, no poema de Puchkin&lt;/span&gt;&lt;a style="mso-footnote-id: ftn8" title="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2651107604259160564#_ftn8" name="_ftnref8"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;[8]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt; analisado por Bakhtin pode-se identificar uma alteridade dialógica sob diferentes pontos de vista como o contexto do autor e o contexto dos dois protagonistas: o autor-herói e o personagem. O personagem não é descrito como um eu e assumido como objeto, mas é um centro de alteridade, perspectiva na qual organiza seu mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cinema, como o de Hitchcock, Godard, Fellini, Glauber Rocha, Fernando Meireles e tantos outros, é a representação de uma consciência, a consciência do autor, que é a consciência de uma consciência – uma consciência que engloba e dá acabamento a consciências dos personagens e do seu mundo. A relação criadora é marcada pelo princípio da exotopia, um estar-fora. Esse conceito de exotopia fundamenta-se no “excedente de visão humana” que, em Bakhtin, torna-se também uma ética: há uma limitação intransponível no meu olhar que só o outro pode preencher. Nas palavras de Bakhtin&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... devo identificar-me ou me projetar neste outro ser humano, ver seu mundo axiologicamente de dentro dele, como ele vê esse mundo; devo me colocar em seu lugar, e então, depois de voltar ao meu próprio lugar, preencher seu horizonte por meio desse excesso de visão que se abre fora dele, de meu próprio lugar de fora dele. Devo emoldurá-lo, criar um ambiente que o finalize, a partir de meu excedente de visão, saber, desejo e sentimento (Bakhtin: Arte e Responsabilidade).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O conceito de exotopia implica também uma tensão sobre a idéia de tempo e espaço. Marília Amorim (2006) discute a relação espaço-tempo nas reflexões de Bakhtin, observando que o autor russo fala de uma temporalidade vivida, que não tem começo nem fim, não é cronológica, mas aiônica&lt;/span&gt;&lt;a style="mso-footnote-id: ftn9" title="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2651107604259160564#_ftn9" name="_ftnref9"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;[9]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;. Tempo como dimensão alteritária, pois é nele que deixo de coincidir comigo mesmo. Se o tempo é devir, espaço é elemento fixo. Amorim (2006) observa a tensão espaço-tempo no conceito de exotopia que acentua o caráter espacial do lugar do autor, como lugar exterior. O espaço da visão estética fixa e ordena, cria um quadro, um dado horizonte para situar os personagens.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;Para Marília Amorim, outro momento da evolução da relação espaço-tempo na obra de Bakhtin está na criação do conceito de cronotopos. Aqui, a tensão entre espaço-tempo desaparece, pois o conceito designa uma unidade, o lugar de fusão entre os índices espaço-temporal em um todo concreto. Entretanto, observa Amorim (2006), o conceito de exotopía se distingue de cronotopia e, exatamente por manter a tensão entre espaço e tempo, necessária no pensamento de Bakhtin, a exotopia permanece como um tema central da obra do pensador russo. O conceito de cronotopia é construído com os estudos de linguagem desenvolvidos por Bakhtin, que define o cronotopo como “a conexão intrínseca das relações espaçais e temporais que se expressam artisticamente na literatura”. Entretanto, pode ser apropriado pela reflexão cinematográfica, quando se trata de apreensão do tempo e espaço como expressão indissolúvel da representação da realidade, contendo, em si, uma visão de mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A técnica cinematográfica permite, no trato com as imagens em movimento, um desalojamento do tempo e do espaço só possível na sétima arte. No cinema, predomina o enquadramento oblíquo ao eixo da objetiva que faz com que os olhares que são trocados na cena não se dirijam jamais à câmera, mas a um ponto situado à esquerda ou à direita do quadro. A personagem do filme ignora sua platéia - ao contrário do apresentador de televisão que se dirige diretamente ao espectador, olhando para a câmera. A personagem do filme visa sempre a outro personagem situado no espaço fora do quadro e revelado na sucessão dos planos imagéticos. A presença do sujeito é marcada por sua ausência. A presença é a presença de algo vazio, de uma lacuna que será preenchida por aquele que vai se colocar diante do quadro para olhá-lo: o contemplador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bakhtin, como afirma Tezza (2003), vai definindo cronotopos típicos da atividade literária: da biografia antiga, do romance de cavalaria, de Rabelais e, mais modernamente, o cronotopo de Balzac, Dostoievski, a função do espaço público, da sala, do quarto como centro organizador dos eventos narrativos no romance. Se esses cronotopos são ambientes concretos de composição pictural-cognitivo e emocional-volitivo em que a literatura se realiza, podem ser também a medida na qual o cinema se movimenta. É possível falar de um cronotopo Bergman, um cronotopo Kurosawa e assim por diante? Seria produtivo para a reflexão sobre o filme a identificação de seu cronotopo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme de Laurente Cantet Entre os Muros da Escola&lt;/span&gt;&lt;a style="mso-footnote-id: ftn10" title="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2651107604259160564#_ftn10" name="_ftnref10"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;[10]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt; pode ser instigante para o exercício de compreensão e identificação cronotópica. O filme de Cantet retrata a vida de um professor com uma turma de alunos durante um período letivo em uma escola da periferia de Paris do séc. XXI. Toda a trama do filme se passa no espaço interno da escola (salas de aula, sala dos professores, corredores, pátio), mas os conflitos que emergem entre a liturgia tradicional da escola e a cultura, as demandas e os interesses dos alunos no aprendizado dão a impressão de que a vida acontece entre os muros da escola, quando a câmera se mostra atenta aos micro eventos que mudam uma cena, que invoca o multiculturalismo, a diversidade, a tensão e os riscos para o aprendizado da democracia, tanto para alunos como para professores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de a trama se passar numa escola francesa, é de tal forma urdida e as imagens se movimentam de tal modo que, a qualquer aluno ou professor, em qualquer parte do mundo, é possível se reconhecer entre os personagens. É a magia do cinema com sua “impressão do real” capaz de produzir relações cronotrópicas indizíveis e impossíveis para a estética da expressão verbal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adail Sobral (2005) observa que Bakhtin e seu círculo desenvolveram o conceito de ato ético associado à razão prática de Kant, assim como o conceito de ato estético baseado no conceito de juízo de Kant. “Superando o transcendentalismo do sujeito kantiano, Bakhtin ressignifica a ética e a estética como categorias integradas na arquitetônica do humano, na unidade de responsabilidade que é a tarefa de cada sujeito” (Sobral; 2005 p.). Como apreender o mundo a partir dos atos teóricos, estéticos e cognitivos? Para a construção da resposta a essa pergunta, Bakhtin propõe a distinção entre ato-tipo e ato-ocorrência. Este último, da ordem do geral, do irrepetível. No ato-ocorrência não há álibi e, na vida humana, cada um responde por seus atos. O ato responsável é ato ético que envolve o conteúdo, o processo e a avaliação do agente com respeito ao seu próprio ato. Quando o sentido do ato é determinado pelo ponto de vista teórico (científico, filosófico, histórico, estético), ele perde seu caráter de evento único e de ato verdadeiramente vivido, assumindo, assim, um valor genérico e um sentido abstrato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa responsabilidade do ato realmente desempenhado é o levar em conta nele todos os fatores – um levar em conta tanto a sua validade de sentido como a sua realização em toda sua concreta historicidade e individualidade. A responsabilidade do ato realmente executado conhece um plano unitário, um contexto unitário no qual esse levar em conta é possível – no qual sua validade teórica, sua factualidade histórica e seu tom emocional-volitivo figuram como momentos de uma só decisão ou resolução (Bakhtin, s/d p.46)&lt;/span&gt;&lt;a style="mso-footnote-id: ftn11" title="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2651107604259160564#_ftn11" name="_ftnref11"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;[11]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;Bakhtin procura recuperar a imediaticidade nua da experiência, a “lava fundida dos eventos enquanto eles acontecem” (s/d, p.6), criticando a ética de Kant que, para ele, deixou algo de fora construindo um sistema abstrato porque distante da subjetividade. Bakhtin, numa imagem interessante, fundamenta sua filosofia do ato na qualidade pura do acontecer na vida “antes do esfriamento do magma da experiência, endurecendo-o em teoria ou em relatos do acontecido” (s/d, p.6). A lava se difere da pedra em que se tornará. Para Bakhtin, toda descrição do ato difere fundamentalmente do próprio ato e, embora não se possa escapar da teoria, porque qualquer oposição à teoria é, em si, inelutavelmente teórica, Bakhtin reconhece a dificuldade do mundo teórico em abrir caminho para o ser-evento, pois a unidade do ato e seu relato nunca são “a priori”, mas são conquistados em toda parte. O ato é uma ação e não mero acontecimento em que um sujeito tece uma relação com ele ou um relato sobre ele. Responsabilidade é, portanto, a fundação da ação moral: o meu não-álibi transforma uma possibilidade vazia em ato e ação responsável, porque temos consciência de que esse vácuo que é o não-álibi é o espaço entre o conhecimento objetivo e subjetivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade (pravda) do evento não é a verdade que é auto-idêntica e auto-equivalente em seu conteúdo (istina), mas é a posição justa e única de cada participante – a verdade (pravda) do dever ser concreto, real, da cada participante. Um simples exemplo deve deixar claro o que foi dito. Eu amo um outro, mas não posso amar a mim mesmo; o outro me ama, mas não ama a si mesmo. Cada um está certo em seu próprio lugar, e está certo responsavelmente, não subjetivamente (Bakhtin; s/d, p.64).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos textos de Bakhtin colocados em tela para efeito deste trabalho, verifica-se uma cisão radical entre o conteúdo-sentido e a realidade histórica de um ato ou ação dados e, de outro lado, a real experimentação-realização única desse ato. A separação entre o conteúdo e a realização-experimentação de um ato promove a divisão de nossas vidas entre dois mundos: o mundo da cultura e o mundo da vida. Para Bakhtin, nem a cognição teórica nem a intuição estética têm meios de ganhar acesso ao Ser porque nelas não há unidade ou interpenetração entre o conteúdo e a realização histórica do ato. O ato inteiro de nossa atividade tem dupla face, é um “Jano Bifronte” que se dirige tanto ao conteúdo quanto ao ser do ato, ao devir: à memória do futuro. O ato precisa ter a unidade da responsabilidade e responder tanto pelo seu conteúdo como pelo Ser. Cada pensamento, dirá Liapunov&lt;/span&gt;&lt;a style="mso-footnote-id: ftn12" title="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2651107604259160564#_ftn12" name="_ftnref12"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;[12]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;, constitui uma ação responsável que Bakhtin chama de Postupok (significa “um passo dado”) que é diferente de Akt (ato)&lt;/span&gt;&lt;a style="mso-footnote-id: ftn13" title="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2651107604259160564#_ftn13" name="_ftnref13"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;[13]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sujeito dessa ação responsável é um sujeito que se expõe. É incapaz de experiência aquele que não se expõe com tudo que isso tem de vulnerabilidade e de risco. É incapaz de experiência quem não se deixa afetar, quem não se deixa tocar, enfim, a quem nada ocorre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bakhtin, como diz Marília Amorim (2006), é o pensador das tensões, da crítica, especialmente no tocante ao teoreticismo que impregnava a tradição filosófica. Seu pensamento é ancorado na construção do conceito de responsabilidade que remete à unidade responsável do pensamento e da ação, introduzindo a categoria do pensamento participativo, não indiferente e responsivo. Pensar participativamente é não destacar o ato realizado de seu produto. E é essa dimensão ativa do pensamento que pode aproximar os conceitos bakhtinianos com a análise das peças fílmicas a partir da experiência da fruição e do encontro ante-predicativo entre o filme e o espectador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem a percepção ativa, sem a imaginação do espectador, o cinema e os filmes não seriam mais do que meras imagens em seqüência. É com nossa atividade imaginativa que completamos o que a montagem esconde: os intervalos de significação que compõem a linguagem cinematográfica. É com a imaginação, que se alimenta da memória, que vamos preenchendo os sentidos que o filme suprime. Tudo se passa como se o que o filme esquece, nós, espectadores, devemos lembrar. A linguagem cinematográfica se aproxima, assim, de uma educação que não quer explicar tudo, que confia na atividade do outro, seja aluno ou qualquer pessoa que se aventura na arte de aprender com o outro e com as múltiplas linguagens que o homem construiu  que estão disponíveis em muitos suportes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dessa forma, o cinema, ao construir uma nova forma de visão, propõe-se a mostrar a imagem que não vê ou a que não é vista a olho nu. O cinema construiu uma nova visibilidade. Por isso, a leitura de um filme é sempre uma atividade complexa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde os anos de 1970 e 1980, vem sendo construída uma teoria da enunciação cinematográfica abordando diversos aspectos da obra fílmica, desde os aparatos tecnológicos até a modulação do imaginário forjada por seus produtos. É Stam (2003) quem observa que diversos esforços teóricos são realizados na orientação de investigações voltadas para verificar como o cinema trabalha para interpelar o seu espectador enquanto sujeito ou orientadas para compreender como o cinema condiciona seu público a identificar-se com (ou através) das posições de subjetividade construídas pelo filme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A aproximação dos conceitos de Bakhtin à reflexão sobre a enunciação cinematográfica pode prestar relevante contribuição teórica para que as tradicionais concepções monolíticas sobre o cinema, bem como a construção idealista do espectador, sejam ultrapassadas por uma concepção que considere a heterogeneidade dos espectadores, sujeitos ativos, que interpretam ativamente negociando, com o filme, o seu sentido. Com Bakhtin é possível teorizar na perspectiva de considerar que todo filme, qualquer filme, é, para quem o assiste resultado de uma possibilidade humana de lembrar e imaginar, de se rever no filme. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Referências&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AMORIM, Marília. Ato versus objetivação e outras oposições fundamentais no pensamento bakhtiniano. In FARACO, C.A; TEZZA, C; CASTRO, G. (orgs).  Vinte ensaios sobre Mikhail Bakhtin. Vozes; Petrópolis, 2006.&lt;br /&gt;BAKHTIN, Mikhail. O Autor e a Personagem na Atividade estética. In Estética da criação Verbal. Martins fontes; São Paulo, 2003.&lt;br /&gt;________________Por Uma filosofia do Ato. Tradução de Faraco e Tezza para uso didático e acadêmico. S/data.&lt;br /&gt;________________ Arte e responsabilidade. In Estética da Criação verbal. Martins Fontes; São Paulo, 2003.&lt;br /&gt;BENJAMIN, Walter. Experiência e pobreza. In Obras escolhidas vol. 1. Brasiliense; São Paulo, 1994&lt;br /&gt;_________________ O Narrador. Considerações sobre a obra de Nikolai Leskov. In Obras Escolhidas, vol. 1. Brasiliense, São Paulo, 1994.&lt;br /&gt;_________________ A Obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica. In Obras escolhidas, Vol. 1. Brasiliense, São Paulo, 1994.&lt;br /&gt;__________________ Rua de Mão Única. In Obras escolhidas vol. 2. Brasiliense, São Paulo, 1995.&lt;br /&gt;CABRERA, Julio. O Cinema Pensa; uma introdução à filosofia através de filmes. Rocco; Rio de Janeiro, 2006.&lt;br /&gt;COSTA, Cristina. Educação, Imagens e Mídias. Cortez editora. São Paulo, 2005.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FANTIN, Monica. Mídia – Educação: Conceitos, experiências, diálogos Brasil-Itália. Editora Cidade Futura; Florianópolis, 2006.&lt;br /&gt;FARACO, Carlos Alberto. Autor e Autoria. In BRAIT, Beth. Bakhtin: Conceitos-Chave. Contexto; São Paulo, 2005.&lt;br /&gt;LARROSA, Jorge. Notas sobre a experiência e o saber de experiência. In Revista Brasileira de Educação, nº 19; 2002.&lt;br /&gt;MACHADO, Arlindo. O sujeito na Tela: Modos de enunciação no cinema e no ciberespaço. Paulus; São Paulo, 2007.&lt;br /&gt;PONZIO, A. Filosofia Moral e Filosofia da Literatura. In A Revolução Bakhtiniana, Editora Contexto; São Paulo, 2008.&lt;br /&gt;SOBRAL, Adail. Filosofias (e Filosofia) em Bakhtin. In BRAIT, Beth. Bakhtin; Conceitos-Chave. Contexto; São Paulo, 2005.&lt;br /&gt;STAM, Robert. Bakhtin: da teoria literária á cultura de massa. Ática; São Paulo, 1992.&lt;br /&gt;____________ Introdução à Teoria do Cinema. Papirus; Campinas, 2003.&lt;br /&gt;TEZZA, Cristovão. Entre a Prosa e a Poesia: Bakhtin e o formalismo russo. Ed. Rocco; Rio de Janeiro, 2003.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a style="mso-footnote-id: ftn1" title="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2651107604259160564#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt; Doutorando no PPGE da faculdade de Educação da UFJF sob orientação da Prof. Drª.  Maria Teresa de A. Freitas&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a style="mso-footnote-id: ftn2" title="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2651107604259160564#_ftnref2" name="_ftn2"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;  De acordo  com Robert Stam, no capítulo “Particularidades do Gênero” do texto Problemas da Poética de Dostoievski, “Bakhtin delineia as estratégias polifônicas artísticas de Dostoievski desde os gêneros “cômico-sérios” do passado, como o diálogo de Sócrates e, sobretudo, a sátira menipéia. Batizada a partir do nome do filósofo Manipo de Gádara (século III a.C), que deu ao gênero sua forma definitiva, AL gênero já existia desde a época de Sócrates. Os exemplos desse gênero citados por Bakhtin são o Satiricon, de Petrônio, as Metamorfoses, de Apuleio e Consolação da Filosofia, de Boécio. A Sátira Menipéia, para Bakhtin, esta profundamente enraizada na percepção carnavalesca do mundo, e abre caminho para a polifonia artística e a “carnavalização” literária” ( Stam: 1992, p.38).&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a style="mso-footnote-id: ftn3" title="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2651107604259160564#_ftnref3" name="_ftn3"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;[3]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt; Stam (1992) toma como exemplo os personagens Macunaíma ( do romance de Mario de Andrade) e Zelig, personagem do filme de Woody Allen. Ambos são personagens-suma, uma polifonia de possibilidades humanas; ambos testam a noção de camaleonismo enquanto metáfora da experiência humana (Stam; 1992 p.40).&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a style="mso-footnote-id: ftn4" title="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2651107604259160564#_ftnref4" name="_ftn4"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;[4]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt; Ver edição brasileira de Estética da Criação Verbal, publicada pela Editora Martins Fontes, São Paulo, 2003.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a style="mso-footnote-id: ftn5" title="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2651107604259160564#_ftnref5" name="_ftn5"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;[5]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt; Citado por Tezza por afirmar que a “palavra fenomenologia ressoa em toda parte em conexão com as artes. Infelizmente, Walzel acrescenta, Husserl e Scheler nunca nos mostraram como a arte pode ser examinada fenomenologicamente. Esse foi o objeto de Bakhtin em suas ‘primeiras obras’. E foi também o campo no qual ele deu sua maior contribuição” (in Tezza; 2003, p.44)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a style="mso-footnote-id: ftn6" title="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2651107604259160564#_ftnref6" name="_ftn6"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;[6]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt; Filme emblemático para a história do cinema brasileiro e mundial, dirigido por Glauber Rocha, em 1964, e uma das principais produções do Cinema Novo, movimento que, a partir dos anos de 1950, tinha o propósito de libertar o cinema brasileiro da influência da indústria cinematográfica americana. O filme mostra o sertão nordestino e seu povo esfomeado e explorado por cangaceiros, multinacionais e a Igreja.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a style="mso-footnote-id: ftn7" title="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2651107604259160564#_ftnref7" name="_ftn7"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;[7]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt; Filme de 1954, dirigido por Alfred Hitchcock que é considerado um dos principais cineastas no desenvolvimento dos recursos narrativos da linguagem cinematográfica.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a style="mso-footnote-id: ftn8" title="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2651107604259160564#_ftnref8" name="_ftn8"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;[8]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt; O poema “Separação” foi escrito por Puchkin em 1830. O poema é em memória de Amália Riznick, um dos amores de Puchkin em Odessa. Em maio de 1824, ela partiu de Odessa para a Itália e, em 1825, morreu em Gênova vítima da tuberculose. Analisando o poema, Bakhtin quer mostrar, com um exemplo empírico, como o ser humano concreto, enquanto centro de valores, funciona dentro de um todo artístico.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a style="mso-footnote-id: ftn9" title="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2651107604259160564#_ftnref9" name="_ftn9"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;[9]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;  Distinção estóica de Aion e Chronos para pensar a extra-temporalidade do acontecimento. Segundo Aion, somente o passado e o futuro subsistem no tempo. Em lugar de um presente que absorve o passado e o futuro, um futuro e um passado que dividem, a cada instante, o presente, subdividido ao infinito, em passado e futuro. Enquanto Chronos é inseparável da circularidade e de seus acidentes, Aion se estende em linha reta e ilimitada nos dois sentidos. Aion opõem-se a Chronos que designa o tempo cronológico ou sucessivo em que antes se ordena ao depois sob a condição de um presente englobante no qual, como se diz, tudo acontece (Zourabichvili, François. O Vocabulário de Deleuze. Rio de Janeiro: 2004 p.11 mimeo)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a style="mso-footnote-id: ftn10" title="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2651107604259160564#_ftnref10" name="_ftn10"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;[10]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt; Filme dirigido por Laurent Cantet, em 2008, na França. Para produzir o filme, aconteceram vários encontros entre adolescentes e o roteirista François Bègaudeau para definir o roteiro final. Apesar de serem alunos reais, não interpretam a si próprios. Os personagens foram definidos a partir da criação dos adolescentes. A equipe percebeu que os alunos tinham condições de criar os próprios diálogos quando improvisavam situações sugeridas durante os ensaios. O filme foi todo construído em torno da linguagem.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a style="mso-footnote-id: ftn11" title="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2651107604259160564#_ftnref11" name="_ftn11"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;[11]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt; Utilizo a tradução (sem data) de Carlos Alberto Faraco e Cristovão Tezza do texto completo da edição americana Toward a Philosofhy of the Act (Austin: University of Texas Press, 1993. Translation and notes by Vadim Liapunov; Edited by Michael Holquist &amp;amp;Vadim Liapunov). Essa tradução, segundo os autores, ainda não revisada e publicada, é destinada exclusivamente para uso didático e acadêmico.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a style="mso-footnote-id: ftn12" title="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2651107604259160564#_ftnref12" name="_ftn12"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;[12]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt; Ver Prefácio do Tradutor da Edição Americana Toward a Philosophy of the Act in Tezza, C. e Faraco, C. A Tradutores para o português de Para uma filosofia do Ato, S/data.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a style="mso-footnote-id: ftn13" title="" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2651107604259160564#_ftnref13" name="_ftn13"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;[13]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;  Vadim Liapunov na tradução de Toward a Philosophy of the Act (Austin, 1993) esclarece que a palavra russa Postupok é definida como “ação ou ato que eu mesmo escolho realizar; meu próprio ato ou ação individualmente responsável. Para o tradutor, Bakhtin usa essa palavra para ressaltar o foco na realização do ato ou ação, ou no ato ou ação enquanto está sendo desempenhado, em oposição à consideração do fato post factum  (ato já foi realizado) &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2651107604259160564-3578907742870488701?l=conversasbakhtinianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasbakhtinianas.blogspot.com/feeds/3578907742870488701/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2651107604259160564&amp;postID=3578907742870488701&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2651107604259160564/posts/default/3578907742870488701'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2651107604259160564/posts/default/3578907742870488701'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasbakhtinianas.blogspot.com/2009/10/ato-estetico-e-devir-etico-em-bakhtin.html' title='Ato estético e devir ético em Bakhtin: Filosofia e Cinema'/><author><name>GEGe -  Grupo de Estudos de Gêneros do Discurso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06927853979162145692</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2651107604259160564.post-2221631235895758016</id><published>2009-10-19T16:50:00.000-07:00</published><updated>2009-10-19T16:51:13.474-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='1-O pensamento bakhtiniano na atualidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cícero F. Barbosa Jr.'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='1a As ideologias contemporâneas'/><title type='text'>Bakhtin: ideologia e interação discursiva no “quarto poder”</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:85%;" &gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Cícero F. Barbosa Jr.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Por considerarmos o uso da palavra algo extremamente poderoso, ainda mais quando ela é veiculada a milhões de pessoas. É o que alguns chamam de “quarto poder” (termo cunhado por Lord Macaulay). A via pela qual iremos analisar a reportagem “Lula lança pré-sal com ataque a tucanos” , da jornalista Simone Iglesias e o editorial “Petróleo na urna” , ambos do jornal Folha de S. Paulo, é a do teórico russo Mikhail Bakhtin. Portanto, como vimos na Introdução, entendemos que a palavra além de poderosa ela é um instrumento ideológico , ainda mais nas mãos de um instrumento midiático. Além disso, ele coloca em pauta a importância da multiplicidade de vozes em nosso mundo – “uma lição essencialmente de afirmação democrática e antiautoritária, partida de alguém que era vítima direta da violência stalinista” .&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Para iniciar, é preciso estabelecer certa ordenação para estruturarmos a idéia de interação discursiva que Bakhtin propõe, e para isso precisaremos responder algumas questões que serão desenvolvidas no processo de análise: quem é o locutor? Quem é o seu interlocutor? Qual o contexto extra verbal? Qual o tema? Também é preciso tentar entender qual a esfera de circulação, a esfera de produção e a esfera de recepção. Tendo em mente que estas três esferas não estão isoladas, mas todas interligadas.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Dentro desse emaranhado de indagações, não podemos perder de vista que as situações da realidade – as situações da vida – são retratadas no enunciado, que fica entrincheirado entre essa unidade real e os aspectos do discurso verbal.  Podemos ainda ressaltar que esse enunciado concreto vislumbra a relação do autor com o seu cotidiano, expondo como ele encara as ligações entre as três esferas mencionadas anteriormente.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Para Bakhtin, a palavra é um signo ideológico, e sendo assim as relações sociais e a comunicação e a interação verbal evoluem nesse processo. A fala, nesse contexto, evolui em conseqüência da interação verbal e o processo de evolução reflete-se na mudança das formas da língua. O teórico russo entende a linguagem sob uma perspectiva histórica, social e cultural, tem sujeitos e discursos imersos nas ideologias que cercam nosso cotidiano. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;O diálogo pode ser pensado como uma grande reflexão do pensamento concreto, pois nesse processo encontramos de um lado a comunicação social e sua base econômica, e de outro, a comunicação verbal ou interação verbal realizada em enunciados concretos . É então nada mais do que uma das interações verbais, ou seja, não somente quando duas pessoas estão frente a frente, mas em qualquer troca de idéias. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Desenvolver brevemente este conceito é importante para a discussão de um outro: o dialogismo. Que desponta como uma nova concepção de pensar a realidade humana e não apenas retalhos da existência. A perspectiva bakhtiniana se estrutura a partir da concepção de homem como ser que se constrói na e pela interação, uma visão de mundo ligada sempre em meio à complexa e intrincada rede de relações sociais de que participa. Para perseguir o significado das palavras na fala cotidiana é decisivo recuperar quem fala, em quais circunstâncias, quem participou da situação concreta, qual expressão tinha, como era a mímica ao falar, as nuanças de sua entonação . &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Por isso, no processo de análise que vem a seguir, não ficarão de fora. Além da reportagem e do editorial que iremos trabalhar, faremos uma conexão com a manchete, uma manchete mais extensa com letras menores, as legendas das (duas) fotografias, uma citação com letras grandes em um “box” em destaque. Isso se torna possível, pois como diz Beth Brait:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;“O conceito de linguagem que emana dos trabalhos desse pensador russo está comprometido não com uma tendência lingüística ou uma teoria literária, mas com visão de mundo que, justamente na busca das formas de construção e instauração do sentido, resvala pela abordagem lingüístico-discursiva, pela teoria da literatura, pela filosofia, pela teologia, por uma semiótica da cultura, por um conjunto de dimensões entretecidas e ainda não inteiramente decifradas” .&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Essa analise, onde o fenômeno social está relacionado à interação verbal, passa a depender de uma série de fatores internos e externos que, sozinhos e/ou em conjunto que extrapola os limites do texto e se emaranha nas imagens e em tudo o que faz parte da comunicação, modificam o discurso de modo a obter o efeito desejado, visto que este efeito é permeado de ideologia.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;BAKHTIN, Mikhail (V. N. Volochinov). Marxismo e Filosofia da Linguagem. São Paulo, Hucitec, 1995. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;BRAIT, Beth. Bakhtin e a natureza constitutivamente dialógica da linguagem. In: BRAIT, Beth (org.). Bakhtin, dialogismo e construção do sentido. Campinas, SP: Editora da UNICAMP, 2005.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;CAMPOS, Maria Inês Batista. Questões de literatura e de estética: rotas bakhtinianas. In: BRAIT, Beth (org.). Bakhtin, dialogismo e polifonia. São Paulo: Contexto, 2009.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;SCHNAIDERMAN, Boris. Bakhtin 40 graus (uma experiência brasileira). In: BRAIT, Beth (org.). Bakhtin, dialogismo e construção do sentido. Campinas, SP: Editora da UNICAMP, 2005.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;SOUZA, Geraldo Tadeu. Introdução à teoria do enunciado concreto do círculo Bakhtin/Volochinov/Medvedev. São Paulo: Humanitas/FFLCH/USP, 1999.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;OUTRAS FONTES&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;IGLESIAS, Simone. Lula Lança pré-sal com ataque a tucanos. Folha de S. Paulo, São Paulo, 01 set. 2009, p. B-1.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;PETRÓLEO na urna. Folha de S. Paulo, São Paulo, 02 set. 2009, p.A-2.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2651107604259160564-2221631235895758016?l=conversasbakhtinianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasbakhtinianas.blogspot.com/feeds/2221631235895758016/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2651107604259160564&amp;postID=2221631235895758016&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2651107604259160564/posts/default/2221631235895758016'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2651107604259160564/posts/default/2221631235895758016'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasbakhtinianas.blogspot.com/2009/10/bakhtin-ideologia-e-interacao.html' title='Bakhtin: ideologia e interação discursiva no “quarto poder”'/><author><name>GEGe -  Grupo de Estudos de Gêneros do Discurso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06927853979162145692</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2651107604259160564.post-648643720620395755</id><published>2009-10-14T17:23:00.000-07:00</published><updated>2009-10-14T17:24:30.032-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Kelsiane Manfio da Silva'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='1-O pensamento bakhtiniano na atualidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='1b-O humano e as subjetividades na contemporaneidade'/><title type='text'>A construção do “eu” na interação verbal</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:85%;" &gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Kelsiane Manfio da Silva&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Segundo Bakhtin, o sujeito é construído através do diálogo com outro sujeito e com meio sócio-cultural que pertence de discurso (formado a partir do diálogo com outros discursos e com a(s) sociedade (s) em que esses discursos são realizados, de signo (entendido a partir da relação com outros signos sociais). Nesse sentido, vemos que o individual e o coletivo, co-existem e se formam nas atividades humanas.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Partindo deste princípio bakhtiniano penso que o ambiente escolar é um espaço em que os saberes e os sujeitos (professor-aluno) são constituídos. Essas construções se dão através da interação verbal, pois é no diálogo que todos os conhecimentos são adquiridos, havendo a formação do “eu como sujeito”.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Quando o diálogo faz parte da sala de aula o processo pedagógico se dá em constante planejamento. O texto oral e escrito é concebido com palavras articuladas, organizadas e dotadas de todo sentido e coerência. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Essa interação entre os textos permite entendê-los como uma unidade global de sentidos.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;A produção de textos é, portanto um processo comunicativo, entre professor/aluno em que ambos aprendem e ensinam com seus textos, multiplicando as reflexões que circulam em nossa sociedade, como afirma Bakhtin (1997): “a linguagem é sempre social e histórica”.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Referências bibliográficas:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;GUERRA, Vânia M. L. Práticas discursivas: crenças, estratégicas e estilos In: Um estudo da transgressão sob a ótica dos conceitos de Bakhtin. São Carlos: Pedro &amp;amp;João editores, 2008, p.29.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;GERALDI, J.W; CITELLI,B (org.) Aprender e ensinar com textos de alunos .São Paulo: Cortez, 1997 (Aprender e ensinar com textos,1).&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2651107604259160564-648643720620395755?l=conversasbakhtinianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasbakhtinianas.blogspot.com/feeds/648643720620395755/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2651107604259160564&amp;postID=648643720620395755&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2651107604259160564/posts/default/648643720620395755'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2651107604259160564/posts/default/648643720620395755'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasbakhtinianas.blogspot.com/2009/10/construcao-do-eu-na-interacao-verbal.html' title='A construção do “eu” na interação verbal'/><author><name>GEGe -  Grupo de Estudos de Gêneros do Discurso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06927853979162145692</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2651107604259160564.post-3174794421666507134</id><published>2009-10-14T17:21:00.000-07:00</published><updated>2009-10-14T17:23:01.425-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='1-O pensamento bakhtiniano na atualidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='1c-Educação e a dialogia na atualidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Juliano Camillo'/><title type='text'>Bakhtin e o Ensino de Física: contribuições para algumas reflexões</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms; font-weight: bold;"&gt;Juliano Camillo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;“There's a sign on the wall but she wants to be sure 'cause you know sometimes words have two meanings” &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Led Zeppelin&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Neste texto pretendo fazer algumas reflexões sofre o ensino de ciências, e mais especificamente sobre o Ensino de Física. Para isto traço alguns paralelos entre Bakhtin e sua filosofia da linguagem com o ensino. O pensamento bakhtiniano, apesar de não ligado diretamente ao ensino de ciências, é uma ferramenta capaz de proporcionar uma visão crítica sobre o processo de ensino/aprendizagem, que tão freqüentemente tem acontecido nas nossas escolas.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;     Minhas reflexões a todo o momento encaram a Física e suas especificidades (sua linguagem, suas práticas etc.) como construções humanas, nas quais os conceitos são construídos na interação social, de maneira dialógica e dinâmica, onde a polissemia reina tomando o lugar da unicidade de sentidos que normalmente é atribuída à Ciência.  A ciência em geral é pensada como um produto acabado, estático e de certa maneira morta; e o seu ensino carregada marcas dessas concepções, pois comumente temos transmitido uma ciência enciclopédica, fórmulas prontas, receitas de resolução de problemas alheios as vidas dos alunos e esperamos que tenha sentido para eles.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;    É nas palavras de Bakhtin que me apoio:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt; “Para que o objeto, pertencente a qualquer esfera da realidade, entre no horizonte social do grupo e desencadeie uma reação semiótico-ideológica, é indispensável que ele esteja ligado às condições sócio-econômicas essenciais do referido grupo, que concerne de alguma maneira às bases de sua existência material.” (Bakhtin, 2006, página 44)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;E da mesma maneira Vigotski vem sustentar tal afirmação:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;"Não menos que a investigação teórica, a experiência pedagógica nos ensina que o ensino direto de conceitos sempre se mostra impossível e pedagogicamente estéril. O professor que envereda por este caminho costuma não conseguir senão uma assimilação vazia de palavras, um verbalismo puro e simples que que estimula e imita a existência dos respectivos conceitos na criança, mas na prática , esconde o vazio. (...) No fundo, esse método de ensino de conceitos é a falha principal do rejeitado método puramente escolástico de ensino, que substitui a apreensão do conhecimento vivo pela apreensão de esquemas verbais mortos e vazios." (Vigotski, 2001, página 247)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Se esta a pura transmissão de conceitos já é criticada há tanto tempo, por que grande parte do nosso ensino ainda está baseada neste método?  Por que é tão difícil ser modificada esta visão que grande parte da sociedade (muitos professores, alunos, pais e também cientistas) manifesta, de que ensino bom é caderno cheio de coisas copiadas, frases bonitas, uma arsenal de fórmulas, exercícios resolvidos? Qual é participação efetiva dos próprios pesquisadores em ensino de ciência para a modificação desta estrutura?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Numa perspectiva bakhtiniana, a ciência e seus conceitos podem ser pensados como linguagem, ferramentas produzidas social e culturalmente. Bakhtin afirma que a língua não é simplesmente transmitida, mas evolui e permite que a consciência dos indivíduos comece a operar quando este está mergulhado numa corrente de comunicação. Ensinar Física é, então, fazer com que o aluno participe da construção/negociação dos significados, e desta maneira, tenha sua consciência operando e podendo se comunicar cientificamente. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Torna-se fundamental compreender que quando conceitos científicos são trazidos, do seu contexto original de produção, para a sala de aula, eles adquirem outros sentidos, muitas vezes até a ausência total destes, o conceito torna-se simplesmente um objeto físico, uma fórmula vazia. Nas palavras de Bakhtin:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;“O signo exterior, incapaz de penetrar no contexto dos signos interiores, isto é, incapaz de ser compreendido e experimentado, cessa de ser um signo, transforma-se em uma coisa física” (Bakhtin, 2006, página 64)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Muito se tem dito sobre o ensino de ciências como um processo de alfabetização ou enculturação, no qual os alunos entram em contato com outra cultura, a da ciência.  Mas que cultura é esta que foi "transportada" para a sala de aula, levando-se somente alguns conceitos? Que cultura é esta em que os signos estão deslocados do sistema no qual foram criados? Que linguagem os “alfabetizados cientificamente” estão falando? A linguagem da ciência, a da escola ou de um sistema híbrido que só faz sentido para a própria escola? Será que os conceitos que temos ensinado na escola servem para serem utilizados fora dela? Qual o papel da escola sob este ponto de vista?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;A escola, mais do que fornecer conceitos, deve fazer com que o aluno seja capaz de transitar entre as diferentes esferas de significação. Bakhtin, novamente, nos dá uma sugestão de como o ensino de Física pode ser pensado:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;“... o essencial na tarefa de descodificação não consiste em reconhecer a forma utilizada, mas de compreendê-la num contexto concreto preciso, compreender sua significação numa enunciação particular.” (Bakhtin, 2006, página 93)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Acredito que meus questionamentos encontram-se numa pergunta mais geral que é: qual o papel do ensino de ciências? Por que as pessoas devem saber ciência? Se sim, Bakhtin, mesmo não sendo um filósofo da educação, nos fornece pistas valiosas de como o Ensino de Física pode ser mais frutífero.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Referências&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;BAKHTIN, Mikhail (Voloshinov). Marxismo e Filosofia da Linguagem. São Paulo, Hucitec, 2006.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;VIGOTSKI, L.S. A construção do pensamento e da linguagem. São Paulo, Martins Fontes, 2001.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2651107604259160564-3174794421666507134?l=conversasbakhtinianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasbakhtinianas.blogspot.com/feeds/3174794421666507134/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2651107604259160564&amp;postID=3174794421666507134&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2651107604259160564/posts/default/3174794421666507134'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2651107604259160564/posts/default/3174794421666507134'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasbakhtinianas.blogspot.com/2009/10/bakhtin-e-o-ensino-de-fisica_14.html' title='Bakhtin e o Ensino de Física: contribuições para algumas reflexões'/><author><name>GEGe -  Grupo de Estudos de Gêneros do Discurso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06927853979162145692</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2651107604259160564.post-7988205223881142407</id><published>2009-10-12T17:04:00.000-07:00</published><updated>2009-10-12T17:05:23.444-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Aline Maria Pacífico Manfrin Covre'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='1-O pensamento bakhtiniano na atualidade'/><title type='text'>A prática da dialogia para uma compreensão mais humana da educação</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms; font-weight: bold;"&gt;Aline Maria Pacífico Manfrin Covre&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Na realidade brasileira contemporânea, é consenso admitir o fato de a instituição escolar passar por uma crise no que se refere à discrepância existente entre o que a escola oferece ao seu público e a demanda que a mesma espera desta instituição.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Se pensarmos em termos generalizantes, podemos reconhecer que a escola elege um padrão de sociabilidade e bom comportamento e procura, a partir desta referência, educar seus alunos para que eles entendam que esta seria a melhor forma de conviver na sociedade.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Entretanto, os estudos sobre educação na contemporaneidade nos provocam a entender que, apesar da força do discurso da homogeneidade e da igualdade, sempre houve diversidade na escola. Esta provocação nos leva a considerar que devemos assumir esta realidade nas atividades humanas promovidas pela escola e pode ser um passo fundamental para que esta instituição se mantenha necessária socialmente nos dias de hoje.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Esta necessidade deve ser construída a partir da compreensão de que é a DIALOGIA que possibilita a existência de intercâmbio e comunicação entre subjetividades. Ser dialógico significa abrir-se e considerar a alteridade na construção dos sentidos sociais aos recursos culturais compartilhados pelas sociedades.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Em termos educacionais, este comportamento dialógico efetiva-se por meio de dois aspectos principais, que, obviamente, se entrecruzam:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;1.    A prática discursiva da dialogia;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;2.    A prática cotidiana da dialogia.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2651107604259160564-7988205223881142407?l=conversasbakhtinianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasbakhtinianas.blogspot.com/feeds/7988205223881142407/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2651107604259160564&amp;postID=7988205223881142407&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2651107604259160564/posts/default/7988205223881142407'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2651107604259160564/posts/default/7988205223881142407'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasbakhtinianas.blogspot.com/2009/10/pratica-da-dialogia-para-uma.html' title='A prática da dialogia para uma compreensão mais humana da educação'/><author><name>GEGe -  Grupo de Estudos de Gêneros do Discurso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06927853979162145692</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2651107604259160564.post-5173106642514379422</id><published>2009-10-12T17:01:00.000-07:00</published><updated>2009-10-12T17:03:42.716-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='1-O pensamento bakhtiniano na atualidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='1b-O humano e as subjetividades na contemporaneidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Romulo Augusto Orlandini'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='1a As ideologias contemporâneas'/><title type='text'>Sob o signo da alteridade</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:85%;" &gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Romulo Augusto Orlandini&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Quando Augusto Ponzio propõe em sua A Revolução Bakhtiniana focar o pensamento de Bakhtin a partir da questão de alteridade, ele o faz de uma maneira inovadora ao dizer que a questão da identidade é vista hoje como sendo algo alheio à alteridade, como uma espécie de contraposição em termos. “O domínio da identidade é tamanho que toda forma de reivindicação se baseia na identificação: ter os mesmos direitos dos que mandam, as mesmas oportunidades, a idêntica vida, a idêntica felicidade de quem ostenta o poder” (PONZIO, 2008, p.22). Pensando a partir das grandes ideologias que regem o mundo atualmente, pincelando principalmente na sociedade capitalista moderna, temos que no mundo posterior a Guerra-fria vivemos todos sobre o império da identidade igualitária como ideologia dominante – que se impõe, reproduz e realimenta por si mesma, numa busca de perpetuação. Assim, viramos o século deixando de lado as grandes ideologias que se fizeram presentes, que constituíram gerações e de certa maneira construíram a realidade sócio-histórica tal qual ela agora. Ponzio diz que a Europa (de certa maneira a parte ocidental do mundo – e boa parte do mundo oriental também) vive sobre a égide do plano do desenvolvimento do capital, cuja contraposição altérica já não mais se faz presente - estabelecendo desse modo uma dificuldade filosófica em entender que a ideologia dominante hoje é tão distante de algo que pressuponha alteridade: &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Parece, pelo menos grosso modo que a luta, o diálogo e a dialética entre as ideologias foram substituídos pela monotonia de um único ponto de vista dominante. Este último, dada a situação, não necessita de nome que o caracterize, porque não existe nada do qual tenha que se diferenciar (Ponzio, 2008, p.20).&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;João Wanderley GERALDI entra nessa conversa sobre ideologias ou grandes narrativas, ao dizer que vivemos “no presente de uma ordem mundial globalizada e assentada no movimento de capitais virtuais e de seus lucros” e que, portanto, “deixamos de enxergar quaisquer caminhos alternativos de construção de nova ordem (2003, p.40). Podemos pensar aqui notadamente na questão do capitalismo-comunismo, com o primeiro emergindo sob a forma de uma nova ordem e o segundo caindo aos poucos na impraticabilidade, bem como podemos pensar nos movimentos democráticos, que se alargam dentro dos Estados nacionais, ou então no fruto destes, como o mercado de cultura de massas; o mercado especulativo; a questão da legalidade/ilegalidade autoral... enfim, todos desembocando na necessidade de se impor (inclusive pela força) tais ideologias a todos de uma maneira idêntica – o que vale para um deve obrigatoriamente valer para todos, independentes das diferenças, quais sejam elas. Assim, a identidade como sendo forma de igualitarismo implica certos problemas porque deixamos de lado a instituição do Outro, reconhecido pelo EU e base da relação dialógica bakhtiniana, para calcar num discurso uno, sem desejo de respostas ou com possibilidades de réplicas falseadas e desqualificadas, aonde a voz do outro é meramente tida como um diálogo disfarçado, porém não processada e ouvida. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Vivemos num mundo de tempos exponenciais. As economias são vistas aos bilhões, a desterritorialização virtual nos transforma num mundo conectado, intensificam os números dos excluídos, as crises e derrocadas financeiras acontecem cada vez em tempos mais curtos. Vivemos num mundo assustador onde a ideia de desigualdade se torna cada vez mais necessária para que a ordem vigente continue prevalecendo. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Aqueles que se beneficiam com a exclusão, os únicos rumores que ouvem são os humores do mercado. E no mercado atuam seus pares. A estes não interessa pensar o inimaginável e arriscar-se a extrair dos acontecimentos os conteúdos para o futuro. Interessa-lhes transmitir o conhecido para que o já acontecido permaneça como único acontecimento possível para o futuro (Geraldi, 2003, p.49).&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;E a cada minuto essa lógica perversa convence que outras formas societárias já não são possíveis – mesmo que exemplos contras insistam em existir. A oficialidade diz que utilizamos os passos do passado para desembocarmos no nosso presente, onde seria até possível dizer que isso nos levaria a crer num futuro dado, uma espécie de path dependence social (cuja ideia original de Robert Putnam explica como um fenômeno irreversível e histórico, determinando certas condições sócio-históricas). Essa é a descrição de um mundo sem alteridade. No entanto, ao propormos olhar as relações sociais dentro da alteridade constitutiva, temos que a memória de futuro como sendo algo dado por horizonte repleto de possibilidades, cujo olhar é sempre provisório e nunca pré-determinado, pré-moldado, ou já-dito. Outras palavras, outras ações, outros momentos seriam possíveis. Como dissemos, o mundo estruturado de uma maneira idêntica, reprodutível dentro da lógica atual, já tem mudanças visíveis na economia política das estruturas da sociedade. Ponzio dá o exemplo da política, que já não abarca grandes projetos ideológicos em seu cerne, transmutando os políticos em técnicos administrativos, meros executadores. Pela ineficiência em ser espelhos dos sonhos que já não são nem mais sonhados, os políticos tornam cada vez mais a política em um “conjunto de mecanismos que sustentam e promovem a sociedade capitalista moderna” (2009, p.20), exaurindo um papel antes cabal. Dentro da mudança social, temos também mudanças na linguagem, haja vista que: &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;As palavras, nesse sentido funcionam como agente e memória social, pois uma mesma palavra figura em contextos diversamente orientados. E, já que, por sua ubiqüidade, se banham em todos os ambientes sociais, as palavras são tecidas por uma multidão de fios ideológicos, contraditórios entre si, pois freqüentaram e se constituíram em todos os campos das relações e dos conflitos sociais (MIOTELLO, 2005, p.172).&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Essa é uma variação já é perceptível. Ponzio vai exemplificar dentro da esfera da linguagem por meio da palavra Democracia. Expliquemos: como já não se encontra uma oposição (a partir da alteridade) para designar o mundo contemporâneo, imerso na economia de mercado neoliberal capitalista, acaba que o termo democracia utilizado como “curinga” (palavra de Ponzio) para justificar toda espécie de ações políticas ou não. Seja num golpe de Estado, invasão de um país, tomada de decisão, votação, ou qualquer ato político, os líderes não titubeiam ao invocar a democracia como regente das boas ações pretendidas – deixando o signo numa espécie de crise – não somente semântica, mas também de entendimento social.  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Outro exemplo, esse mais marcado, é o signo Revolução. Edgar MORIN (2009), em uma entrevista dada ao jornal O Estado de S. Paulo, foi perguntado: “O senhor fala muito em reforma. Parece que a palavra revolução foi abolida de seu vocabulário. O tempo das revoluções chegou ao fim?”. A resposta foi a seguinte: &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Bem, eu prefiro trocar a palavra revolução, que está desgastada pelo uso, por metamorfose. E por quê? Porque a palavra revolução foi reduzida a uma dimensão violenta. Essa violência cria apenas sistemas autoritários, como bem provou a União Soviética. Já a metamorfose permite uma transformação natural e radical como a de uma borboleta, que se destrói e se constrói para se transformar, para adquirir novas habilidades, como a de voar. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Aqui a palavra revolução deixa de ser o palco para mudanças sociais e o filósofo propõe a resignificação de um outro termo, metamorfose. Também podemos identificar outros exemplos que também estão ocupando o lugar do signo anterior, como reforma política e até mesmo reconstrução. Na sociedade cuja identidade vence (cf. Ponzio, 2008), o ideário revolucionário já não mais existe, e nem deveria ser reativado - pois já não é usual para a atual conjuntura. Coloquei as palavras “Revolução” e “Reforma” para serem buscadas na sessão Dinheiro do jornal Folha de S. Paulo online. A segunda teve 3.560 ocorrências em 26 páginas de resultado. A primeira, no mesmo número de páginas, foi citada 266 vezes. Nesse rápido exercício quis demonstrar a utilização por meio de uma das principais mídias impressas brasileiras, em seu setor mais próximo do capitalismo, que o discurso oficial hoje não quer que certas palavras sejam tecidas nas relações sociais, ou seja, mostra que perdeu espaço dentro da arena de luta do signo. A revolução já não existe mais, nem cabe ser citada, nem ser formulada, e tampouco ser dita.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;    Por fim, o mundo das desigualdades ceifa a qualidade de vida de mi(bi?)lhões de pessoas. O discurso não diz que aquilo que é diferente não é desigual, mas simplesmente diferente. No tempo acelerado, na homogeneidade consumista, no mundo que é eternamente “pós” de algo que nunca vimos ou sabemos o que é, a proposta de olhar com olhos de alteridade as relações humanas torna-se uma opção. Na igualdade total, a distinção vai existir somente naquele que se faz diferente. Não se perde a identidade ao ser diferente, ao levar em conta a posição do Outro como algo fundamental para a minha constituição. O espelho não nos mostra como somos, mas sim o que somos em relação as nossas relações. A mera reflexão não implica na refração da vida. A reflexão se dá junto com a refração. Meu eu é o outro do outro. A alteridade torna-se, portanto, uma postura ética e estética de compreensão e responsividade. Como Geraldi já disse, a diferença identifica enquanto a desigualdade deforma. No livro Não verás país nenhum, de Ignácio de Loyola de Brandão exemplifica bem uma situação u(dis)tópica onde a identificação dos iguais produziu uma sociedade não social. Conta a história num tempo onde os “militecnos” aproveitam para burocratizar tudo, inclusive sentimentos e sensações, onde tudo é passível de compra - porém o dinheiro é extremamente escasso. Nesse entremeio, um furo na mão faz o personagem se distinguir dos demais. Na distinção, na diferença, ele se constitui e passa a questionar a vida que ele se insere. Ao se cansar do que vivia, do que era embotado a viver, ele se rebela contra o que estava preso. Vendo o presente, mas trabalhando com a memória de passado (o personagem era um professor de História que acreditava na revolução), ele refaz suas perspectivas de futuro, muda e questiona o discurso vigente. Ao fazer isso, passa a ter/ser tudo diferente na história. O personagem passa a olhar como que olhando com Outros olhos, numa visão de alteridade.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;E o real está na superfície, bóia à nossa vista. Tão simples, que recusamos. Estamos acostumados ao espelho da ilusão. Passamos o tempo em busca de algo que nos foi dado à primeira vista. Não confiamos mais em nossas percepções, instituições. Nos afastamos do conhecimento primordial.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Renasço, a cada instante. Minha vida = uma série de renascimentos. Sem que tenha havido morte. Sucessão de momentos que somam. Os antigos deixam experiências, maturidade. Os novos vêm com inocência e a contemplação. Neste renascer, me faço criança e me incorporo ao que veio antes. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;O ser antigo rejuvenesce, o novo ganha, no parto, o conhecimento. Venço a morte, a cada etapa. Ganho a vida. E me vejo um homem em permanente duplicata. (LOYOLA BRANDÃO, 1982, p.309). &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Referências Bibliográficas&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;GERALDI, João Wanderley. A diferença identifica. A desigualdade deforma. Percursos bakhtinianos de construção ética e estética. Freitas, Souza e Kramer (orgs.) Ciências humanas e pesquisa: leitura de Mikhail Bakhtin. São Paulo, Cortez, 2003, p.39-56.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;GONÇALVES FILHO, Antônio. EDGAR MORIN: "Nosso pensamento está muito preso ao passado”. In: O ESTADO DE S. PAULO. Caderno 2, São Paulo, 02 ago. 2009. Diário.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;LOYOLA BRANDÃO, Ignácio de. Não verás país nenhum. São Paulo, Círculo do Livro, 1982.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;MIOTELLO, Valdemir. Ideologia. In: BRAIT, Beth. (org.). Bakhtin, conceitos-chaves.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;São Paulo, Editora Contexto, 2005.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;______. A memória do passado em jogo com a memória do futuro constitui sentidos agora. Daí que os projetos de dizer dos sujeitos têm importância. In: MANFRIN, Aline Maria Pacífico; e outros. (Org.). Veredas Bakhtianas - de objetos à sujeitos. São Carlos, Pedro &amp;amp; João Editores, 2006, v. 1, p. 277-287.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;PONZIO, Augusto. A revolução bakhtiniana. Coordenação de tradução de Valdemir Miotello. São Paulo, Editora Contexto, 2008.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2651107604259160564-5173106642514379422?l=conversasbakhtinianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasbakhtinianas.blogspot.com/feeds/5173106642514379422/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2651107604259160564&amp;postID=5173106642514379422&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2651107604259160564/posts/default/5173106642514379422'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2651107604259160564/posts/default/5173106642514379422'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasbakhtinianas.blogspot.com/2009/10/sob-o-signo-da-alteridade.html' title='Sob o signo da alteridade'/><author><name>GEGe -  Grupo de Estudos de Gêneros do Discurso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06927853979162145692</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2651107604259160564.post-6063167782466432356</id><published>2009-10-12T16:59:00.000-07:00</published><updated>2009-10-12T17:01:07.285-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='1-O pensamento bakhtiniano na atualidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='1c-Educação e a dialogia na atualidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Helen Cristina Liberatori'/><title type='text'>Estratégias interativas e linguística para o ensino matemático</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:85%;" &gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Helen Cristina Liberatori&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;O estudo proposto relatará experiências com atividades matemáticas diversificadas, que foram aplicadas em duas escolas; uma pública e a outra particular, com o objetivo de estimular qualquer espécie de função ideológica: pesquisa científica, estética, moral e coletiva. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Nessa abordagem transformativa, reconheceu que, além do eu e do outro, existe o nós; esta consideração possibilita o cuidado com a língua, para que a comunicação social e a interação cooperativa sejam possíveis nas situações em que a convivência futura seja demandada ou desejada. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Sabe-se que as competências na disciplina matemática devem proporcionar estímulos para observar, realizar e compreender, segundo Bakhtin (2006), a realidade toda da palavra é absorvida por sua função de signo. A palavra não comporta nada que não esteja ligado a essa função, nada que não tenha sido gerado por ela. A palavra é o modo mais puro e sensível da relação social.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Na pesquisa, constatou-se não ser a expressão que se adapta ao mundo interior, mas o nosso mundo interior que se adapta às possibilidades de nossa expressão, aos seus caminhos e orientações possíveis. Considerando como expressão a da crença no poder transformador da fala e nas formas de se comunicar, isso tem gerado conseqüências positivas para a convivência social dos indivíduos. Como as fronteiras do conhecimento e de outras realidades estão cada vez mais interligadas, em todos os tipos de atividade mental que examinamos, são criados modelos e formas de enunciações, semióticas e linguisticas.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Nesse contexto, a escola, admitida como uma complexa instituição social moderna é determinada pela sociedade em que se inscreve e, por isso mesmo, retém contradição, ambigüidades e problemas; em decorrência, para se enfrentar os problemas da educação escolar, especialmente aqueles relacionados com a formação do aluno, do professor e de todos que direta ou indiretamente da escola fazem parte. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Sabe-se ainda, com base em dados estatísticos, que o Brasil não cultiva o gosto pelas ciências e nem pela lógica interna do próprio sistema de signos. Desta forma, as ligações linguisticas específicas nada têm a ver com valores ideológicos (artísticos, cognitivos ou outros), Bakhtin (1997). Em todo o caso, a influência da escola em cima da criança/adolescente nunca pode ser vista isoladamente. O sistema educacional pode ajudar o estudante a encontrar seu pensamento filosófico-linguístico, para apreciar suas vidas, e para saber que são membros de valor e produtivos na sociedade.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Nesse exercício vivo da troca de sentidos e de modos de operar intelectualmente, constatou-se a falta de comunicação no processo de aprendizagem matemática. Essa descoberta vem indicar a necessidade de reflexões sobre novas propostas de ensino, de modo que possam considerar os múltiplos e variados elementos presentes na ação do professor.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;   &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;As atividades propostas como meio de mediação, comunicação social e interação.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Referenciou-se nessa pesquisa o método de análise das representações sociais, segundo sistematização de Moscovici (1961), que consiste na investigação das opiniões, percepções e práticas discursivas dos alunos referentes ao sentido da escola e a significação da matemática. Abordar com pertinência a importância da construção/reconstrução de uma dinâmica coletiva e heterogênea foi possível após a observação das turmas de 8ª séries (9º Ano) de uma escola pública e da particular e realizar a pesquisa-ação-interativa. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Para cada nível de ensino, verificou-se um adequado padrão de exigência cognitiva lingüística, sendo assim, cabe entender como os alunos representam a disciplina, fundamental para o desenvolvimento do raciocínio dedutivo e probabilístico e a compreensão das constâncias e regularidades que compõem o cotidiano do mundo algébrico e aritmético.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Os participantes da pesquisa foram alunos na faixa etária de 14 a 17 anos. Para o processo do intercâmbio entre escolas, os alunos da escola pública foram convidados para a interação na escola particular e vice-versa, assistiram às aulas de matemática e participaram do processo de elaboração das atividades para posteriormente apresentarem aos seus colegas. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Os registros consistiram na utilização de máquina fotográfica e filmadora, os alunos fizeram relatos da experiência vivenciada, estimulados por entrevistas semi-estruturadas e escreveram seus depoimentos em pequenos textos. Esses foram examinados através da análise do discurso. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Para Bakhtin (1997), quando um indivíduo utiliza a língua, sempre o faz por meio de um tipo de texto ainda que não tenha consciência disso; ou seja, a escolha de um tipo é um dos passos – se não o primeiro – a ser seguidos no processo de comunicação.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Por se tratar de uma pesquisa experimental, o qual se observou o comportamento dos alunos em mudanças de ambiente físico nada mais pertinente que analisar, se houve o processo de interação e de trocas de conhecimentos e se a comunicação ocorreu de forma consciente e desejada. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Foram aplicadas atividades que promoveram:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;•    A apresentação da equipe escolar, caracterização da instituição e da proposta de trabalho;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;•    Compreender as representações sociais que os alunos tinham da escola e do ensino matemático; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;•    Intercâmbio entre as escolas públicas e a particular para reconhecerem diferenças e semelhanças tanto na aplicação dos conteúdos matemáticos quanto ao espaço físico;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;•    Perceber que o ensino matemático é um instrumento que possibilita a ampliação da linguagem e das interações sociais.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;•    Trabalhos com jogos lúdicos tais como; bingo da tabuada, dominó matemático, xadrez, tangram e os conteúdos específicos da série durante o processo interação.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Conclusão&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;A partir dos resultados das representações da escola, do ensino matemático, das intervenções mediadoras, das análises dos discursos nos textos e das experiências práticas docentes e de pesquisa, o estudo propôs a necessidade de articular, integrar e sistematizar fenômenos e teorias na disciplina em questão. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Através dos resultados, percebeu que o aluno ao se comunicar matematicamente com os colegas de sala e de uma escola diferente, amplia suas idéias e seu vocabulário, facilitando o diálogo com os professores e procurando elaborar melhores os seus pensamentos em novos conhecimentos e em diferentes pontos de vista sobre um mesmo assunto. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Verificou que as dificuldades enfrentadas pelos alunos, no campo semiótico como no linguístico durante a sua trajetória escolar, indicam a presença de preconceitos e estereótipos com relação ao conteúdo matemático. Sob este aspecto começa-se a examinar de um modo mais aprofundado e mais sério os currículos de Matemática dos diferentes sistemas educativos, de forma que as avaliações que os alunos, no quadro desses sistemas, sabem e são capazes de fazer possa ser objeto de interpretações mais válidas e produtivas. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Referências Bibliográficas.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;BAKHTIN, M.M. (V.N.VOLOCHÍNOV). Marxismo e filosofia da linguagem: problemas fundamentais do método sociológico da linguagem. São Paulo: Hucitec, 2006.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;BAKHTIN, M.M. Os gêneros do discurso. In: Estética da Criação Verbal. São Paulo: Martins Fontes, 1997.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;MOSCOVICI, S. A representação social da psicanálise. Rio de Janeiro: Zahar, 1978.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2651107604259160564-6063167782466432356?l=conversasbakhtinianas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://conversasbakhtinianas.blogspot.com/feeds/6063167782466432356/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2651107604259160564&amp;postID=6063167782466432356&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2651107604259160564/posts/default/6063167782466432356'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2651107604259160564/posts/default/6063167782466432356'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://conversasbakhtinianas.blogspot.com/2009/10/estrategias-interativas-e-linguistica.html' title='Estratégias interativas e linguística para o ensino matemático'/><author><name>GEGe -  Grupo de Estudos de Gêneros do Discurso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06927853979162145692</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2651107604259160564.post-6274071549712507746</id><published>2009-10-12T16:55:00.000-07:00</published><updated>2009-10-12T16:59:14.170-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Lezinete Regina Lemes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='1-O pensamento bakhtiniano na atualidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='1b-O humano e as subjetividades na contemporaneidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Jucelina Ferreira de Campos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Alba Valéria Alves Ignácio'/><title type='text'>Movimentos dialógicos: uma orquestra de vozes que perpassa uma campanha publicitária</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:85%;" &gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Alba Valéria Alves Ignácio&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:85%;" &gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Jucelina Ferreira de Campos &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:85%;" &gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Lezinete Regina Lemes&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Os conceitos de ato e atividade/evento, ético e estético estão presentes nas obras do Círculo de Bakhtin, como por exemplo, em Para uma filosofia do ato (1919/1921) e no texto O autor e o herói na atividade estética (1920-1923). São dois textos inacabados em que o propósito maior é, segundo Faraco (2009, p. 18), “a construção de uma reflexão filosófica ampla.” Vale ressaltar que esses conceitos compõem os estudos dos textos literários com os quais Bakhtin teve muitos diálogos bem como os estudos sobre linguagem, realizados posteriormente à publicação dessas duas obras (FARACO, 2009).&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Para compreendermos esses conceitos, elegemos uma propaganda institucional, promovida pela Secretaria do Estado de Saúde e pelo governo do Estado de Mato Grosso, cujo mote dessa campanha é a dengue. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Inicialmente, podemos dizer que a partir dos conceitos de Bakhtin a respeito dos gêneros discursivos – formas relativamente estáveis que são produzidos em inúmeras esferas da atividade humana – tomaremos a noção de linguagem que exerce um importante papel na constituição dos enunciados concretos. Como bem salienta Bakhtin/Volochinov (1929), a linguagem é o produto e processo da interação verbal.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;No processo de interação entre interlocutores é que a linguagem se estabelece, uma vez que, em contato com o enunciado do outro, o “eu” traz também em seu discurso interior, suas palavras, mas também a palavra do outro, quer dizer, nossas palavras não são neutras, não são isoladas, corroborando o que Bakhtin (1952-53/1979, p. 294-295) nos afirmava acerca do discurso:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;[...] é pleno de palavras dos outros, de um grau vário de alteridade ou de assimilidade, de um grau de vário de aperceptibilidade e de relevância. Essas palavras dos outros trazem consigo a sua expressão, o seu tom valorativo que assimilamos, reelaboramos e reacentuamos.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Nesse processo de reelabrorar e reacentuar, o eu torna-se único e seus enunciados únicos, irrepetíveis também. Com base nessa unicidade do sujeito, afirmamos que o eu e o outro são responsáveis pelos seus atos (ético), à medida que cada um responderá a seus interlocutores, conforme sua visão de mundo, ressaltando a ideia de que “cada um é um universo de valores” (FARACO, 2009, p. 21), pois a cada réplica, haverá uma entonação, uma apreciação valorativa dos sujeitos envolvidos nessa interação. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;É exatamente, nessa interação que se dá, a partir de então, a constituição do indivíduo, pois, ao se constituir se modifica, se altera. E isso se solidifica nas relações sociais, por meio da linguagem. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Para efeito de compreensão, apresentamos a campanha contra a dengue veiculada na revista “Ótima S/A- informação que faz a gente pensar” em Fevereiro de 2009. Essa campanha leva em conta estas razões sócio-históricas: uma epidemia da doença que preocupa população e poder público e exige conscientização e ações de ambos os segmentos.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;   &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;a style="font-family: trebuchet ms;" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_sX3TUtTFFXs/StPCHdwey5I/AAAAAAAAAbw/l4R6Nxn2cic/s1600-h/imagem.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 276px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_sX3TUtTFFXs/StPCHdwey5I/AAAAAAAAAbw/l4R6Nxn2cic/s400/imagem.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5391866612395461522" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 12"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 12"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CUsers%5Cuser%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;link rel="themeData" href="file:///C:%5CUsers%5Cuser%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_themedata.thmx"&gt;&lt;link rel="colorSchemeMapping" href="file:///C:%5CUsers%5Cuser%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_colorschememapping.xml"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; 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Em outras palavras, a avaliação do ato envolve uma
